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Skin Cycling: como adaptar sua rotina de skincare ao longo das fases do ciclo menstrual

Dermatologista explica como os hormônios afetam a pele ao longo da vida e quais alterações precisam de atenção

Por Gabriel Bueno 7 jun 2026, 18h00
Quatro mulheres jovens, sorrindo e abraçadas em um jardim florido. A do centro olha para frente, as outras três sorriem com os olhos fechados ou para o lado. Elas vestem roupas claras e o fundo é de folhagens verdes e flores coloridas
Descubra o impacto dos hormônios na sua pele e a verdade sobre o 'skin cycling' (Pexels/Reprodução)
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Todo mês, o corpo feminino ensaia uma coreografia diferente. Hormônios avançam e recuam, alterando processos que nem sempre são perceptíveis à primeira vista. A pele, porém, costuma entregar os sinais: um brilho diferente diante do espelho, uma sensibilidade inesperada ou aquela espinha que surge como quem segue um roteiro já conhecido. 

Nos últimos anos, a relação entre o ciclo menstrual e a pele inspirou um movimento que ganhou as redes sociais: o chamado skin cycling. A proposta é simples: adaptar a rotina de skincare às diferentes fases do ciclo menstrual. Mas será que isso funciona? A seguir, a dermatologista Marina Palhano detalha como os hormônios atuam em cada fase e explica se é indicado seguir essa tendência. 

Como os hormônios influenciam a pele ao longo do mês?

Representação digital de neurônios, com um em destaque no centro, exibindo corpo celular rosa e dendritos azuis se estendendo em um fundo azul claro e desfocado, com outros neurônios menos nítidos ao redor
A superfície da pele funciona como o registro visível das alterações hormonais que ocorrem em nosso corpo. (MistyDay/Pinterest) (MistyDay/Pinterest)

De acordo com a especialista, a pele responde diretamente às variações hormonais, especialmente às mudanças nos níveis de estrogênio e progesterona. Na primeira metade do ciclo menstrual, quando o estrogênio está mais elevado, a pele costuma ficar mais hidratada, luminosa e com a barreira cutânea funcionando melhor. É aquela fase em que muitas mulheres sentem a pele mais saudável e uniforme”, explica.

Após a ovulação, porém, o cenário muda. A progesterona passa a predominar e pode estimular uma maior produção de oleosidade. Como consequência, é comum observar brilho excessivo e o aparecimento de acne.

Já nos dias que antecedem a menstruação, a queda dos hormônios pode deixar a pele mais sensível e reativa. Ressecamento, irritação, vermelhidão e acne estão entre as manifestações mais frequentes. “Essas mudanças são naturais e explicam por que, em determinados períodos, a pele parece mais equilibrada e, em outros, exige cuidados extras”, afirma a médica.

As alterações são iguais para todas as mulheres?

Cinco mulheres de diferentes etnias e idades, com maquiagem natural e tons de pele variados, posam juntas em um fundo claro, representando diversidade e beleza
A idade cronológica altera as nossas necessidades e dita respostas celulares únicas para cada pele. (Divulgação/Pinterest) (Divulgação/Pinterest)
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A influência dos hormônios sobre a pele muda ao longo da vida e varia conforme a faixa etária. Segundo a dermatologista, na adolescência, os hormônios androgênicos — que atuam na libido, na massa muscular, na densidade óssea, no humor e na energia — estimulam intensamente as glândulas sebáceas, responsáveis por lubrificar e proteger a pele, favorecendo a produção de oleosidade. Em outras palavras, a pele tende a ficar mais propensa ao aparecimento de cravos e espinhas, características bastante comuns nessa fase da vida. Além disso, como os ciclos menstruais ainda podem ser irregulares, nem sempre existe um padrão previsível para essas alterações.

nas mulheres adultas, as oscilações hormonais costumam seguir um ritmo regular. Segundo Marina, muitas conseguem identificar em qual fase do ciclo estão apenas observando o comportamento da própria pele.

A transição para a menopausa também traz mudanças importantes. Durante a perimenopausa — período que antecede a menopausa — os hormônios passam a oscilar de forma irregular. Nessa fase, algumas mulheres continuam enfrentando episódios de acne, enquanto outras começam a perceber ressecamento, perda de firmeza e aumento da sensibilidade cutânea.

Após a menopausa, a redução dos níveis de estrogênio tende a deixar a pele mais seca, fina e menos elástica, além de favorecer a perda de colágeno e a flacidez. “Por isso, embora a influência hormonal esteja presente em todas as idades, as queixas e as necessidades da pele são muito diferentes em cada fase da vida da mulher”, explica a doutora. 

O “skin cycling hormonal” realmente funciona?

Duas mulheres com creme branco no rosto. À esquerda, close-up do olho e bochecha de uma mulher com sardas. À direita, mulher sorrindo com os olhos fechados e creme na testa e bochechas
Mudar o arsenal de cosméticos a cada semana pode ser prejudicial à pele. (FreshBeauty/Pinterest)Fresh Beauty Co.Fresh Beauty Co.Fresh Beauty Co.Fresh Beauty Co. (Fresh Beauty Co./Pinterest)
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Apesar da popularidade do conceito, a médica destaca que ainda não existem evidências científicas que comprovem benefícios clínicos ao modificar a rotina de skincare conforme cada fase do ciclo menstrual. “Embora saibamos que os hormônios influenciam o comportamento da pele ao longo do ciclo menstrual, ainda não existem estudos que comprovem que mudar a rotina de skincare de acordo com cada fase do ciclo traga benefícios clínicos reais”, afirma.

De acordo com a especialista, as alterações observadas ao longo do mês costumam ser individuais e nem sempre justificam mudanças frequentes nos produtos utilizados. “O que observamos na prática é que a pele pode ficar mais hidratada e viçosa em determinados momentos do mês e mais oleosa ou propensa a espinhas em outros. Porém, essas alterações variam muito de mulher para mulher e, na maioria das vezes, não justificam mudanças frequentes nos produtos utilizados”, explica.

O que realmente vale a pena incluir na rotina?

Close-up de uma pessoa com pele morena e olhos fechados, recebendo aplicação de creme branco na pálpebra inferior por um dedo com unha pintada de nude
A eficácia real mora em ativos consolidados e na proteção diária, longe dos modismos efêmeros da internet. (Beautything/Pinterest) (beautything/Pinterest)

A recomendação mais respaldada pela dermatologia é investir em uma rotina personalizada para o tipo de pele e para as necessidades individuais de cada pessoa. Entre os cuidados considerados essenciais está o uso diário de protetor solar.

“O primeiro deles é o uso diário de protetor solar, que continua sendo a medida mais importante para prevenir manchas, envelhecimento precoce e câncer de pele”, ressalta Marina.

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A médica também destaca o papel de ativos como vitamina C e niacinamida, que ajudam a proteger a pele contra danos ambientais, melhorar a luminosidade e auxiliar no controle de manchas e vermelhidão. Já os retinóides, quando indicados por um especialista, continuam sendo considerados alguns dos ativos mais eficazes para o tratamento da acne, manchas e sinais do envelhecimento.

A rotina ideal muda mais com a idade do que com o ciclo

Três mulheres em diferentes momentos de cuidado com a pele: uma jovem negra sorrindo com toalha na cabeça aplicando creme no rosto, uma mulher idosa de cabelos grisalhos aplicando creme no espelho, e uma médica examinando a pele de um paciente
As transformações da pele acompanham o amadurecimento dos anos e não as pressas do calendário mensal. (The US Sun; Euda Alves Silva; Marina Palhão/Pinterest) (The US Sun; Euda Alves Silva; Marina Palhão/Pinterest)

A dermatologista esclarece que as necessidades da pele costumam mudar mais em função da idade do que das fases do ciclo menstrual. Nas mulheres mais jovens, os cuidados geralmente estão voltados para a prevenção e o controle da oleosidade. A partir dos 40 anos, aumentam as preocupações relacionadas a manchas, textura e perda de firmeza. Após a menopausa, o foco costuma ser o combate ao ressecamento e à redução do colágeno.

Por isso, a especialista reforça que não existe uma rotina universal capaz de atender todas as mulheres. “Não existe uma rotina de skincare universal. A escolha dos produtos e dos ativos deve levar em consideração fatores como idade, tipo de pele, histórico de doenças dermatológicas, sensibilidade cutânea, uso de medicamentos e objetivos de tratamento”, conclui.

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