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Oswaldo Bratke: Hugo Segawa relança livro sobre o arquiteto

Após 15 anos, foi relançada edição do livro sobre Oswaldo Bratke, figura essencial para a arquitetura moderna brasileira. O autor Hugo Segawa fala sobre os encontros com o mestre.

Por Reportagem Luisa Cella
Atualizado em 9 abr 2024, 11h48 - Publicado em 9 nov 2012, 14h38

*Matéria publicada em Casa Claudia Luxo #31 – Novembro e Dezembro de 2012

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O livro Oswaldo Arthur Bratke – Arquiteto: A Arte de Bem Projetar e Construir, escrito por Hugo Segawa com coautoria de Guilherme Dourado, narra a trajetória do arquiteto paulista, um dos primeiros a propor maneiras modernas de viver no país. Com auge nos anos 1950 e 60, sua carreira reúne cerca de 1,3 mil projetos, entre eles centenas de casas, peças de mobiliário, como uma cadeira que integra o acervo do museu em Paris Centre Pompidou e ainda uma cidade inteira, Serra do Navio, concluída em 1960, no Amapá, para a exploração mineral. Textos e desenhos revelam uma vida conduzida pelo virtuosismo ao desenhar e pela paixão por projetar e construir. Leia a entrevista com o autor e arquiteto Hugo Segawa.

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Como foi o primeiro contato com Bratke?

Em 1973, recém-formado em arquitetura e começando a trabalhar na revista Projeto, procurei o número dele na lista telefônica. Me surpreendi quando ele atendeu e aceitou o convite para conversarmos. Foi muito gentil.

 

E o processo de fazer o livro?

Ele nos recebeu em sua casa todos os sábados de 1995 até 1997, quando veio a falecer, infelizmente, um mês antes do lançamento do livro. Mostrava seus desenhos e arquivos guardados, e nossas conversas fluíam sem roteiro, revisitando lembranças extraordinárias. A forma de atuar, criando desde cadeiras até uma cidade inteira, é algo que impressiona. Essa era a preocupação da geração da qual ele e Niemeyer fizeram parte, voltada para responder aos desafios da vida moderna. Fazia parte da função do arquiteto. O pensamento da época ressaltava a organização do espaço de forma contínua, com os objetos integrados a um sistema.

 

Seria possível tal dedicação atualmente?

Não. Poucos arquitetos no mundo tiveram a oportunidade de criar uma cidade – como ele e Niemeyer fizeram. Outra questão é a mudança de panorama da arquitetura, sobretudo a brasileira. Houve uma segmentação, existem arquitetos que fazem hospital, outros, prédios comerciais, casas etc. É difícil pensar que haverá outro Oswaldo Bratke ou Oscar Niemeyer no Brasil.

 

Muito da fama dele veio de suas casas. O que você ressalta dessa produção?

Para mim, sua grande obra é a cidade Serra do Navio. Mas, ao construir casas, se tornou requisitado e bem-visto pelo respeito que tinha pelos gostos e valores dos clientes. Quem o procurava sabia o tipo de moradia que ele poderia oferecer. Se a pessoa desejasse o estilo neocolonial, estava falando com o arquiteto errado.

 

Você chegou a visitar Serra do Navio?

Estive lá em 1995 e fiquei impressionado. As casas funcionavam bem e eram frescas em plena floresta Amazônica. O que Bratke propôs estava sintonizado com sua formação: uma arquitetura limpa, racional, de certa forma austera e com padrão estético único, já que na época da modernidade os valores eram mais coletivos e as casas mais parecidas. Hoje, os valores são muito mais individuais.

 

Como foi o contato com os desenhos dele?

Ao fechar o escritório, em 1969, Bratke guardou os que julgava mais significativos, boa parte reproduzida no livro. Ele era um desenhista excepcional, e isso chama a atenção sobre a importância, para a sua geração, de se manifestar por meio do traço. Hoje, com o uso do computador, formas e suportes mais tradicionais foram todos transformados em pixels.

 

*Matéria publicada em Casa Claudia Luxo #31 – Novembro e Dezembro de 2012

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