O segredo do final de The Bear, segundo Abby Elliott
Abby Elliott fala à CLAUDIA sobre o adeus à série e como a temporada final faz da confiança o primeiro passo para romper ciclos familiares
Depois de quatro temporadas em que o caos definiu a rotina da família Berzatto, The Bear escolhe encerrar sua história apostando justamente no oposto: confiança.
A despedida da série não elimina os traumas que moldaram Carmy, Sugar, Richie e Donna. Em vez disso, mostra personagens que finalmente entendem que seguir em frente depende menos de apagar o passado do que de impedir que ele continue determinando o futuro.
Essa transformação atravessa praticamente todos os arcos da temporada. Carmy aprende a dividir responsabilidades. Richie encontra seu lugar dentro do restaurante. Donna tenta reconstruir uma relação que parecia perdida. E Natalie “Sugar” Berzatto enfrenta talvez seu maior desafio: confiar a filha justamente à mulher cuja instabilidade emocional marcou sua infância.
“Eu acho que todos estão quebrando esse ciclo juntos”, afirma a atriz Abby Elliott em entrevista à CLAUDIA. “O Carmy está quebrando o ciclo. A Donna está quebrando o ciclo. O Richie também.”
Segundo Abby, a confiança é o verdadeiro coração da temporada. “A confiança é fundamental porque, pela primeira vez, o trabalho em equipe ocupa o centro da história. Eles precisam confiar na família que escolheram dentro daquele restaurante para fazer tudo funcionar.”
Essa mudança também passa por Carmy. Depois de anos tentando controlar tudo — da cozinha às pessoas ao seu redor — ele finalmente aprende a compartilhar responsabilidades. “O Carmy entrega o restaurante a eles de forma muito generosa e continua fazendo parte da equipe. Existe uma catarse para todos esses personagens porque eles finalmente aprendem a aceitar apoio e a se apoiar uns nos outros.”
Para Abby, esse também é o momento em que os Berzatto chegam mais perto da felicidade, embora ela nunca venha sem esforço. “Eles vivem o momento de maior paz que já experimentaram. No caso da Sugar, sempre vai existir uma voz na cabeça dela impedindo que ela abra mão totalmente do controle. Mas existe vontade de mudar. Existe o esforço para tentar. E isso é o mais importante.”
Vida e ficção
A história de Natalie acabou se cruzando com a da própria atriz. Durante as gravações, Abby Elliott também se tornou mãe, experiência que influenciou diretamente sua construção da personagem.
“Muitas conversas que tive com o Chris Storer [showrunner de The Bear] acabaram sendo incorporadas ao roteiro porque coincidiam com o que eu estava vivendo. “Ela lembra da dificuldade de deixar a filha pela primeira vez com uma babá e de como esse sentimento encontrou eco na jornada de Natalie.“Você pensa imediatamente: ‘Posso ligar para a minha mãe? O que isso significa?'”
Por isso, a decisão de Natalie de confiar o bebê a Donna se tornou uma das cenas mais importantes da temporada. “Ela fica esperando que alguma coisa dê errado, esperando que o outro sapato caia. Mas isso não acontece. Ela percebe que essa já não é mais a Donna de antes.”
Abby admite que continua vivendo dilemas muito parecidos com os da personagem. “Também me identifico com a sensação de estar sendo puxada para um milhão de direções diferentes e questionar diariamente minhas escolhas profissionais. ‘Será que eu deveria estar fazendo isso? Não deveria estar em casa com o meu bebê?’ Acho que esse é um sentimento universal para qualquer mãe que trabalha.”
Aprendizados com Jamie Lee Curtis
Grande parte da força emocional dessa trajetória nasce da parceria com Jamie Lee Curtis, intérprete de Donna. Abby diz que a vencedora do Oscar se tornou uma referência dentro e fora do set.“Ela me ensina a ser uma atriz melhor apenas observando seu trabalho. Mas também me ensina a ser uma pessoa melhor. Ela ocupa espaço sem pedir desculpas por isso.”
Segundo a atriz, essa talvez seja justamente a maior lição que Natalie ainda precisa aprender.“Acho que ela poderia ocupar um pouco mais de espaço e parar de se desculpar por existir.”
Apesar da história marcada por mágoas, Abby prefere imaginar um futuro mais leve para mãe e filha. “Gosto de pensar que, depois de tudo, elas simplesmente consigam sentar juntas para comer, ouvir música, dançar e aproveitar a companhia uma da outra.”
Ao se despedir da série, a atriz diz que sentirá falta não apenas da personagem, mas da forma como ela acompanhou sua própria vida durante cinco anos. “Vou sentir falta de aprender com ela e de crescer ao lado dela. Toda vez que os roteiros chegavam era como uma manhã de Natal. Vou sentir falta do elenco, da equipe e de todas as experiências que vivemos juntos. Acima de tudo, sinto uma enorme gratidão.”
A temporada final de The Bear já está disponível no Disney+. Segue intensa, emocionante e, sim, imprevisível. Mas, desta vez, deixa uma sensação diferente: a de que sobreviver nunca foi suficiente. Era preciso aprender a confiar. E, quando chegar a hora do último “Yes, Chef!”, vai ser difícil não sentir saudade.
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