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Curso criado por psicóloga ensina mulheres a arrumar namorado. É polêmico!

Há dois anos trabalhando para unir corações solitários, Eliete Amélia de Medeiros criou a aula para ajudar suas clientes a serem mais magnéticas e atrair bons partidos. Será que vale a pena ou ser Amélia é coisa do século passado?

Por Redação M de Mulher Atualizado em 15 jan 2020, 22h54 - Publicado em 4 jun 2013, 21h00

Uma mulher magnética tem 70% a mais de chances de conseguir um relacionamento sério, segundo Eliete.
Foto: Getty Images

Encontrar um amor para a vida toda não é tarefa fácil. No Brasil, há cerca de 1,2 milhão a mais de mulheres do que de homens em uma faixa etária entre 20 e 45 anos. Em um cenário quase de guerra, algumas mulheres, entre 20 e 60 anos, estão dispostas a dar uma forcinha extra ao cupido. Elas dedicam mil reais e um sábado para aprender com a psicóloga Eliete Amélia de Medeiros como se tornar magnéticas – essa é a palavra que ela usa para denominar mulheres com alto poder de sedução. Uma vez magnética, o poder de se tornar ímã de partidões está 70% garantido. O dado é calculado por ela mesma, que fundou a empresa Eclipse Love há dois anos para unir corações solitários. O foco é o público executivo e financeiramente ativo. “As pessoas nos procuram não por dificuldade de se relacionar, mas sim de encontrar candidatos para um namoro sério”, explica Eliete, que se intitula a primeira “heart-hunter” do Brasil.

O curioso é que os métodos da profissional esbarram em regras e métodos considerados, aqui em 2013, discurso pra lá de machista, feito aquele que se lia em revistas femininas da década de 50. “Vestidos curtos e justos passam uma mensagem equivocada: os homens as veem como peguetes para uma noite só”, é um de seus ensinamentos. Ficou chocada? “As mulheres estão se expressando de maneira errada”, continua Eliete, para o horror das feministas do século 21. Ela se defende: “Não crio Amélias que vivem de maneira submissa, só ajudo-as a resgatar uma feminilidade perdida, que ajuda a segurar um relacionamento”.

Parece pouco coerente com o mundo contemporâneo no qual mulheres ganharam seu espaço no mercado de trabalho e independência sobre seus narizes? Sim, e é. Mas o curso tem seu público. Formado principalmente por alunas independentes e senhoras de si que querem conquistar homens “tradicionais” (“Eles não são conservadores, apenas querem alguém que corresponda às expectativas de um relacionamento sério”, analisa Eliete), elas ouvem dicas sobre como estar sempre maquiadas e ser pontual. Tudo, claro, recai sobre um bom senso, que Eliete apimenta com alguns exemplos de clientes que já passaram pela empresa. “Certa vez, uma mulher deixou seu pretendente esperando na rua em uma Mercedes. Ele não gostou por questões de segurança. O relacionamento azedou na hora”, lembra a psicóloga.

// Confira aqui as dez lições ensinadas no curso

Em um bate-papo animado – Eliete não se deixa abalar por nenhum argumento -, ela contou o que funciona visualmente para os homens (“ficar de perninhas fechadas é delicado”) e negou que seja machista. Ainda que também não se diga feminista.

O objetivo do curso é elevar a autoconfiança das alunas ou criar mulherzinhas delicadas com um estereótipo para agradar os homens?

Somos abertos a solteiras e casadas, que querem resgatar o poder de atração. Não é uma questão de autoestima, mas sim de feminilidade. As mulheres foram perdendo essa característica e adquirindo, com o tempo, uma forma masculina de pensar e agir. Mas isso não é necessariamente culpa delas, mas sim do mundo corporativo no qual estão inseridas.

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Mulheres que tomam a iniciativa, são espontâneas e têm personalidade forte assustam os homens? A ideia é mesmo deixá-los no comando?

Tudo depende da abordagem. É muito feio quem fala alto, não conhece a etiqueta. Há mulheres tímidas que são muito magnéticas, pelo jeito feminino de falar. Não precisam chamar atenção. E ainda existem os trejeitos, que já nascem com a gente e não devem ser deixados de lado, como mexer nos cabelos, e movimentar os pulsos e o quadril enquanto falamos. A mulherada anda muito petrificada!

Mulheres têm que passar essa ideia de heroína? Lindas, maquiadas e arrumadas 24 horas por dia?

Todo mundo sabe que isso é impossível. Mas minhas clientes são supervaidosas, sempre em forma e sem celulites. E não saem revelando que passam o fim de semana no SPA, elas querem passar a impressão de que nasceram assim.

Sexo na primeira noite, pode? A liberação sexual é mal vista pelos clientes que a procuram?

Todo mundo tem o direito de fazer o que quiser, basta não anunciar no megafone. Isso detona uma mulher, tanto entre os homens, quanto entre as mulheres. É preciso ter discrição, senão as pessoas comentam. Tenho muito cliente que procura candidatas pouco rodadas. Mas quando o casal já é íntimo, sou a favor daquela máxima, de que eles querem uma lady na rua e uma prostituta na cama.

Você ajuda as pessoas a encontrarem relacionamentos duradouros, mas você mesma é divorciada. Isso significa que não existe fórmula mágica?

Considero meu casamento um sucesso. Tive dois filhos e aprendi muito, mas, em um momento, decidimos seguir direções diferentes. Não acredito em relacionamentos eternos. Isso é muito difícil. Amor tem prazo de validade, sim.

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