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Stéphanie Habrich Stéphanie Habrich é empreendedora, apaixonada pelo mundo da educação e do jornalismo infantojuvenil. Fundadora do Joca, único jornal para jovens e crianças do Brasil, ela vai abordar aqui na coluna temas que interligam o contato com as notícias desde a infância e a educação, sempre pensando em como podemos ajudar nossos filhos a serem cidadãos com pensamento crítico.

Precisamos falar sobre a fome com os nossos jovens 

Segundo uma pesquisa feita pela Rede Penssan, cerca de 9% da população brasileira passou fome em dezembro de 2020

Por Da Redação Atualizado em 20 abr 2021, 18h04 - Publicado em 20 abr 2021, 16h15

A pandemia fez com que a fome voltasse a ser tema nos noticiários do Brasil. Segundo uma pesquisa feita pela Rede Penssan (Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional), cerca de 9% da população estava passando fome em dezembro de 2020 – porcentagem que corresponde a quase vinte milhões de pessoas.

Sem comida, não somos nada. Não conseguimos estudar, trabalhar e, muito menos, nos divertir. Embora isso possa parecer óbvio, é uma realidade tão distante das pessoas de classe média e alta que é necessário sempre reforçar o que, de fato, significa passar fome.

Especialmente quando estamos falando desse assunto com crianças e adolescentes de poder aquisitivo alto. A falta de repertório e experiência de vida podem fazer com que eles tenham uma ideia distorcida ou superficial sobre o que significa não ter o que comer no fim do dia.

No Joca, jornal para crianças e jovens que fundei há dez anos, publicamos recentemente uma matéria sobre a fome no Brasil.

No texto, trazemos dados recentes sobre esse assunto, um gráfico comparando números da insegurança alimentar ao longo dos últimos anos e uma lista de instituições que estão aceitando doações para ajudar quem mais está precisando nesse momento.

Para a nossa alegria, pouco depois de publicarmos a matéria, recebemos uma carta de leitores de uma escola falando que, após lerem o texto, ficaram sensibilizados com a questão e resolveram iniciar uma campanha para arrecadar doações e ajudar quem está passando fome.

A reportagem os ajudou a se aproximar dessa realidade paralela a deles. A partir disso, resolveram agir no meio em que vivem, como cidadãos atuantes.

Essa história prova o poder que os jovens têm de mobilizar a sociedade e de produzir pequenos (mas significativos) impactos positivos por onde passam. É esse espírito que acredito que nós, adultos, devemos incentivar nas crianças e adolescentes.

Precisamos levar informação e conversar com eles sobre o que está acontecendo ao nosso redor. Assim, eles desenvolverão o seu “olhar” cidadão, a sua capacidade de perceber o que se passa e agir para que algo seja transformado – em vez de apenas ficar de braços cruzados e esperar que as autoridades façam algo para mudar determinada situação.

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Um grande obstáculo à criação desse espírito é a crença de que uma pessoa só não é capaz de gerar um grande impacto. Movidas por essa mentalidade, muitas pessoas acabam optando por não fazer nada – e, muitas vezes, passam essa falta de proatividade para seus filhos.

O problema disso é que acabamos não percebendo que fazer pouco é mil vezes melhor do que não fazer nada. Se eu faço uma doação de dez reais, essa doação se juntará a várias outras de dez reais e, no fim, será possível comprar uma cesta básica que alimentará uma família.

Assim, já teremos contribuído para a sobrevivência de quatro pessoas, algo que está longe de ser um feito desprezível.

No Joca, temos várias histórias de leitores que, ao lerem matérias sobre os acontecimentos do Brasil e do mundo, e discuti-las com pais, professores e colegas, resolveram se mobilizar para ajudar a melhorar determinado cenário.

Já tivemos casos de leitoras que doaram cabelo depois do contato com um texto sobre perucas para crianças com câncer; assinantes que leram sobre a situação dos refugiados no Brasil e organizaram um brechó para arrecadar dinheiro para organizações que ajudam essa parcela da população; jovens que viram uma matéria sobre o impacto dos canudos de plástico no meio ambiente e pararam de usar esse material na escola; entre várias outras histórias.

Agora, vamos pensar nos impactos produzidos por essas mobilizações. Imagine quantas pessoas podem ter conseguido perucas graças às doações das meninas? Quantos refugiados foram beneficiados pela doação dos alunos? Quantos animais marinhos foram poupados graças à tomada de consciência em relação aos canudos plásticos? Não importa se as respostas para essas perguntas trazem números grandes ou pequenos. O mais relevante é que essas ações geraram impacto positivo.

E os jovens precisam saber que qualquer impacto positivo importa.

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