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3 executivas sul-africanas de sucesso

Conheça as histórias inspiradoras de três executivas sul-africanas que chegaram ao topo da carreira e mantêm projetos para transformar e melhorar seu país

Por Gabriela Kimura Atualizado em 15 jan 2020, 22h12 - Publicado em 18 jun 2013, 21h00

Judi Nwokedi, CEO da Nwokedi Consulting PTY, durante o Women’s Forum Brazil 2013, em São Paulo
Foto: Divulgação

“Você não precisa de um homem como CEO ou diretor da empresa para ter sucesso”, sentencia a empreendedora sul-africana Louisa Mojela, durante painel no Women’s Forum Brazil 2013, em São Paulo. CEO da WIPHOLD (Women Investment Portfolio Holdings), uma companhia de investimentos e operações composta somente por mulheres e dedicada ao empoderamento das mulheres negras, Louisa usa sua trajetória como exemplo de que sua frase não tem nada de leviana. E o exemplo é incontestável. A executiva já trabalhou em organizações como o Banco de Desenvolvimento do Sul da África, o Standard Corporate & Merchant Bank e o Banco Mundial e já venceu prêmios de destaque empresarial. Hoje, CEO da sua empresa e integrante de vários conselhos executivos, Louisa mostra como a mulher tem o poder de mudar a sociedade em que vive por meio da ação social. Na WIPHOLD, ela mantém vários programas, como o que oferece a até 50 estudantes a oportunidade de cursar uma faculdade em cursos de ciências exatas, como engenharia e contabilidade.

Enquanto Louisa investe na educação, Judi Nwokedi procura assistir os jovens da África do Sul em outra frente também deficiente: a saúde. No país, quase duas em cada cinco pessoas com idade entre 15 e 49 anos são portadoras do vírus HIV, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Só em 2011, 270 mil pessoas morreram em decorrência da Aids. Na fundação Love Life, a empresária lida com o problema investindo em educação sexual, principalmente para os jovens. A proposta é falar de sexo sem tabus, expondo dúvidas e ensinando as pessoas a lidar com a presença do sexo. “Elas precisam aprender a amar a vida e ter amor na vida, já que a maioria das relações que elas têm são agressivas, forçadas e violentas”, diz Judi.

As palavras sensíveis são de uma executiva que, mesmo tendo construído uma carreira de sucesso, passou a vida enfrentando preconceito por ser mulher e africana. No currículo, brilham os cargos de vice-presidente da multinacional Areva na África do Sul, diretora executiva da Motorola na África Subsaariana, diretora administrativa do maior grupo de mídia do seu país e, atualmente, de CEO da empresa Nwokedi Consulting PTY. Não parece justo que uma pessoa tão gabaritada tenha que provar sua competência a cada nova responsabilidade, mas foi exatamente o que aconteceu. Judi conta que “as pessoas ficavam me perguntando: ‘seu marido não te sustenta? E elas não me consideram iguais porque é como se eu, por ser da África, fosse incapaz de entregar resultados’”. Você provou que elas estão erradas, Judi.

O mesmo fez a sua compatriota, a chefe de cobertura do Corporate Banking South Africa, Faith Khanyile. Chegando ao topo da carreira, ela resolveu participar de um programa que faria com que outras mulheres a acompanhassem na subida. O WDB (Women’s Development Business), concede microcrédito a mulheres de baixa renda para que elas desenvolvam uma atividade remunerada e possam sair da base da pirâmide social. O financiamento vai para diversos setores, como agricultura, artesanato e pequenas confecções. A organização também proporciona educação e treinamentos para crianças e adolescentes, para que elas consigam se virar no mercado de trabalho. Para Faith, as pequenas empreendedoras “se tornam exemplos de sucesso e um modelo a ser seguido dentro e fora de casa”.
 

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