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Por que aceitar a finitude do amor é um grande passo para vivências leves

Mais importante do que garantir a permanência dos vínculos amorosos é se certificar de que estamos presentes em nossas vivências

Por Kalel Adolfo
12 jun 2023, 09h33

Todos nós queremos construir uma relação amorosa duradoura, certo? Não há problema algum nisso. Porém, as armadilhas culturais e emocionais presentes neste caminho em direção ao “felizes para sempre” podem nos inserir num eterno ciclo de frustrações. Tudo nessa vida acaba — incluindo os relacionamentos — e está tudo bem.

Aceitar e abraçar a finitude ao nosso redor é um grande passo para termos vivências mais leves e enriquecedoras. Agora, claro: há um árduo trajeto até conseguirmos abraçar esse novo modo de pensar.

Amores Finitos: Mais importante do que garantir a permanência dos vínculos amorosos a qualquer custo é se certificar de que estamos presentes (de corpo e alma) em nossas vivências
Que seja eterno enquanto dure (Bordado: Kareen Sayuri/Reprodução)

Para a psicóloga e escritora Fernanda Angelini, tudo começa na maneira em que enxergamos o próprio conceito do que é ser feliz: “Felicidade não é um estado de espírito, mas, sim, uma questão pontual. O que podemos alcançar de fato é um estado de plenitude, que significa estar em paz com todos os sentimentos e experiências, sejam elas ‘positivas’ ou ‘negativas’. Quando censuramos emoções, como a raiva, a decepção e a tristeza, abafamos uma parte de quem somos”, defende. 

“É saudável ter medo de perder o outro, mas também não podemos ir para o extremo da dependência emocional”

Fernanda Angelini, psicóloga e escritora

 

O ponto levantado por Angelini é importantíssimo, pois está conectado à nossa necessidade de querer vivenciar apenas os altos da relação, nunca os baixos. Com isso, tentamos nos esquivar de todos os conflitos e discussões possíveis, nos baseando no medo do rompimento para construir uma dinâmica longínqua:

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É interessante ter uma comunicação assertiva e gentil, pois isso nos ajuda a evitar brigas. Porém, isso é bem diferente de evitar conversas desconfortáveis. Esses papos difíceis precisam ser feitos, mas, novamente, com gentileza. Acredito que seja saudável ter medo de perder o outro, pois temos a tendência de não cuidar daquilo que já temos como garantido. Isso é bom para não nos tornarmos irresponsáveis a ponto de falar e fazer só o que quisermos. Mas também não podemos ir para o extremo da dependência emocional”, esclarece. 

“O medo do término como fator que orienta a relação fomenta a dificuldade do ser humano em dizer ‘não’”

Andréa Ladislau, psicanalista

A psicanalista Andréa Ladislau complementa: “O medo do término como fator que orienta a relação, além de provocar dependência, fomenta a dificuldade do ser humano em dizer ‘não’. Isso nos coloca em uma posição de submissão perigosa, que nos faz minimizar as nossas vontades e escolhas pessoais”, alerta. Fernanda nos relembra: “Relações amorosas não definem a vida de ninguém. Elas não precisam ser algo central. Se quisermos que seja, tudo bem. Mas tome cuidado para não dar um peso desproporcional para o outro, pois a maior relevância de todas deveria ser nós mesmas”, declara a psicóloga.

Fazendo as pazes com o fim

Amores Finitos: Mais importante do que garantir a permanência dos vínculos amorosos a qualquer custo é se certificar de que estamos presentes (de corpo e alma) em nossas vivências
Felizes por hoje (Bordado: Kareen Sayuri/Reprodução)

Agora, chegamos ao outro lado da moeda. Quando fazemos as pazes com o fato de que, sim, os relacionamentos amorosos não definem uma vida inteira, um novo dilema surge: o desânimo em colocar energia em algo que pode terminar.

É natural que esse receio apareça, mas segundo o escritor e comunicador Mário Dominowski, é importante tentar atingir um balanço: “Sempre recomendo que as pessoas equilibrem as suas expectativas. Se colocamos na cabeça que precisamos fazer a relação dar certo até o fim, estamos no oito. Se falamos que não vamos ligar muito para o vínculo, pois todos que entraram em nossos caminhos foram embora, estamos no oitenta. Nenhum dos extremos, tanto do apego quanto do desapego, são saudáveis”.

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“É preciso encarar a vida como uma jornada que possui curvas e pontos finais, que nem sempre será apenas uma linha reta”

Mário Dominowski, escritor e comunicador

Ele aconselha que, para realmente conseguir lidar de forma leve com a possibilidade do término, a principal dica é nos esforçarmos sem ultrapassar os nossos limites: “Comunique as suas questões, encare as suas inseguranças, se permita ser vulnerável, saiba ceder e demandar. Caso chegue ao fim, pelo menos você saberá que deu o seu melhor. Essa consciência tranquila, quando falamos de perdas, é de extrema ajuda. Faço um paralelo com o luto. Quando perdemos um ente querido, nos desesperamos mais quando sentimos que não aproveitamos e demos o nosso melhor. Depois que a pessoa vai embora, não tem mais o que fazer. E com os relacionamentos é a mesma coisa”, pontua.

Andréa Ladislau reforça: “Nada é eterno. Os ciclos mudam, assim como nós passamos por muitas transformações ao longo da existência. É preciso encarar a vida como uma jornada que possui curvas e pontos finais, que nem sempre será apenas uma linha reta. Além disso, alguns fins são até saudáveis para que se possa resgatar a identidade que, em muitas relações, pode se perder, especialmente quando um dos parceiros se anula dentro da dinâmica.”

Amores Finitos: Mais importante do que garantir a permanência dos vínculos amorosos a qualquer custo é se certificar de que estamos presentes (de corpo e alma) em nossas vivências
Amores Finitos: Mais importante do que garantir a permanência dos vínculos amorosos a qualquer custo é se certificar de que estamos presentes (de corpo e alma) em nossas vivências (Bordado: Kareen Sayuri/Reprodução)

Fernanda conclui que, mais importante do que a permanência das relações, são as trocas que temos com as pessoas: “Tudo o que nos agrega, filosoficamente ou emocionalmente, é valioso. Esses compartilhamentos são infinitamente mais ricos e significativos do que uma relação ter dado certo ou não. Se fomos felizes, não devemos nos envergonhar de forma alguma, mesmo que no final acabe”.

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