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Ana Claudia Paixão A jornalista Ana Claudia Paixão (@anaclaudia.paixao21) fala de filmes, séries e histórias de Hollywood

Jane Fonda é uma mulher possível, mesmo em tempos tão difíceis

Com mais de cinco décadas dedicada à arte e ao ativismo, a atriz é uma inspiração para todas nós

Por Ana Claudia Paixão Atualizado em 20 fev 2021, 19h53 - Publicado em 20 fev 2021, 19h50

Jane Fonda é a amiga e mentora que toda mulher gostaria de ter. Politizada, linda, ousada, curiosa, inovadora, empreendedora, divertida e extremamente talentosa, aos 83 anos, ela será homenageada com o Cecil B. DeMille Award, na cerimônia do Globo de Ouro 2021.

O prêmio reconhece as carreiras brilhantes dos maiores ícones da indústria, incluindo recentemente Oprah Winfrey e Meryl Streep, entre outros. Desde 1962, quando ganhou seu primeiro Golden Globe como “Atriz Revelação”, Jane já recebeu sete estatuetas e 15 indicações, sendo a mais recente por Grace e Frankie, da Netflix. Sua inteligência é a garantia que seu discurso de agradecimento seja certamente um dos melhores momentos da premiação.

Jane Fonda já nasceu para fazer parte da história de Hollywood, mas ela escolheu o caminho mais interessante para chegar lá. Começou como a princesa e herdeira de uma de suas principais estrelas do cinema, o ator Henry Fonda, mas hoje é um ícone de maior projeção que o próprio pai, com quem tinha uma relação conturbada.

Sua carreira mudou de patamar quando foi para França e se casou com o diretor Roger Vadim. Os dois fizeram o filme Barbarella. Decidida a fazer a diferença no mundo, Jane buscou se educar e se envolver com questões sociais e políticas.

Nessas situações, surgiram embaraços diplomáticos, como no protesto contra a Guerra do Vietnam, onde posou com uma arma ao lado dos “inimigos” dos Estados Unidos, e no discurso de agradecimento do Oscar quando criticou o Governo americano.

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Aliás, não há dúvida de que, na premiação, ela deve falar sobre meio ambiente, causa que tem dominado sua vida nos últimos anos e que a levou para a prisão, semanalmente, em 2019 e 2020.

A Jane ativista ganhou destaque quando se uniu ao ex-marido, Tom Hayden, cuja história pessoal é tema do filme Os 7 de Chicago, da Netflix. Desde que passou a se dedicar ao ativismo, boa parte dos excelentes e importantes filmes que estrelou e produziu têm viés social e discutem feminismo, direitos civis, pautas ambientais e até a terceira idade.

Em Gracie e Frankie, por exemplo, Jane critica com risadas e lágrimas várias questões que ainda são consideradas tabus, sendo sexo apenas um dos temas.

Em 2018, Jane abriu o coração de forma ainda mais sincera com o documentário Jane Fonda em Cinco Atos, da HBO. Rico em imagens e depoimentos, o conteúdo é inspirador para todas as mulheres. Nele, a atriz falou pela primeira vez sobre o suicídio de sua mãe.

Jane não é sentimental, sua franqueza de falar dos vários casamentos, de suas falhas na maternidade, entre outros assuntos, revelam o quanto ela é essencial para o tempo que vivemos porque parece ser uma mulher possível em tempos difíceis. Toda premiação é pouco para ela.

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