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Casa minimalista com arte e aço corten prova que menos pode ser mais acolhedor

Aline Guella, diretora criativa da LINI, parte de uma base minimalista para construir um espaço marcado por uma forte presença arquitetônica

Por Marina Marques Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 16 jun 2026, 08h00
Mulher de cabelos loiros, camisa branca e calça preta, sentada de pernas cruzadas em um sofá branco, segurando um chihuahua creme. Outro chihuahua marrom está deitado no sofá ao lado dela. Ao fundo, uma parede cinza texturizada e um abajur de madeira. Um tapete felpudo claro e uma mesa de centro com livros e objetos decorativos completam a cena
Em seu lar, Aline Guella, diretora criativa da LINI, parte de uma base minimalista para construir um espaço de uso intenso, marcado por encontros familiares, arte garimpada e forte presença arquitetônica (Wesley Diego Emes/CLAUDIA)
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A cena não corresponde exatamente à ideia clássica de uma casa minimalista. Entre os vãos amplos e abaixo de um generoso pé-direito, um gato e dois cachorrinhos atravessam os ambientes com familiaridade e, com frequência, a casa se abre para encontros barulhentos que reúnem uma família numerosa.

É nesse cotidiano alegre, longe da formalidade excessiva, que Aline Guella constrói o equilíbrio do espaço onde vive com o marido, o empresário Eduardo Faci, na região metropolitana de São Paulo.

Sala de estar moderna com sofá bege e almofadas brancas sobre tapete felpudo claro. Na parede cinza, um quadro colorido de procissão com figuras religiosas e personagens de desenho. À esquerda, luminária de chão com base de madeira. À direita, porta de correr escura e parede com revestimento de pedra rústica. Janelas altas no teto trazem luz natural.
Acima, o quadro em destaque é do italiano Angelo Accardi, que mescla cenários reais a personagens da cultura pop (Wesley Diego Emes/CLAUDIA)

“É uma casa viva”, ela define. “Aqui sempre vem muita gente. Almoçamos juntos, e no final de semana é lotado, quando a família se junta.” Apesar de morarem a dois, a dinâmica do espaço está longe de qualquer ideal de composição intocável: há muito movimento, circulação e rotina compartilhada.

“Tem bichos, tem gente, então não dá para ter tudo perfeitamente como a gente gostaria”, diz ela, que, apesar da fala, admite adorar o som de casa cheia.

Sala de jantar com mesa de madeira e tampo de vidro, cercada por cadeiras de madeira com assentos estofados claros e encostos de palha. Um lustre de galhos e flores brancas pende sobre a mesa, que tem uma tigela verde. Ao fundo, uma parede de pedra escura exibe um quadro abstrato em tons de cinza e amarelo, e um aparador com garrafas e objetos decorativos. Cortinas cinzas e uma janela com treliça geométrica completam o ambiente
Detalhes da sala de jantar da casa de Aline Guella (Wesley Diego Emes/CLAUDIA)

No amplo lar, predominam superfícies contínuas, tons neutros e uma escolha criteriosa de materiais. A sensação de respiro permeia toda a construção, com um mobiliário posicionado para deixar o espaço livre e a circulação fluida. O imóvel passou por uma reforma conduzida por Eduardo antes de se tornar o espaço que hoje compartilham.

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Ambiente interno com sala de estar e mesa de centro. À esquerda, poltrona preta, pufe, mesa de centro redonda com objetos decorativos e um telescópio azul. À direita, uma mesa de centro de madeira com livros de arte e moda, como Dior e Hermès, e objetos decorativos, incluindo uma caixa de ovos com um ovo quebrado
Na mesa de centro, a caixa de ovos é da @benuccigallery (Wesley Diego Emes/CLAUDIA)

Aos poucos, Aline foi inserindo um quadro aqui, outro ali, e construindo cantinhos que traduzem seu repertório.

“Gosto de uma base minimalista, com menos informação e uma paleta mais sóbria, porque isso me permite trabalhar melhor os pontos de cor na decoração. Prefiro trazer esses elementos nos detalhes, nos objetos, nos quadros — acho que assim o ambiente ganha mais personalidade e sem ficar carregado”, explica.

A fala se materializa nos contrastes sutis que percorrem os ambientes. Se por um lado predominam tons de off-white, cinza, marrom e materiais densos, por outro, pontos de cor surgem em todos os cômodos.

Nas paredes, quadros trazidos de viagens — muitos deles de artistas independentes — introduzem uma camada mais espontânea. “São mais irreverentes, coloridos”, comenta.

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Pintura abstrata em tons de cinza, preto e amarelo vibrante, com moldura dourada, ao lado de uma sala de jantar com mesa de madeira e cadeiras estofadas, sob um lustre floral de metal
Nas paredes, quadros trazidos de viagens — muitos deles de artistas independentes — introduzem uma camada mais espontânea (Wesley Diego Emes/CLAUDIA)

Neles estão personagens famosos, composições gráficas e intervenções urbanas que convivem com a base neutra da arquitetura. Na sala, chamam atenção obras do pintor italiano Angelo Accardi, conhecido por misturar a cultura pop a cenários urbanos realistas, além de pinturas adquiridas pelo casal em viagens, como peças garimpadas em feiras de rua em Madri, assinadas por artistas locais.

Esse acúmulo, no entanto, nunca corre o risco de se transformar em excesso. A própria moradora descreve o processo como algo em construção: “A decoração é como se fosse o styling da casa”, diz. “E eu estou aprendendo, me arriscando mais.” 

Ambiente interno e externo de uma casa. À esquerda, uma área gourmet com churrasqueira, bancada escura, armários marrons e uma mesa de jantar com tampo de vidro e cadeiras de madeira clara. À direita, um corredor externo com piso de madeira, parede de tijolos rústicos, teto vazado e um jardim vertical com plantas verdes em vasos, além de um sofá branco ao fundo
O revestimento das paredes é da linha Corten, da Castelatto — uma releitura em concreto do metal (Wesley Diego Emes/CLAUDIA)

A relação entre força e leveza também aparece na escolha dos materiais. O aço corten é um dos protagonistas do sobrado. Na área externa, surge em um revestimento vazado que filtra a luz e cria uma textura variável ao longo do dia, a depender do sol. Já nas portas, aparece em chapas espessas, que se impõem quase como esculturas.

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“Gosto muito desse material, ele traz uma força”, afirma. “Eu sento no sofá e fico olhando a casa, acho esse efeito da luz muito bonito.”

Mulher de cabelos loiros e ondulados, vestindo blusa preta e calça cinza, sentada em uma poltrona de madeira com estofado estampado. Ela está em um corredor com teto vazado de madeira, plantas verdes e um espelho grande ao lado esquerdo
O painel arquitetônico do teto é de aço corten, assim como as portas (Wesley Diego Emes/CLAUDIA)

Arquitetura que inspira

Essa forma de pensar o espaço ecoa diretamente no trabalho de Aline à frente da LINI, sua marca de roupas fundada em 2022 ao lado de Eduardo. “Ela começa de uma maneira totalmente despretensiosa”, conta.

O projeto surgiu de uma conversa informal, em um momento de transição de carreira, quando ela deixa o interior de São Paulo — onde atuava no setor de beleza — para se estabelecer na capital.

Mulher de cabelos castanhos claros, blusa preta de seda e calça cinza, em pé ao lado de uma mesa de vidro com cadeiras de palha, olhando para a direita. Ao fundo, cortinas cinzas e uma janela com detalhes geométricos em tons de cobre. Um lustre de metal e cristais pende do teto
Aline Guella é diretora criativa da LINI (Wesley Diego Emes/CLAUDIA)
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A mudança de trajetória aconteceu de forma orgânica, mas ganhou corpo com a entrada do marido no negócio. “Ele é o apoiador master”, declara. Com olhar estratégico e experiência empreendedora, Eduardo passa a conduzir o crescimento da marca, enquanto Aline assume a direção criativa. Hoje, a parceria se desdobra tanto no trabalho quanto na vida pessoal.

Na LINI, o processo criativo parte sempre de um tema. “Eu trago a inspiração, a gente estuda e vai construindo tudo com a equipe”, explica. As referências vêm do cotidiano, mas principalmente das viagens e até da linguagem arquitetônica. “Eu me inspiro muito na arquitetura, nessa ideia de estrutura, de simetria, de como as coisas se organizam. Isso influencia diretamente o desenho das peças.”

Mulher de cabelos loiros sentada descalça sobre um móvel escuro, sorrindo, em um ambiente decorado com quadros de arte pop e máscaras africanas
Na parede de quadros, o buquê de casamento foi desidratado e eternizado numa moldura. As artes são lembranças de viagens do casal (Wesley Diego Emes/CLAUDIA)

Ao longo do tempo, a marca encontrou na alfaiataria seu principal território. O caminho não foi planejado desde o início (a etiqueta chegou a explorar outras vertentes, como o beachwear), mas se consolidou a partir da afinidade da empresária com esse universo. “Eu me identifico com a alfaiataria, foi natural a gente se aprimorar nisso”, afirma.

Ainda assim, o interesse não está no clássico em si, mas na possibilidade de deslocá-lo. “Trazemos uma bossa. Gosto sempre de mostrar algo diferente, seja num aviamento, num recorte, um botão, alguma coisa que saia do básico.” O gesto sutil define a linguagem da marca: peças estruturadas, com intervenções pontuais que alteram a leitura sem comprometer a atemporalidade.

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A premissa se reflete nas coleções mais recentes, como a de inverno, intitulada Rebélia, em que a marca explora uma estética inspirada na atmosfera gótica, com tecidos estruturados, cores profundas e uma construção mais escultural das silhuetas.

“Buscamos desenvolver peças que acompanhem a mulher em diferentes momentos da vida, sem se esgotar em uma única temporada. A ideia é que ela tenha no guarda-roupa por muito tempo, que não seja algo datado”, define. Desde sua criação, a LINI vem ampliando a presença no mercado, vestindo nomes como Rebeca Andrade, Jade Picon, Erika Januza e Camilla de Lucas, além de reunir grandes modelos, como Isabeli Fontana, em seus desfiles autorais.

Quarto e banheiro luxuosos. No quarto, cama com cabeceira estofada marrom e três quadros coloridos. No banheiro, banheira branca, chuveiro dourado e janela com detalhes geométricos
Sóbrio, o quarto do casal ganha toques de cor com quadros trazidos de Madri, do artista Yonatan (Wesley Diego Emes/CLAUDIA)

Essa consistência também aparece na forma como a casa é vivida. A área externa, com piscina e forno de pizza, concentra os encontros mais animados, especialmente aos finais de semana, quando a casa se enche e o uso se expande para além da rotina.

“Aqui é meu canto. É onde a gente se renova, descansa, encontra a família”, afirma. Ao longo da semana, a dinâmica se recolhe, com a cozinha funcionando como ponto central. “Eu sou mais caseira, mas meu marido não. Ele gosta de movimento, não gosta de ficar em casa”, conta, bem-humorada.

Em meio à rotina acelerada, são poucos os momentos de pausa — mas, quando acontecem, ajudam a dimensionar o percurso. “São raros os momentos que tenho para refletir… hoje foi um deles. E me sinto muito feliz, realizada.”  

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