Como transformar lembranças de viagem em decoração: 8 ideias para criar ambientes com personalidade
Quando incorporados ao décor com intenção, souvenirs ajudam a construir ambientes únicos, que contam histórias e refletem a trajetória de quem mora ali
Quem nunca voltou de uma viagem com uma cerâmica artesanal, um pôster, um livro ou uma pequena lembrança sem saber exatamente onde colocá-la? Em vez de permanecerem esquecidos em caixas ou prateleiras, esses objetos podem assumir um papel importante na decoração, transformando a casa em um reflexo das experiências, memórias e referências de seus moradores.
Essa valorização do repertório pessoal acompanha uma das principais tendências da arquitetura e do design de interiores contemporâneos: criar ambientes menos padronizados e mais autênticos, onde cada elemento tenha um significado. Para o arquiteto boliviano Eduardo Baldelomar, conhecido por projetos que exploram memória, cultura e artesanato, a decoração deve ir além da estética.
“Quando cada elemento encontra o seu lugar, uma casa deixa de ser apenas bonita e passa a transmitir personalidade de verdade. O objeto não ocupa apenas uma prateleira vazia, mas entra como parte da identidade dos moradores. Por isso, passa a fazer parte da arquitetura.”
A seguir, veja como transformar lembranças de viagem em decoração de forma elegante, equilibrada e cheia de significado.
1) Monte uma galeria de quadros com mapas, fotografias e cartões-postais
Emoldurar mapas, gravuras, fotografias autorais, cartões-postais ou até ingressos de museus é uma maneira simples de criar uma composição personalizada.
Mais do que reunir imagens bonitas, a ideia é construir uma narrativa visual sobre os lugares visitados. Corredores, salas e home offices costumam ser os ambientes ideais para esse tipo de gallery wall.
2) Exponha cerâmicas e peças artesanais como protagonistas
Pratos pintados à mão, vasos, bowls e esculturas adquiridos em feiras locais podem deixar de ser apenas lembranças para ocupar lugar de destaque na decoração.
Em aparadores, nichos ou estantes, essas peças funcionam quase como pequenas obras de arte e ainda ajudam a trazer diferentes culturas para dentro de casa.
Segundo Baldelomar, materiais distintos podem conviver harmoniosamente quando fazem parte da mesma narrativa.
3) Agrupe objetos pelo significado — e não apenas pela estética
Em muitos projetos, a organização acontece por cor ou formato. Mas outra possibilidade é reunir objetos que contem uma mesma história.
As lembranças de uma viagem à Itália pode dividir espaço com livros sobre arquitetura italiana, fotografias do destino e uma garrafa de vinho especial. Da mesma forma, recordações de uma viagem ao Japão podem ser apresentadas juntas, criando um pequeno recorte cultural dentro da casa.
“Uma coleção de discos pode ser acompanhada por capas emolduradas, instrumentos musicais ou pequenas obras de arte relacionadas ao tema, por exemplo. Aos poucos, a decoração vai revelando os interesses, as lembranças e a trajetória de quem vive naquele lugar.”
4) Use livros de viagem para compor estantes e mesas de centro
Guias antigos, livros comprados em museus, publicações de fotografia e edições especiais também podem fazer parte da decoração. Eles funcionam como base para vasos, esculturas e luminárias, além de revelar interesses pessoais de forma espontânea. Quanto mais variados os títulos e as origens, mais rica tende a ficar a composição.
5) Transforme tecidos garimpados em novos elementos decorativos
Lenços, tapeçarias, mantas e tecidos típicos adquiridos durante viagens podem ganhar novas funções. Eles podem virar capas de almofadas, revestir uma cabeceira, funcionar como painel têxtil ou até ser emoldurados quando possuem estampas ou bordados especiais. Além de acrescentarem textura aos ambientes, essas peças carregam técnicas artesanais e tradições locais.
6) Equilibre a composição para criar um ambiente leve
Uma estante cheia de objetos nem sempre transmite sensação de excesso. A diferença está na maneira como eles são distribuídos. Segundo Eduardo Baldelomar, uma boa composição funciona quase como uma música, alternando momentos de destaque e áreas de respiro visual.
“A composição precisa ter ritmo e harmonia. Tal qual uma composição musical, os objetos precisam ser distribuídos de forma equilibrada, enquanto cores, texturas e materiais entregam uma sequência visual. Eu não tenho medo do excesso quando tudo faz parte da mesma narrativa.”
Na prática, isso significa deixar alguns espaços livres, variar alturas e misturar peças de diferentes dimensões para que o olhar percorra o ambiente naturalmente.
7) Crie um canto dedicado às memórias de viagem
Em vez de espalhar pequenas lembranças por toda a casa, vale reunir algumas delas em um único espaço. Fotografias impressas, ingressos, pequenos objetos, livros e souvenires podem ocupar uma prateleira estreita, um aparador ou um canto da estante, formando uma composição que funciona quase como um diário visual.
Além de organizar melhor os objetos, essa solução destaca as histórias por trás de cada peça.
8) Deixe a decoração evoluir junto com suas viagens
Nem toda composição precisa nascer pronta. Pelo contrário: ambientes mais autênticos costumam ser construídos ao longo dos anos, incorporando objetos adquiridos em diferentes momentos da vida. Baldelomar acredita que essa evolução faz parte da identidade da casa.
“Pode ser um livro recebido de presente, uma obra adquirida de um artista local ou a cerâmica comprada durante uma viagem. Aos poucos, a casa passa a registrar o tempo vivido por seus moradores, incorporando novas camadas de significado.”
Em vez de buscar uma decoração perfeitamente acabada, vale enxergar a casa como um espaço em constante transformação, onde cada nova viagem acrescenta mais um capítulo à história do morador.
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