“Sou uma noiva sem vestido”: o drama das vítimas do fechamento repentino do My Vintage Dress
Clientes relatam falta de comunicação e incerteza sobre a entrega de peças após fechamento inesperado do ateliê em São Paulo; caso é investigado pela polícia
“Sou uma noiva sem vestido”, diz Giulia Vaz, que tem casamento marcado para 9 de outubro. A menos de 30 dias da cerimônia, ela ainda não recebeu o vestido que havia havia contratado com a My Vintage Dress, ateliê de São Paulo que encerrou as atividades inesperadamente no último dia 31 de agosto.
Giulia e outras clientes foram surpreendidas pelo fechamento da loja e ficaram sem saber se receberiam os pedidos. Segundo a empresa, cerca de 300 encomendas ainda estavam em aberto no momento do encerramento, incluindo peças já pagas por noivas com casamentos próximos.
“Eu me senti muito mal. Inclusive, o sentimento é de luto mesmo. Eu sei que é só um ‘vestido de noiva’, mas é um vestido para uma das datas mais importantes na vida de uma pessoa que sonha em casar”, afirma Giulia. “Ele representa como eu quero ser lembrada daqui a 30 anos, quando eu olhar o meu álbum de casamento, como eu quero lembrar desse dia.”
Em nota, a My Vintage Dress afirmou que dificuldades no processo de produção comprometeram o andamento das encomendas e o cumprimento dos prazos. Segundo relatos de clientes, porém, a comunicação com a empresa foi interrompida. Muitas passaram a recorrer às redes sociais para tentar descobrir o que havia acontecido com os pedidos.
“Paguei já o meu vestido dos sonhos e não tenho. Não tenho condição financeira de desembolsar mais uma vez esse mesmo valor para pagar novamente”, afirma Giulia. Sem conseguir contato pelos canais da empresa, algumas noivas foram até a porta do ateliê. O caso repercutiu nas redes sociais.
“Sigo sendo uma noiva sem vestido”
Giulia soube que poderia ficar sem a peça através de um print de um grupo de WhatsApp de noivas. Ela estava no Rio de Janeiro quando recebeu a mensagem, que dizia que a loja supostamente estava falindo e havia demitido todos os funcionários naquela manhã.
O marido de Giulia e uma amiga foram até o ateliê para tentar localizar o vestido. Encontraram um dos modelos, mas a peça estava com a numeração errada. “Me deram como se fosse tamanho 42, mas era um 36 ou 38 no máximo.”
A retirada de seu vestido estava prevista para 24 de setembro. Até agora, no entanto, ela diz não ter recebido nenhum contato oficial da empresa. “Não sei ainda se eles vão entregar ou não, porque até agora, como eu disse, eu não tive nenhum contato oficial. Sigo sendo uma noiva sem vestido.”
Com a incerteza, Giulia passou a buscar alternativas para a cerimônia. “Mexeram muito com sonhos, não só meu, mas de muitas noivas.”
“Meu sonho do vestido dos sonhos foi arruinado”
Mari Sgarbosa também soube por uma amiga que poderia ficar sem o vestido. Com casamento marcado para novembro, ela conseguiu falar com Camila Rossi, proprietária do ateliê, e com uma costureira, mas voltou a ficar sem respostas. “Elas não estavam me dando nenhum retorno sobre o meu caso e sempre falando respostas bem genéricas, que estavam correndo, tentando entregar para todo mundo.”
A primeira prova do vestido estava marcada para 22 de agosto, mas foi remarcada para 5 de setembro. Com a proximidade do casamento, Mari enviou uma notificação extrajudicial solicitando o cancelamento do pedido. “Como o casamento está perto, não consegui esperar o retorno. Entrei em contato com o meu banco e consegui recuperar meu dinheiro”, afirma.
“Fiquei bem perdida, decepcionada e, mesmo agora recebendo meu dinheiro de volta, eu ainda estou sentindo que meu sonho do vestido dos sonhos foi arruinado.”
Polícia investiga o caso
A situação também chegou aos órgãos de defesa do consumidor e à polícia. A Polícia Civil de São Paulo abriu um inquérito para investigar a suspeita de estelionato. O Procon-SP também cobrou explicações da My Vintage Dress após receber reclamações de clientes. Segundo o órgão, a empresa foi formalmente comunicada, mas não respondeu às solicitações.
A proprietária do ateliê, Camila Rossi, apresentou uma versão para a crise. Em entrevista ao Fantástico, ela afirmou ter descoberto um desvio de recursos atribuído a uma funcionária. Com o impacto financeiro, decidiu suspender temporariamente as vendas, segundo ela, para concentrar os esforços da empresa na conclusão das encomendas já contratadas.
O montante envolvido ainda não foi determinado. Luiz Augusto D’Urso, advogado da My Vintage Dress, afirmou ao programa que uma análise preliminar aponta para um prejuízo de aproximadamente R$ 1 milhão, valor que ainda depende de perícia.
CLAUDIA procurou a My Vintage Dress para obter um posicionamento sobre o caso, mas não recebeu resposta até a publicação desta reportagem.
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