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Meu amor me tirou da prostituição

Trabalhei na noite por quatro anos até me apaixonar por um dos clientes

Por Redação M de Mulher Atualizado em 21 jan 2020, 12h12 - Publicado em 28 out 2008, 21h00

Depois que a gente transava, não era como
os outros
Foto: Arquivo pessoal

Bebi uma dose de energético e tomei coragem. O primeiro cliente até era bonito, cerca de 30 anos, falante… Entrei na boléia do caminhão e transei com ele. Saí com R$ 15 na mão e a alma esvaziada. No chuveiro do posto de gasolina tomei três banhos seguidos e o cheiro do homem não saía do meu corpo. É pelo Lucas, é pelo Lucas, eu repetia o nome do meu filho para me sentir melhor.

Não tive opção. Quando os primos com quem eu morava se mudaram da cidade, fui parar na casa de uma amiga que trabalhava na noite. Eu vivia de favor, o Lucas tinha 2 anos. Lembro-me do dia em que ele quebrou o pezinho. Fiquei três dias com a receita na mão sem poder comprar os remédios. No hospital público tinha fila pra fazer a cirurgia que ele precisava. De dia eu tinha que cuidar dele e não dava para trabalhar. Como ia ganhar dinheiro? Com 18 anos passei a freqüentar o posto de gasolina com a Leonice. Não dava mais pra fazer ela sustentar eu e o meu filho. Afinal, ela também tinha duas meninas para bancar.

Início difícil

O posto ficava em Imperatriz, uma cidade do Maranhão. Eu vim da roça para a cidade grande porque a minha mãe adotiva me expulsou de casa quando soube que eu estava grávida e o pai não ia assumir.

No início foi difícil. Eu não sabia me aproximar dos homens porque não bebia álcool nem fumava. Chegava deprimida em casa. Depois me acostumei e até fiz amizades. Graças a Deus, nunca fui agredida. Só teve uma vez que o cara não quis pagar. Me senti um lixo.

Logo, logo o povo ficou sabendo o que eu fazia. A filhinha da Leonice ouviu na escola que eu e a mãe éramos ‘raparigas’. A vizinhança olhava torto pra gente. Mas o importante é que o Lucas tinha tudo do bom e do melhor. Estudava em escolinha particular, comia e se vestia bem. Eu já não achava o pior dos mundos trabalhar na noite. Só me sentia vazia porque os clientes passavam e não tinha ninguém que me quisesse só para dar um abraço. Eu queria ser amada como qualquer mulher.

Conheci-o no posto

Foi no posto que conheci o homem que mudou a minha vida. Eu já tinha 21 anos, ele, 24. O Luciano era cabeludo, esquisito e caladão e na primeira vez que apareceu no posto ficou com a Selminha. Quando ela saiu da boléia, eu, que queria uns trocados, fui lá conversar com ele. “Não gosto de mulher de cabelo curto, menina.” “Mas eu só vim conversar com você”, eu disse. Deitei e comecei a provocá-lo. Ele mudou de idéia.

Quando saímos da boléia, já de madrugada, a Selminha estava fula da vida. Disse que eu tinha roubado o cliente dela. Perguntou quanto ele tinha me pagado, eu disse R$ 25. Aí ela ficou uma arara! O Luciano tinha dado R$ 15 pra ela. Quando ele viu a confusão, pegou dinheiro e colocou na mão da Selminha. Achei que ia apanhar naquele dia!

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