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Stéphanie Habrich Stéphanie Habrich é empreendedora, apaixonada pelo mundo da educação e do jornalismo infantojuvenil. Fundadora do Joca, único jornal para jovens e crianças do Brasil, ela vai abordar aqui na coluna temas que interligam o contato com as notícias desde a infância e a educação, sempre pensando em como podemos ajudar nossos filhos a serem cidadãos com pensamento crítico.

A juventude e os aprendizados da quarentena

Esses aprendizados serão levados para toda a vida

Por Stéphanie Habrich Atualizado em 13 ago 2020, 15h45 - Publicado em 11 ago 2020, 07h00

No fim de agosto vamos completar cinco meses de quarentena. A essa altura, acredito que é hora de pararmos um pouco e fazermos um balanço dos aprendizados que pais e filhos tiveram ao longo desse período tão diferente que tivemos que enfrentar.

É claro que o momento que estamos vivendo não é fácil. Nossos filhos, particularmente, estão sofrendo por não poderem ir à escola, sair à rua, encontrar com os amigos… Mas, como tudo na vida, a quarentena também tem uma faceta positiva. E, para mim, essa faceta está principalmente nos aprendizados que estamos tendo, seja na convivência intensa com a família, seja com a oportunidade de nos adaptarmos a novas situações.

Esses aprendizados, como eu já disse em outros textos da coluna, serão levados para toda a vida. Por isso, devem ser valorizados tanto quanto o desempenho acadêmico. Afinal, saber se relacionar com os outros e consigo mesmo é uma habilidade de extrema importância na formação de qualquer ser humano.

A seguir, confira alguns pontos positivos e de crescimento ressaltados pela quarentena, e que nossos filhos poderão carregar pela vida.

Adaptação ao imprevisto
Estávamos acostumados a fazer milhões de coisas na rua. De repente, tivemos que aprender a permanecer em casa pelo maior tempo possível. Essa mudança de padrão de comportamento ensina aos jovens que, na vida, precisamos sempre nos reinventar e aprender a lidar com novas circunstâncias que nos são impostas. Às vezes, planejamos muito detalhes para diversas áreas e momentos, mas precisamos mudar os percursos diante de novos cenários. Essa é a vida. Temos que procurar fazer o melhor com o que temos em mãos.

Felicidade além do externo
Ainda falando sobre adaptabilidade, uma coisa que fiz questão de mostrar aos meus filhos durante a quarentena é que não devemos depender do mundo exterior para sermos felizes. Se não podemos viajar ou visitar os amigos durante as férias, vamos fazer coisas divertidas em casa (veja algumas sugestões de atividades nesse contexto em outro texto da coluna. Acredito que os jovens sairão dessa quarentena entendendo que cada um de nós é responsável pelas próprias ações. Não importa como o mundo lá fora esteja, você pode construir a sua realidade. E isso inclui fazer coisas que te deixam feliz. 

Contato com a família
A quarentena impôs uma convivência intensa com os membros da família. Nunca tivemos tantos cafés da manhã, almoços e jantares juntos. Algumas famílias, inclusive, nunca conversaram tanto quanto estão conversando nesse período de isolamento. Isso é extremamente rico. Os jovens estão aprendendo na prática como é importante ter um tempo de qualidade ao lado dos pais. Seja para trocar ideias, desabafar sobre as angústias, dar risada… No Joca, jornal infantojuvenil que fundei, já fizemos várias matérias em que crianças e adolescentes relatam como estão sendo suas experiências com a quarentena. Eles sempre dizem que uma das melhores partes desse período é a chance de ter uma convivência mais próxima com os pais. Sem dúvida, uma grande conquista.

Autoconhecimento
Sem a correria do dia a dia, de quando tínhamos que nos movimentar constantemente de um lugar para o outro, temos a oportunidade de diminuir o ritmo e nos conhecermos com mais profundidade. Mesmo sendo jovens, as crianças e adolescentes também podem realizar esses processos. Eles têm a chance de identificar de forma mais clara quais são os seus interesses, seus traços de personalidade, suas motivações… Tudo isso será importante para que se tornem pessoas mais conscientes sobre os caminhos que desejam trilhar e seus impactos no mundo.

Enfim, espero que nós, adultos, sejamos capazes de enxergar esses aprendizados e valorizá-los como eles merecem ser. A pandemia nos trouxe muitas coisas negativas, mas também pode ter aberto portas extremamente positivas para o desenvolvimento de nossos jovens. Não sejamos injustos em dizer que os meses da quarentena foram meses jogados fora na vida de nossas crianças e adolescentes. Sempre podemos tirar aprendizados das mais diversas – e adversas – situações.

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