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Dermato além da pele

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Dra. Chris Guarnieri é médica dermatologista formada pela Faculdade de Medicina da USP, com especialização em Dermatologia pelo Hospital das Clínicas. Com mais de 24 anos de experiência, é membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD) e da American Academy of Dermatology (AAD).

Ozempic face: por que o remédio emagrece rápido, mas envelhece o rosto?

Entenda o fenômeno que mexe com a firmeza da pele e saiba quais procedimentos evitam o envelhecimento precoce

Por Chris Guarnieri 4 jul 2026, 17h00
Mulher loira de meia-idade, com cabelo solto e liso, segura um espelho octogonal e se olha com expressão séria. Ela usa um top preto de alças finas, colar com pingente e brincos de diamante. Seus braços estão levantados, e ela usa pulseiras de contas nos pulsos. A imagem é vista por trás da mulher, focando no reflexo dela no espelho. O fundo é cinza escuro
Conhecido como "Ozempic face", o fenômeno está associado à perda acelerada de volume facial após o emagrecimento (Laimdota Karpinska/Unsplash)
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Ozempic face: por que o remédio emagrece rápido, mas envelhece o rosto? Priorizar nos meus resultados Google

Se você ainda não ouviu falar em “Ozempic face“, provavelmente vai ouvir em breve. O termo, criado por um dermatologista americano, batiza um fenômeno que tenho visto cada vez mais no consultório: rostos que emagreceram rápido demais e, com isso, “envelheceram” da noite para o dia.

Os agonistas do receptor de GLP-1 como semaglutida, liraglutida e tirzepatida revolucionaram o tratamento do diabetes e da obesidade. Mas, como toda mudança de peso drástica, eles deixam marcas visíveis na pele. E é aqui que a dermatologia entra em cena.

Por que esses medicamentos podem envelhecer o rosto?

Sharon Osbourne em duas fotos lado a lado, ambas com cabelo ruivo curto. Na esquerda, ela usa blazer branco e brincos prateados. Na direita, veste suéter branco e tem expressão mais tensa
À esquerda, Sharon Osbourne antes de usar Ozempic. e à direita, a apresentadora após a perda de peso associada ao medicamento (Getty Images/Getty Images)

A explicação não é só “perdeu gordura, sobrou pele”. A ciência mais recente mostra algo mais sofisticado: essas medicações agem diretamente sobre as células-tronco da gordura e os fibroblastos da derme.

O resultado é menos produção de colágeno, mais estresse oxidativo local e até queda na produção de estrogênio pela própria gordura da pele, um hormônio importante para a firmeza cutânea. Some isso à perda rápida de volume facial, e temos a equação perfeita para sulcos mais profundos, flacidez e uma pele que parece ter envelhecido anos em poucos meses.

Mas pouco se fala sobre os efeitos anti-inflamatório e imunomodulador desses medicamentos. Há evidências de melhora em quadros de psoríase e até de cicatrização de feridas mais eficiente. Ou seja, a mesma molécula que “esvazia” o rosto pode, em outro contexto, acalmar uma pele inflamada.

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Por outro lado, vale ficar atenta a reações no local da injeção, urticária e, em alguns casos, queda de cabelo geralmente transitória.

Como prevenir e tratar o “Ozempic face”?

Uma mulher deitada com touca descartável recebe tratamento facial com aparelho estético, aplicado por mãos com luvas azuis na testa
Tecnologias de bioestimulação cutânea podem ser indicadas durante o tratamento com medicamentos de GLP-1 (Look Studio/Unsplash)

É exatamente por isso que defendo um acompanhamento dermatológico paralelo a qualquer tratamento com GLP-1, e não depois que o “estrago” já apareceu.

Na prática, isso significa bioestimular o colágeno facial e corporal (com ácido poli-L-lático ou hidroxiapatita de cálcio), preencher com ácido hialurônico para repor o volume perdido em áreas estratégicas, aplicar tecnologias de bioestimulação cutânea como radiofrequência, ultrassom microfocado e lasers para reorganizar a pele e orientar tratamentos focados em melhoria da barreira cutânea e antioxidantes, já que o estresse oxidativo é parte do mecanismo.

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Como sempre digo às minhas pacientes: pele bonita não nasce de procedimento isolado. Emagrecimento rápido, por mais “tecnológico” que seja o remédio, é um estresse para o corpo todo e a pele, sendo o órgão mais conectado à nossa fisiologia e à nossa mente, é a primeira a contar essa história.

Sono de qualidade, alimentação que sustente a síntese de colágeno, controle do estresse e acompanhamento médico integrado fazem toda a diferença entre um emagrecimento que rejuvenesce a saúde, mas envelhece o rosto, e um emagrecimento equilibrado, em que corpo e pele evoluem juntos.

Se você está usando ou pensando em usar um GLP-1, vale fazer dessa conversa parte do seu check-up. Antes que o espelho avise primeiro!

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