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3 mulheres contam como e por que decidiram pedir os namorados em casamento

Quem sabe a história delas não serve de inspiração para você?

Por Ketlyn Araujo - Atualizado em 16 jan 2020, 10h59 - Publicado em 31 jul 2018, 00h25

Que o mundo é machista não é nenhuma novidade. Como você, mulher, deve saber bem (e sentir na pele todos os dias), por mais que determinados comportamentos estejam mudando a passinhos de formiga, a sociedade como um todo – mesmo que alguns países tenham ideias mais progressistas do que outros – ainda tem muito o que evoluir nesse aspecto.

E, quando falamos sobre machismo, estamos falando, também, sobre a construção da masculinidade. Para entender melhor, em resumo, já que o assunto rende horas de debate: sabe aquela noção, muitas vezes ensinada desde a infância, de que o homem tem de ser o provedor, o “macho alfa”, aquele que manda, desmanda e não divide as tarefas domésticas dentro de casa, porque isso não passa de “coisa de mulher”? Pois bem. Quando um menino é criado seguindo esses padrões, as chances dele crescer sendo um adulto abusivo, violento e cheio de preconceitos são as maiores – consequentemente, isso não afeta somente a ele, mas também às mulheres ao seu redor.

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Se você quiser notar alguns desses comportamentos que vêm da masculinidade construída sob padrões específicos, basta observar certos relacionamentos heterossexuais com um pouquinho de atenção. Em muitos deles ainda existe aquela antiga crença de que tomar determinadas atitudes – como fazer um simples pedido de casamento, por exemplo – é responsabilidade exclusiva do homem. Às mulheres, por sua vez, resta apenas esperar sentadas pela ação que, vamos combinar, muitas vezes nem chega a acontecer.

Mas é sobre atitude que queremos falar aqui. Ou melhor, sobre mulheres de atitude que, assim como os homens sempre fizeram ao longo da história, também se sentiram no direito de agir e expor seus desejos dentro do relacionamento – o que é extremamente normal, aceitável e deveria ser feito com muito mais frequência.

Hoje, queremos falar sobre três mulheres que mandaram o famoso “quer casar comigo?” aos respectivos boys, sem medo de julgamentos, e provando por a+b o quanto a quebra de padrões é necessária.

Laina Fasoli, designer

“Meu pedido foi bem simples, na verdade não envolveu nada tradicional, como anel de noivado. Eu e meu noivo nos conhecemos no nosso antigo trabalho, e nosso primeiro contato só aconteceu porque ele precisava carregar o celular. Eu era a única que tinha um cabo de iPhone, então emprestei o meu. Depois, ele me devolveu e agradeceu, e a partir desse momento eu senti meu coração balançar.

Toda vez que ele se declarava para mim, ele sempre falava: ‘Viu, amor, foi só emprestar seu cabo para mim, e agora estamos juntos!’. Ou, então: ‘Você imaginava que com aquele moço, para quem você emprestou o cabo, ia acontecer tudo isso?’.

Eu realmente não imaginava, mas a gente passou por muita coisa até chegar onde estamos. Hoje moramos juntos em um apartamento alugado, mas juntos, no ‘nosso’ canto. Quando nos mudamos, eu vi nele alguém com quem eu queria ficar durante a minha vida toda, e comecei a pensar em como dizer isso para ele.

Então, eu fiz um painel escrito ‘marry me’ [‘casa comigo?’, em inglês] com os cabos de iPhone, esperei ele chegar em casa, coloquei uma venda em seus olhos, disse que tinha uma surpresa, e o levei para o quarto onde o painel estava grudado. Aí, comecei a me declarar falando tudo o que sentia. No fim, pedi para ele tirar a venda, ele viu o painel e eu perguntei: ‘casa comigo?’. Ele assentiu com a cabeça e me abraçou, com os olhos cheios de lágrimas – eu já estava chorando de emoção (risos).

A Laina fez questão de compartilhar com a gente uma imagem do painel, que ela mesma montou Laina Fasoli/Arquivo pessoal

Se você sente no seu coração que é a coisa que você quer, faça! Não se trata de tempo, se trata de qualidade, de confiança, respeito, companheirismo e, sobretudo, amor. Então, não tem certo ou errado quando a gente sente no nosso coração que estamos felizes, sabe? Quem faz nosso caminho somos nós mesmas, não importam os rótulos ou cobranças por conta do gênero, o que importa é ser feliz com quem nos faz bem!”.

Quando Laina pediu o programador Celso Henrique em casamento, eles estavam juntos há pouco mais de um ano. A cerimônia oficial será em 2019.

Camila Separovic, consultora de vendas e atriz

“A gente estava há um ano juntos, e eu estou noiva dele há quatro meses. Estávamos no lugar que a gente mais gosta na cidade de São Paulo, que é a [avenida] Paulista, onde a gente quer morar um dia – porque já pensávamos nisso antes mesmo de eu fazer o pedido.

Eu escrevi uma carta, um poema para ele, e falei que queria que ele fechasse os olhos. Li o poema no meio da Paulista, falando sobre todas as coisas que a gente já tinha vivido. A gente faz basicamente todas as nossas coisas juntos: a gente trabalha junto, estuda junto, a gente está o tempo inteiro juntos – e a gente já passou por algumas dificuldades bem complicadas na vida.

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A nossa parceria é uma coisa absurda, então eu falei para ele sobre todas essas dificuldades e obstáculos que a gente já passou, e sobre o quanto ele era importante para mim, quanto a nossa vida era incrível estando um ao lado do outro. Falei que a gente se fortificava juntos, que a gente era infinito.

E aí, ele estava de olhos fechados, e eu perguntei: ‘você quer casar comigo?’ – e dei as alianças. Ele falou que sim, óbvio [risos], a reação dele foi incrível! A gente só começou o relacionamento quando já queríamos alguma coisa séria. Então, para ele, foi uma oficialização – mas isso já iria acontecer, de qualquer forma.

Camila e Leonardo, que não têm fotos do dia do pedido, mas mandaram essa, bem fofa! Camila Separovic/Arquivo pessoal

Decidi fazer o pedido porque acho que nós, mulheres, não temos que colaborar com a sociedade em que vivemos (na qual nós temos que esperar sermos pedidas em casamento). Então, o motivo pelo qual eu resolvi pedi-lo em casamento foi o simples fato de que eu gostaria de me casar com ele, e porque eu tenho que ter atitudes para modificar a sociedade com a qual a gente está tão acostumada a viver.

Acho que qualquer pessoa que esteja pensando em pedir a outra em casamento fica insegura, não tanto pela reação, mas é um momento muito importante. As mulheres têm que fazer o que elas têm vontade, sim. Elas não têm de esperar uma atitude de alguém porque querem ser surpreendidas, ou porque o pedido perfeito seria feito pelo homem. A gente torna ‘perfeito’ aquilo que a gente quer que seja ‘perfeito’, e tudo pode ser melhorado. Na verdade, nada vai ser extremamente perfeito, né, porque a gente está em constante evolução”.

Leonardo Drummond, noivo da Camila, assim como ela também é consultor de vendas e ator. Os dois já dividem grande parte da rotina juntos, mas a troca de alianças está marcada para abril de 2020.

Joana Treiber, professora de francês

“Eu decidi comprar as alianças. Estava na Irlanda, e lá existe uma tradição de sorte no casamento – eles chamam de ‘Irish luck’. Lá eles têm, também, muita ‘coisa’ com prata. Aí, eu vi umas alianças lindas, numa vitrine, e ele [o noivo] sempre quis usar aliança de compromisso, mas eu nunca liguei muito para essas coisas. Aí eu olhei e falei: ‘ah, quer saber?’ e comprei. A ideia inicial era dar para ele só uma aliança de compromisso mesmo – apesar de achar besteira, eu sabia que ele gostava.

Comprei as alianças, voltei uma semana depois para o Brasil e aí eu fiquei pensando, pensando e pensando: ‘a gente poderia aproveitar e se casar, ia ser legal’. Eu nunca liguei muito para casamento, ele sempre foi mais tradicional do que eu. Porém, eu comecei a gostar da ideia. Não sei se é a idade (eu fiz 35 anos agora), sei lá, eu achei que poderia ser interessante.

Voltei de viagem e chamei ele – acho que [o pedido] foi na minha casa mesmo, não me lembro. Foi no quarto, eu coloquei umas velinhas [para decorar] e dei as alianças para ele, de surpresa. Na hora, ele falou: ‘Eu quero, que boa ideia!’. E já foi colocando o anel no dedo – eu, por um milagre, acertei o tamanho dele. Não sei como eu consegui, mas ficou perfeito.

Ele gostou muito de tudo, para ele foi natural. Achou ótimo, adorou, foi engraçado. E ele me olhou e falou assim: ‘Você tem certeza? Olha lá, você vai se comprometer, mesmo?’ – como se eu não quisesse, né? [risos]. Nós estávamos juntos há uns oito para nove anos, por aí, e a gente vai se casar no dia em que vamos comemorar dez anos de namoro. Ele que escolheu a data, mais uma vez, sendo mais romântico do que eu, mas enfim.

Eu acho que essas coisas a gente simplesmente sabe – assim como em uma relação, quando dá certo ou não. Quando a gente já está feliz junto, já está bem, já está há algum tempo junto, a gente fatalmente já falou sobre casamento, então a gente sabe o que a pessoa pensa sobre isso. A coisa, quando dá certo, ela dá certo! E você sente, não sei explicar. Não é para ser complicado, é uma coisa muito simples, óbvia. Quando você quer aquilo e está com aquela pessoa, você conhece aquela pessoa e sabe o que ele quer ou não.

Minha dica, nessa situação, é não fazer ‘joguinho’, ser sempre sincera, falar o que a gente sente. Porque se a gente quer construir uma vida com alguém, não tem como fazer ‘joguinho’ no dia a dia, a gente tem que ser sempre verdadeiro, e isso vai ser melhor para nós, para a pessoa, para todo mundo. Ah! E sempre olhar para o outro, não fazer com ele o que a gente não gostaria que fizessem com a gente, isso é muito importante.

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Por exemplo, eu sou francesa e não ligava muito para casamento, por conta do meu país, da minha cultura… lá, realmente ninguém casa muito, eles não têm muito isso, é um país majoritariamente protestante e tal. Agora, que a gente vai casar, eu estou achando muito legal – não a festa, a comida, nada disso. Eu estou achando legal poder ver que todo mundo está se deslocando pela gente, todo mundo está ajudando a gente, é uma ocasião em que a gente se sente muito amado”.

A Joana e o advogado Ricardo Guida estão contanto os dias para o casório, que acontece ainda neste ano, em setembro.

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