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Fala, leitora! Leitoras de CLAUDIA compartilham suas histórias

Irmãs se apaixonam pela escrita e publicam livro juntas

Elas enviaram a CLAUDIA dois textos do livro publicado este ano

Por Da Redação Atualizado em 9 set 2021, 21h03 - Publicado em 9 set 2021, 21h02

Duas irmãs apaixonadas por literatura escreveram, juntas, um livro de crônicas, contos e poesias, Entrecosturas – Crônicas, Contos e Poesias.

Carina Freitas é professora, mora em Campos do Jordão, e gosta do desafio que o universo das letras lhe apresenta. Gabriela Freitas é publicitária, mora em São Paulo, e tem muitas ideias criativas. Amantes da literatura, elas fizeram um curso de escrita criativa e, em seguida, tomaram coragem de produzir. A seguir, elas disponibilizaram dois textos.

 

Amor in quarantine

Um casal durante a quarentena.

– Isso, vai tirando sem pressa. Devagar! Vai tirando a blusa, mas deevaagar…

– Ah, Carlos Alberto, cansei. Não dá! Você quer que eu tire a blusa deevaagar… Não sei ser
mais devagar que isso!

– Calma, Lucinha, a gente tá só começando. Vai, tenta! Por mim, vai – e Carlos Alberto fazia
beicinho no vídeo.

– Tá… assim tá bom?

– Sim, tá sensual.

Lucinha estava se esforçando para parecer natural e sensual, mas era sua primeira vez em
frente à webcam. Estava tímida enquanto Carlos Alberto ia dirigindo a cena.

– Isso, agora tira a calça.

– Tá – e ela começa a abrir o zíper.

– Mas em pé, de frente pra câmera, né, Lucinha?!

– Ah, é verdade… – e riu.

Ela se levanta.

– E agora, dá para ver?

– Sim, sim! Não perde o clima.

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Lucinha continuou no clima e dois minutos depois já estava de calcinha e sutiã. Ficou feliz
em ver o entusiasmo de Carlos Alberto, como no começo. Eles namoravam há anos e ela
achava que o sexo tinha caído na rotina. Parecia sempre o mesmo roteiro ensaiado. Por
isso, ver aquele entusiasmo de novo a fez pensar que a quarentena estava melhorando o
relacionamento dos dois.

Como não podiam se encontrar pelos próximos quatorze dias, a ideia da webcam tinha surgido e apimentado a relação. “Vou caprichar mais”, pensou Lucinha.
Foi até o interruptor do quarto, apagou as luzes, colocou uma música de fundo e começou a
dançar de forma bem sensual. Foi recebida com urros por Carlos Alberto.

– É disso que você gosta né, Tigrão?

– Uhumm… – gruinha Carlos Alberto do outro lado do com- putador.

– Assim, né?! – e Lucinha rebolava até o chão.

– Ahãn – e ele sussurrava.

Lucinha continuou até a música terminar, mas achou estranho.
No final não escutava mais os grunhidos dele. Começava uma nova música e Lucinha perguntou:

– E aí, baby, quer mais?

Não ouviu nada. Intrigada, foi até o interruptor, ligou a luz, desligou a música e, enquanto
procurava os óculos na mesa, reclamou:

– Pô, fala alguma coisa, Carlos Alberto! Todo artista precisa de aplausos!

Lucinha percebeu que ele tinha pego no sono. Ficou furiosa! Fechou o notebook com força,
e vociferou:

– Puta sacanagem! Nem a pandemia te salva, Carlos Alberto! Nem a pandemia!

Convite

Toque em mim.
Sem repulsa,
Sem medo.

Deslize seus dedos
sobre a minha pele.
Contorne minha face.
Sinta o volume
dos meus cabelos.

Toque em mim
Sem repulsa, sem medo.
Sim, sou negro.

 

 

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