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A pele é a primeira a avisar: 4 sinais de que seus hormônios começaram a mudar

Entenda por que as mudanças hormonais começam na perimenopausa e como identificá-las antes da menopausa

Por Chris Guarnieri 20 jun 2026, 10h00
Mulher loira com cabelo ondulado, usando regata branca, aplicando produto de uma embalagem com pump em seu rosto com um algodão, sorrindo levemente para a câmera
A pele ressecada é uma das queixas mais comuns da menopausa, mas a explicação para essa mudança pode começar antes mesmo da queda do estrogênio (Crystal Weed/Unsplash)
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Começo com uma pergunta que costumo fazer nas minhas consultas: “As mudanças hormonais na pele só aparecem na menopausa?” A maioria das mulheres responde que sim. E a maioria está errada.

Essas mudanças começam quatro a oito anos antes, silenciosamente, enquanto a vida segue normal, os ciclos ainda existem e a última menstruação está longe de acontecer. A menopausa tem uma definição técnica precisa: 12 meses consecutivos sem menstruar. Mas o corpo feminino não chega até lá de repente. Ele se prepara. E a pele é uma das primeiras a avisar

Por que a pele resseca antes de qualquer outra coisa

Mulher jovem com cabelo molhado e curto, olhos fechados, rosto com sardas e pele bronzeada, iluminada por um feixe de luz solar diagonal em um fundo branco e cinza
Com a redução da produção natural de sebo, a pele pode demandar fórmulas mais nutritivas e hidratantes (Fleur Kaan/Unsplash)

Aqui tem uma informação que surpreende muitas das minhas pacientes: o primeiro hormônio a cair na perimenopausa não é o estrogênio. É a progesterona. E ela é responsável pela produção de sebo, aquela oleosidade natural que, quando equilibrada, protege e hidrata a pele. Com menos progesterona, a pele começa a ressecar de um jeito diferente, que a hidratante de sempre não resolve mais.

Depois vem o estrogênio, que tem um papel enorme: estimula a produção de colágeno, elastina e ácido hialurônico, e ainda ativa os fibroblastos da derme, aquelas células que literalmente sustentam a arquitetura da pele. Sem estrogênio, a barreira cutânea fica comprometida: perde ceramidas, não retém água como antes, fica mais permeável e sensível.

E tem mais um personagem nessa história que pouca gente conhece: a ocitocina, o mesmo hormônio do afeto e da amamentação, que ajuda a pele a reter água na derme. Ela também cai. É por isso que a pele de uma grávida tem aquele brilho úmido característico. Na perimenopausa, ela vai embora junto com os outros.

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Para completar, o cortisol, hormônio do estresse também sobe nessa fase. E a ocitocina era exatamente o que bloqueava o efeito do cortisol na pele. Sem esse escudo, a inflamação e a vermelhidão aumentam. Daí a rosácea que aparece do nada, a pele que fica mais reativa, o flushing que ninguém entende.

O que as mulheres sentem — e o que elas fazem

Mulher negra de cabelo crespo curto, de costas, olhando seu reflexo em um espelho redondo de madeira. Ela toca o rosto com as duas mãos, que têm unhas longas e claras, enquanto se olha no espelho. O fundo é uma parede branca
O ressecamento da pele é uma das mudanças mais comuns relatadas por mulheres durante a menopausa. (Curology/Unsplash)

Em uma pesquisa global com mais de 4.300 mulheres, a maioria entre 45 e 49 anos, justamente a faixa da perimenopausa, e os resultados foram reveladores. A queixa número um das mulheres nessa fase? Ressecamento. (Nas que já estavam na menopausa estabelecida, vinham as rugas e a flacidez.)

Mas o dado que mais me tocou foi outro: essas mulheres relataram se sentir menos atraentes, menos confiantes, mais ansiosas e com humor mais baixo por causa das mudanças na pele. A pele afeta como nos sentimos por dentro. 

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E o que elas estavam fazendo a respeito? Muitas recorriam a suplementos alimentares mais do que a qualquer cuidado específico com a pele. Apenas 15% buscaram procedimentos estéticos. Mesmo assim, quando perguntadas sobre o que trouxe mais satisfação entre todas as intervenções, os procedimentos estéticos lideraram acima até da terapia hormonal.

O que você pode fazer agora

Mulher negra sorridente, com toalha branca na cabeça e roupão, aplica creme facial no rosto enquanto se olha no espelho, segurando um pote de creme com a mão esquerda
As transformações da perimenopausa podem surgir de forma gradual, inclusive alterando a textura natural da pele (Kaeme/Unsplash)

É bom saber que existe muito espaço de atuação e que começar cedo faz diferença. Não espere a menopausa para prestar atenção nesses sinais. Se a sua pele começou a ressecar de forma diferente, se apareceu uma acne que não tinha antes, se os cabelos ficaram mais finos ou se a pele está mais vermelha e reativa sem explicação aparente, vale conversar com sua dermatologista sobre onde você está nessa transição hormonal.

A abordagem mais eficaz é aquela que olha para o todo: cosméticos que fortalecem a barreira, tratamentos que estimulam o colágeno, e, quando pertinente, uma conversa com ginecologista sobre sua saúde hormonal. Um cuidado personalizado para o momento específico que você está vivendo.

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A sua pele é um espelho muito mais sofisticado do que parece. Ela fala antes. Vale muito a pena aprender a ouvi-la.

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