Skin Cycling: como adaptar sua rotina de skincare ao longo das fases do ciclo menstrual
Dermatologista explica como os hormônios afetam a pele ao longo da vida e quais alterações precisam de atenção
Todo mês, o corpo feminino ensaia uma coreografia diferente. Hormônios avançam e recuam, alterando processos que nem sempre são perceptíveis à primeira vista. A pele, porém, costuma entregar os sinais: um brilho diferente diante do espelho, uma sensibilidade inesperada ou aquela espinha que surge como quem segue um roteiro já conhecido.
Nos últimos anos, a relação entre o ciclo menstrual e a pele inspirou um movimento que ganhou as redes sociais: o chamado skin cycling. A proposta é simples: adaptar a rotina de skincare às diferentes fases do ciclo menstrual. Mas será que isso funciona? A seguir, a dermatologista Marina Palhano detalha como os hormônios atuam em cada fase e explica se é indicado seguir essa tendência.
Como os hormônios influenciam a pele ao longo do mês?
De acordo com a especialista, a pele responde diretamente às variações hormonais, especialmente às mudanças nos níveis de estrogênio e progesterona. “Na primeira metade do ciclo menstrual, quando o estrogênio está mais elevado, a pele costuma ficar mais hidratada, luminosa e com a barreira cutânea funcionando melhor. É aquela fase em que muitas mulheres sentem a pele mais saudável e uniforme”, explica.
Após a ovulação, porém, o cenário muda. A progesterona passa a predominar e pode estimular uma maior produção de oleosidade. Como consequência, é comum observar brilho excessivo e o aparecimento de acne.
Já nos dias que antecedem a menstruação, a queda dos hormônios pode deixar a pele mais sensível e reativa. Ressecamento, irritação, vermelhidão e acne estão entre as manifestações mais frequentes. “Essas mudanças são naturais e explicam por que, em determinados períodos, a pele parece mais equilibrada e, em outros, exige cuidados extras”, afirma a médica.
As alterações são iguais para todas as mulheres?
A influência dos hormônios sobre a pele muda ao longo da vida e varia conforme a faixa etária. Segundo a dermatologista, na adolescência, os hormônios androgênicos — que atuam na libido, na massa muscular, na densidade óssea, no humor e na energia — estimulam intensamente as glândulas sebáceas, responsáveis por lubrificar e proteger a pele, favorecendo a produção de oleosidade. Em outras palavras, a pele tende a ficar mais propensa ao aparecimento de cravos e espinhas, características bastante comuns nessa fase da vida. Além disso, como os ciclos menstruais ainda podem ser irregulares, nem sempre existe um padrão previsível para essas alterações.
Já nas mulheres adultas, as oscilações hormonais costumam seguir um ritmo regular. Segundo Marina, muitas conseguem identificar em qual fase do ciclo estão apenas observando o comportamento da própria pele.
A transição para a menopausa também traz mudanças importantes. Durante a perimenopausa — período que antecede a menopausa — os hormônios passam a oscilar de forma irregular. Nessa fase, algumas mulheres continuam enfrentando episódios de acne, enquanto outras começam a perceber ressecamento, perda de firmeza e aumento da sensibilidade cutânea.
Após a menopausa, a redução dos níveis de estrogênio tende a deixar a pele mais seca, fina e menos elástica, além de favorecer a perda de colágeno e a flacidez. “Por isso, embora a influência hormonal esteja presente em todas as idades, as queixas e as necessidades da pele são muito diferentes em cada fase da vida da mulher”, explica a doutora.
O “skin cycling hormonal” realmente funciona?
Apesar da popularidade do conceito, a médica destaca que ainda não existem evidências científicas que comprovem benefícios clínicos ao modificar a rotina de skincare conforme cada fase do ciclo menstrual. “Embora saibamos que os hormônios influenciam o comportamento da pele ao longo do ciclo menstrual, ainda não existem estudos que comprovem que mudar a rotina de skincare de acordo com cada fase do ciclo traga benefícios clínicos reais”, afirma.
De acordo com a especialista, as alterações observadas ao longo do mês costumam ser individuais e nem sempre justificam mudanças frequentes nos produtos utilizados. “O que observamos na prática é que a pele pode ficar mais hidratada e viçosa em determinados momentos do mês e mais oleosa ou propensa a espinhas em outros. Porém, essas alterações variam muito de mulher para mulher e, na maioria das vezes, não justificam mudanças frequentes nos produtos utilizados”, explica.
O que realmente vale a pena incluir na rotina?
A recomendação mais respaldada pela dermatologia é investir em uma rotina personalizada para o tipo de pele e para as necessidades individuais de cada pessoa. Entre os cuidados considerados essenciais está o uso diário de protetor solar.
“O primeiro deles é o uso diário de protetor solar, que continua sendo a medida mais importante para prevenir manchas, envelhecimento precoce e câncer de pele”, ressalta Marina.
A médica também destaca o papel de ativos como vitamina C e niacinamida, que ajudam a proteger a pele contra danos ambientais, melhorar a luminosidade e auxiliar no controle de manchas e vermelhidão. Já os retinóides, quando indicados por um especialista, continuam sendo considerados alguns dos ativos mais eficazes para o tratamento da acne, manchas e sinais do envelhecimento.
A rotina ideal muda mais com a idade do que com o ciclo
A dermatologista esclarece que as necessidades da pele costumam mudar mais em função da idade do que das fases do ciclo menstrual. Nas mulheres mais jovens, os cuidados geralmente estão voltados para a prevenção e o controle da oleosidade. A partir dos 40 anos, aumentam as preocupações relacionadas a manchas, textura e perda de firmeza. Após a menopausa, o foco costuma ser o combate ao ressecamento e à redução do colágeno.
Por isso, a especialista reforça que não existe uma rotina universal capaz de atender todas as mulheres. “Não existe uma rotina de skincare universal. A escolha dos produtos e dos ativos deve levar em consideração fatores como idade, tipo de pele, histórico de doenças dermatológicas, sensibilidade cutânea, uso de medicamentos e objetivos de tratamento”, conclui.
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