Violência contra a mulher: campanha quer popularizar o número 180 para denúncias e salvar vidas
Com alta de feminicídios no Brasil, iniciativa aposta em itens do dia a dia e apoio de celebridades para fixar o Ligue 180 na memória da população
Em um país com quatro feminicídios por dia, segundo o Mapa Nacional da Violência de Gênero, uma campanha busca enfrentar um entrave central: o desconhecimento do número 180, canal oficial de denúncia.
O Ligue 180, serviço gratuito do governo federal, funciona 24 horas por dia e oferece orientação, acolhimento e registro de denúncias de violência doméstica e de gênero. Apesar de ter alcançado cerca de 3 mil atendimentos diários em 2025, o número ainda não está suficientemente disseminado entre a população — o que pode atrasar ou até impedir denúncias.
É a partir dessa lacuna que surge a campanha Um.Oito.Zero., que transforma o número 180 em elemento visual cotidiano, estampado em camisetas, bonés e ecobags. Quanto mais as pessoas veem o número, maiores as chances de lembrá-lo em situações de risco.
“Nossa intenção é fazer com que o número 180 chegue a quem nunca ouviu falar dele“, afirma Amanda Monteiro, diretora da ONG Turma do Bem.
Segundo dados do governo federal, o Ligue 180 atingiu a marca de 3 mil atendimentos diários em 2025. O serviço existe desde 2005 e acumula milhões de atendimentos, mas o número em si, que precisa estar na ponta da língua no momento em que se testemunha uma violência, ainda não está gravado na cabeça da maioria das pessoas.
Por que o número 180 é essencial no combate à violência contra a mulher
O Ligue 180 é uma das principais portas de entrada para a rede de proteção às mulheres no Brasil. Por meio dele, é possível denunciar agressões, buscar orientação jurídica e acessar serviços especializados.
Especialistas apontam que muitas situações de violência começam com ameaças ou agressões psicológicas, que nem sempre são denunciadas. O acesso rápido ao canal pode ser decisivo para interromper esse ciclo antes que ele evolua para casos mais graves, como o feminicídio.
“Infelizmente, feminicídio é uma das palavras mais usadas e sentidas no país. Uma das formas de combater esse crime é fazer com que as primeiras ameaças se tornem denúncias, e o 180 existe para isso. Estamos transformando uma informação em movimento”, explica Irene Knoth, do Projeto 1000 Palavras.
Celebridades ajudam a divulgar o Ligue 180
A campanha também aposta no alcance de figuras públicas para ampliar a disseminação da informação. Participam nomes como Angélica, Maria Gadú, Mart’nália, Nanda Costa, Tatá Werneck, Claudia Werneck e Valéria Alencar.
Ao vestirem peças com o número 180, as celebridades ajudam a levar o tema da violência contra a mulher para além das estatísticas, inserindo-o no cotidiano e nas redes sociais, onde o engajamento pode potencializar o impacto da mensagem.
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