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Roberta D'Albuquerque Por Maternidade Roberta D'Albuquerque é psicanalista e autora do livro Quem manda aqui sou eu - Verdades inconfessáveis sobre a maternidade

Quantas vezes preciso te (me) dizer que…

Para quem estamos falando quando repetimos as nossas ladainhas?

Por Roberta D'Albuquerque 31 out 2017, 07h53

Se alguém me perguntar hoje o que é ter filhos, depois de um texto doce, longo e amoroso, eu direi (sem medo de errar) que grande parte da maternidade é repetir as mesmas frases várias vezes por dia. Quase um mantra, e diferente dos mantras, uma repetição danada de cansativa.

Uma repetição daquelas que te fazem parecer a mãe chata que você jurou que nunca seria, daquelas que custam olhares tortos e entediados dos pequenos, daquelas que colocam em dúvida sua competência para ocupar tal cargo.

O que eu não ousaria dizer com tanta certeza é a razão que faz com que a ladainha seja tão ineficaz. Hoje, ontem e (me parece que) para sempre, as crianças não conseguem entender coisas simples como:

1. Não se deve deixar tudo para o último segundo;
2. Sem se organizar a vida fica muito mais difícil;
3. É preciso aprenda a dizer não;
4. A opinião dos outros não é lei;
5. Ser honesto com você é tão importante quanto ser honesto com os demais;
6. Nenhuma desculpa é válida para a mentira e a preguiça.
7. Cuidar do que se come é tarefa séria;
8. Quem não dorme bem, não passa o dia bem;
9. Precisamos ser gratos;
10. O mundo é muito maior do que esse pedacinho que a gente conhece;
11. Pense grande e tenha coragem;
12. As vezes dá tudo errado e a gente precisa aprender a lidar com isso.

Posso até não ter certeza, mas arrisco um palpite. As crianças têm dificuldade de levar a ladainha a sério, porque de simples ela não tem nada. A lista é complexa, difícil mesmo de pôr em prática. E esses são só os meus pontos, você deve ter os seus, sua amiga tem outros, seu marido mais alguns…

Quando damos essas lições para nossas crianças, com aquela segurança de faz de conta que toda mãe tenta imprimir, estamos também puxando a nossa própria orelha. Falamos um pouco para ensinar, um pouco para lembrar.

E é por isso mesmo que a tarefa é enfadonha. Além de sermos mães dos nossos filhos, somos ainda um pouquinho nossas próprias mães. Muita criança pra cuidar, cansa mesmo. Mas dá tempo, pense grande e tenha coragem. Olha lá repetindo e repetindo…

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