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Skincare fermentado: tudo o que você precisa saber sobre a tendência

Sim, a fermentação – conhecida em alimentos como vinho e iogurte– também está presente na sua rotina de skincare

Por Raíssa Basílio
Atualizado em 1 fev 2023, 09h53 - Publicado em 25 jul 2022, 09h31

Você já ouviu falar em skincare fermentado, e ficou sem saber o que isso significa? Calma, que a gente te ajuda! Fermentação é um processo conhecido quando falamos de alimentos, como vinho, cerveja e iogurte. Eles podem ser ótimos para o seu organismo – e para sua pele. Estes ingredientes são uma aposta sustentável no mundo dos dermocosméticos e já até fazem parte da sua rotina, afinal, para obter o ácido hialurônico sinteticamente precisamos deste método. Vamos entender mais?

O que é fermentação?

A fermentação feita em laboratório aproveita microrganismos, como bactérias, para decompor ingredientes de cuidados com a pele em diferentes compostos. Para nos dar uma luz sobre como isso funciona conversamos com Marília Tamaki, farmacêutica, formada pela Universidade de São Paulo, e analista de pesquisa e desenvolvimento da Creamy.

“A fermentação é um processo que a gente conhece há muito tempo, a gente faz pão, vinho, e recentemente começamos a usar esse método também nos ingredientes de cosméticos. Basicamente, é a mistura de algum extrato, óleo, ou açúcar com bactérias e fungos que são selecionadas para este processo de fermentação. Eles vão reagir com esse outro ingrediente, que vão funcionar como alimento dessas bactérias e fungos para transformar esse material”, explica ela. 

“Durante esse processo, há uma quebra dessas substâncias e é isso que nos interessa, esses metabólitos, subprodutos dessa fermentação eles vão ter algumas características específicas, proteínas e outros elementos que terão benefícios na nossa pele”, completa. Os ingredientes fermentados podem vir da natureza ou por um procedimento sintético.

“Como estamos quebrando as moléculas de um substrato, com a fermentação vamos ter um produto final com um tamanho molecular menor e isso para o skincare é ótimo. Dessa forma, a gente consegue uma melhor fermentação desses ativos em nossa pele. E por conta desse processo, o produto final tem menos resíduos, acaba sendo mais puro já que estamos transformando esse material”, conta Marília Tamaki.

Como a fermentação pode ser benéfica para a pele?

Como dito, a fermentação é uma forma de tornar os componentes menores e aumentar o potencial de absorção na sua pele. “Os produtos derivados desses ingredientes podem causar menos irritações na pele, são mais suaves e também há maior eficácia. Quando você tem um ingrediente fermentado, você vai diminuir o tamanho dele, facilitando a penetração na pele para fazer a ação que você quer, seja hidratação, aumento de colágeno ou controle da oleosidade”, explica a farmacêutica.  “E claro que isso depende também de outros fatores, princípio ativo e da formulação como um todo. Mas, no geral, eles vão ser muito bons”.

A fermentação é uma nova forma de chamar um processo já conhecido

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Segundo a especialista, o termo fermentação é uma roupagem diferente para o que já era conhecido como prebióticos, probióticos e pós-bióticos. Já tinha ouvido falar disso? Esses são componentes dos dermocosméticos. Entenda a diferença entre eles:

Prebióticos: “Eles vão ajudar as bactérias boas a proliferar na pele, estimulando o crescimento delas e diminuindo o das nocivas”, explica Marília. Eles funcionam como uma espécie de alimento para as bactérias boas.

Probióticos: Os probióticos são os microrganismos em si e tem uma polêmica em relação a eles. “Como que vou garantir que os conservantes não vão matar os microrganismos ou se o mesmo não vai causar uma contaminação?”, comenta a especialista. “Tem bastante pesquisa acerca disso, mas a gente dá preferência para os pré e pós bióticos”, completa.

Pós-bióticos: “Esses são ingredientes que já passaram pela fermentação, ou seja, os subprodutos que serão estudados para ver quais ações eles têm na pele”. 

Em suma, a fermentação não é um processo novo e sim um novo termo para um método já conhecido. “Essa questão de pré e pós-bióticos ainda é pouco difícil de entender, mas se você fala de fermentação todo mundo sabe. A gente usa fermento no bolo, usa a fermentação para fazer cerveja, vinho. Essa nomenclatura fica mais próxima da nossa realidade, talvez por isso esteja crescendo tanto”, conta Marília Tamaki.

Onde podemos encontrar ingredientes fermentados?

“Vários ingredientes que usamos faz tempo são obtidos com fermentação como ácido hialurônico, que vemos em todos os produtos. Ele pode vir de origem animal mas também é obtido por fermentação. Também o ácido málico, o glicólico e o esqualano”, explica a farmacêutica. 

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E por falar em origem animal:

Marília Tamaki conta também que no ramo dos dermocosméticos os produtos de origem animal estão cada dia mais escassos: a pegada agora é a obtenção de certos derivados artificialmente. Como no caso citado acima. 

Outro ponto positivo é que esse é um método sustentável também, pois são utilizados microrganismos vivos. “Sempre teremos aquela fonte de energia para transformar esses materiais”, pontua Marília. Além disso, essas substâncias, justamente pelo processo de fermentação, têm uma vida útil maior.

E por falar em sustentabilidade, geralmente o termo está atrelado à natureza e vivemos uma fase em que grande parte dos produtos prezam por ingredientes naturais. Marília também explica que nem sempre esse é o melhor caminho quando falamos de dermocosméticos.

“Não necessariamente algo que é natural é mais seguro, quando temos processos naturais, há muito mais dificuldade em isolar o que é bom. Claro que existe o controle de qualidade, para entendermos o que está no extrato, mas é algo que foge do controle, pois depende muito do horário que você colheu a planta, da estação do ano”, analisa. “Já quando temos o processo sintético, feito em laboratório que é todo controlado, a gente tem mais certeza de que os ingredientes no final não terá impurezas e nem traços de moléculas nocivas para nossa pele. Então, é um bom balanço, ter ingredientes naturais e sintéticos”.

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