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Ana Claudia Paixão

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A jornalista Ana Claudia Paixão (@anaclaudia.paixao21) fala de filmes, séries e histórias de Hollywood

O centenário de Marilyn Monroe: por que ainda somos obcecados por ela?

Nova exposição do Museu da Academia revisita Marilyn Monroe como atriz visionária, criadora da própria imagem e símbolo definitivo da mitologia de Hollywood

Por Ana Claudia Paixão 31 Maio 2026, 12h00
Exposição de moda com manequins exibindo vestidos de gala e figurinos de palco em vitrines iluminadas por luzes roxas e brancas, em um ambiente escuro de museu
Além do mito, a exposição revela fragmentos da vida de Norma Jeane, a mulher por trás de Hollywood (Divulgação/Divulgação)
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O centenário de Marilyn Monroe: por que ainda somos obcecados por ela? Priorizar nos meus resultados Google

Marilyn Monroe é certamente uma das maiores estrelas da história do cinema, mas talvez sua atemporalidade permita dizer algo ainda mais raro: que ela tenha se tornado a figura definitiva da própria mitologia de Hollywood.

Não se trata apenas de discutir talento, prêmios ou performances — embora sua carreira tenha sido frequentemente subestimada durante décadas —, mas de compreender a dimensão simbólica que Marilyn alcançou dentro da cultura popular.

Mais de 60 anos depois de sua morte, ela continua sendo um dos rostos mais reconhecíveis do planeta em qualquer geração, idioma ou país. Pouquíssimos artistas sobreviveram de forma tão absoluta às transformações do tempo, da indústria e até do próprio sistema de estúdios que os criou.

Talvez por isso seu centenário não pareça apenas uma celebração nostálgica, mas quase um reencontro inevitável com uma imagem que o imaginário popular nunca conseguiu abandonar completamente. E é justamente essa Marilyn — mais estratégica, inteligente e consciente da própria imagem — que a nova exposição Marilyn Monroe: Hollywood Icon, inaugurada pelo Museu da Academia em Los Angeles, tenta revisitar.

Pessoas em uma exposição de Marilyn Monroe, com cartazes de filmes na parede esquerda, um letreiro luminoso
Peças originais usadas por Marilyn Monroe estão entre os destaques da exposição do Museu da Academia, em Los Angeles (Divulgação/Divulgação)

Muito além da “loira burra”

Apesar dos inúmeros filmes, livros e documentários sobre sua curta vida de apenas 36 anos, Marilyn Monroe talvez continue sendo uma das figuras mais analisadas e, paradoxalmente, menos compreendidas da cultura pop.

A mostra propõe justamente olhar para além da caricatura da “loira burra” eternizada por parte de Hollywood para apresentar uma mulher que construiu, negociou e administrou cuidadosamente a própria persona dentro de um dos sistemas mais rígidos da história do cinema.

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A curadora assistente da exposição, Simran Bhalla, explicou que o objetivo do museu era reposicionar Marilyn a partir de sua contribuição real para a história do cinema.

“Mesmo dentro de um sistema hollywoodiano extremamente restritivo, Marilyn conseguiu abrir um caminho para si mesma e moldar a própria carreira”, afirmou.

Para Bhalla, revisitar sua trajetória em 2026 também significa desmontar alguns dos mitos que reduziram sua imagem pública durante décadas.

“A verdade era muito mais complexa. Ela trabalhou incrivelmente duro para construir a carreira que teve.”

Duas pessoas, um homem e uma mulher, observam uma parede branca repleta de fotografias emolduradas, a maioria retratos de Marilyn Monroe. O homem veste terno bege e a mulher, calça verde e blusa florida. O chão é cinza e o teto tem painéis acústicos.
Marilyn sabia que construir sua imagem dependia de uma rede de colaboradores (Divulgação/Divulgação)
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A mente de negócios por trás do ícone

A exposição reúne centenas de objetos originais, incluindo figurinos, contratos, fotografias, roteiros anotados, cartas, documentos de produção e materiais pessoais raramente vistos.

Entre os destaques estão peças usadas em Some Like It Hot (Quanto Mais Quente Melhor), o célebre vestido rosa de Gentlemen Prefer Blondes (Os Homens Preferem as Loiras) e figurinos de seu último filme inacabado, Something’s Got to Give.

Mas talvez o aspecto mais interessante da mostra esteja menos na nostalgia e mais na tentativa de reconstruir Marilyn como profissional da indústria.

Bhalla destaca, por exemplo, a criação da Marilyn Monroe Productions em 1956, algo extremamente raro para uma atriz da época.

“Ela sabia que a única forma de defender a si mesma era construir essa imagem icônica ao lado de fotógrafos, figurinistas, maquiadores e outros colaboradores”, explicou.

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A exposição apresenta inclusive contratos originais, sua cadeira de diretora e materiais ligados à produtora fundada ao lado do fotógrafo Milton Greene.

Existe algo particularmente fascinante na maneira como Marilyn compreendia a própria imagem muito antes da cultura contemporânea das celebridades e das redes sociais. Sua relação obsessiva com fotografia, iluminação, maquiagem e enquadramento ajudou a transformar seu rosto em uma das imagens mais reproduzidas do século 20.

E talvez seja justamente isso que explique por que cada nova geração continua descobrindo Marilyn quase como se ela nunca tivesse pertencido completamente ao passado.

“Todo mundo reconhece o rosto de Marilyn Monroe”, observou Bhalla. “A imagem dela circula tanto na cultura pop que queríamos mergulhar em como ela construiu algo tão consistente, reconhecível e icônico.”

Ao mesmo tempo, a curadora acredita que muitos conhecem a imagem sem realmente conhecer os filmes. “Talvez tenham visto um ou dois, mas há muito a se apreciar em sua carreira cinematográfica.”

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Essa dualidade sempre perseguiu Marilyn. Ela passou a vida tentando ser levada a sério enquanto Hollywood insistia em aprisioná-la dentro da fantasia sexual que ajudou a criar. E talvez uma das partes mais interessantes da entrevista seja justamente quando Bhalla rejeita a ideia de que essas duas dimensões sejam incompatíveis.

“Ela era uma atriz séria e talentosa, mas também era um símbolo sexual e abraçava sua sexualidade”, disse.

“Hoje conseguimos perceber que ela era extremamente inteligente na forma como administrava sua imagem como sex symbol e, ao mesmo tempo, aspirava ser levada a sério como atriz.”

Cadeira de diretor de madeira clara com assento e encosto de lona bege, onde se lê
A atriz em cena: por trás da imagem icônica (Divulgação/Divulgação)

Luzes, sombras e os segredos de Brentwood

A exposição também mergulha em fragmentos mais íntimos da vida de Marilyn. Há objetos de infância, referências às atrizes que idolatrava — como Jean Harlow, Marlene Dietrich e Bette Davis —, além de seções dedicadas à turnê pela Coreia, à lua de mel no Japão com Joe DiMaggio e à sua última entrevista para a revista Life.

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Em uma das instalações, o visitante ouve trechos do áudio dessa entrevista enquanto observa objetos de sua casa em Brentwood, a única residência que Marilyn comprou e decorou sozinha pouco antes de morrer.

No fim, talvez exista algo inevitavelmente melancólico em qualquer tentativa de reconstruir Marilyn Monroe. Quanto mais se descobre sobre ela, mais parece existir uma distância impossível entre Norma Jeane e o mito que Hollywood transformou em eternidade.

A própria Bhalla reconhece isso. “Nunca é possível conhecer completamente uma figura como Marilyn Monroe”, admite.

Ainda assim, depois de mergulhar profundamente nos arquivos da atriz, a curadora diz ter saído da experiência com algo muito diferente da caricatura que atravessou décadas de exploração midiática. “Agora tenho muita admiração por ela.”

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