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Nova Miss EUA é cientista e tem opiniões no mínimo polêmicas

Entre outras coisas, ela nega o feminismo

Por Raquel Drehmer - Atualizado em 20 jan 2020, 14h08 - Publicado em 15 Maio 2017, 10h54

Eleita ontem e vencendo 50 concorrentes, a nova Miss EUA, Kara McCullough, é cientista. Cientista de verdade, não só no diploma: ela tem licenciatura em química e trabalha na Comissão Reguladora Nuclear dos EUA. Uau!

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Ela representou o estado da Columbia na final do concurso, realizada em Las Vegas. O próximo passo da bela de 25 anos é representar seu país no Miss Universo 2018, cuja data e local ainda serão definidos.

Maaas nem tudo é perfeito, sabe como é… Quando o evento chegou àquela parte de perguntas sorteadas e respostas espontâneas, Kara foi questionada sobre saúde pública. E ela declarou que considera que esse direito deva ser exclusivo às pessoas com emprego. Desempregados, para ela, não merecem ser atendidos em hospitais públicos. 🙁

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Em outra pergunta, ela respondeu que não é feminista e que prefere falar sobre “igualdade”. Ela se justificou clamando: “Mulheres, somos iguais aos homens, especialmente no local de trabalho”.

Kara fala de uma posição privilegiada e os números a desmentem: nos EUA, as trabalhadoras em tempo integral chegam a ganhar 80% menos que os homens que ocupam o mesmo cargo que elas, de acordo com estudo da American Association of University Women (Associação Americana de Mulheres Universitárias). A projeção é que, no ritmo atual, os salários sejam equiparados em 135 anos. Isso mesmo, apenas no ano de 2152.

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No Brasil, os homens ganham em média 76% a mais que as mulheres com a mesma formação e em cargos iguais. Quanto maior a empresa e mais alto o cargo, maior a diferença salarial. E o pior: essa porcentagem vem crescendo nos últimos anos.

Na média mundial, de acordo com a ONU, as mulheres ganham 24% a menos que os homens. É que, para cada Brasil e EUA com diferenças gritantes, há uma Islândia e uma Noruega com salários iguais, o que faz a média ser mais amena.

Seria bom alguém avisar à Kara que ainda há um caminho bem longo para essa igualdade defendida por ela no palco – e aplaudida por parte da plateia – ser realidade.

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