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Sofia Menegon Sofia Menegon é feminista, idealizadora da podcast Louva a Deusa e consultora em relacionamento e sexualidade

Cheguei na casa dos 30 solteira, e agora?

"Estar solteira aos 30 não é sinal de fracasso, infelicidade, solidão ou carência", afirma a colunista Sofia Menegon

Por Sofia Menegon 13 jul 2021, 11h32

“Mas eu não quero ficar sozinha para sempre!”, exclamou uma colega de trinta e poucos anos, aborrecida por chegar a essa idade solteira. Nos seus sonhos mais antigos, ela se imaginava casada e com filhos a essa altura.

Hoje, tem uma carreira bastante sólida, grandes amigas que a acompanham nas mais diversas ocasiões e paixões aqui e acolá. Mas, ainda assim, sente o vazio da incompletude. Ou, pelo menos, sua crença na incompletude a faz sentir esse vazio.

Assim como eu, ela cresceu assistindo às animações de princesas que esperavam ser salvas por príncipes encantados, por vezes nem tão encantadores assim. Na adolescência, a série de TV mais popular tinha as narrativas sempre em torno das histórias de amor. Muitas que culminavam no tão esperado casamento, pasmem, ainda na adolescência.

Esses eram os personagens pelos quais nos apaixonávamos e que tanto queríamos incorporar na vida real. O amor romântico era apresentado como a saída para todos os nossos dilemas, medos, desafios. Aquele amor que preencheria nossos vazios.

Então, mesmo completas e preenchidas, seguimos acreditando que algo nos falta e, essa crença, faz existir o vazio que tanto atormenta as solteiras de trinta e tantos anos.

Mas, embora essa ideia ainda esteja impregnada na nossa cultura e até em como nos estruturamos socialmente, não passa de um mito.

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Estar solteira nessa idade, por escolha ou acontecimento da vida, pode ser uma grande oportunidade. Isso porque agora, livres dos temores da adolescência, independentes financeiramente e mais apoderadas de quem somos, podemos investir tempo, energia e recursos no planejamento de vida que nos faz sentido de verdade.

Quando em relações monogâmicas, somos incentivadas a fazer concessões, ceder, deixar para outra hora aquelas vontades mais profundas e também as mais latentes. Aprendemos que ao firmar um compromisso de relação fechada, devemos nos limitar àquele núcleo e esquecer parte de quem somos.

Solteiras, temos a chance de entender que nada disso é preciso para que construamos a nossa felicidade. É uma fase convidativa para o mergulho interno, para a busca pelo nosso eu, para que encontremos acalento no próprio abraço.

Estar solteira aos 30 não é sinal de fracasso, infelicidade, solidão ou carência. Pelo contrário. Pode ser um exercício de escolhas saudáveis e que nos contemplem. Pode ser a fase mais propícia para criarmos vínculos significativos e ainda um advento propulsor de realizações.

E, não, não é um indício de solteirice eterna. Mas, ter esse tempo para o desenvolvimento pessoal pode ser sim uma grande vantagem na busca por relações mais maduras e deleitosas no futuro.

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