“Quem Ama Cuida”: equipe conta detalhes do figurino e maquiagem
Decisões artísticas já puderam ser vistas na primeira semana da nova novela das 9
Após uma semana no ar, o público de “Quem Ama Cuida“, atual novela das 9, pode ver na tela quais escolhas a equipe de figurino e maquiagem fez para as personagens para deixar claro os contrastes sociais que permeiam a trama.
Flávia Costa, que assina o figurino da história com Mari Sued, conta que a busca foi por um “cheiro” de referências de anos 1990, mas atualizadas. “Roupas de casa”, de malhar, pedalar ou descansar ganham protagonismo ao longo das cenas.
“Usamos muito isso para dar organicidade às cenas. A gente vê os personagens desmontados, em estados diferentes, não só prontos para o mundo. Isso aproxima o público e movimenta a cena. Na casa de Pilar (Isabel Teixeira), por exemplo, ela e os filhos andam de pijama, a filha Ingrid (Agatha Moreira) aparece com roupa de academia”, conta.
A protagonista Adriana (Leticia Colin), que passa por vários perrengues desde o primeiro capítulo, costuma estar com pelo menos uma peça em tom de vermelho ou vinho servindo de “farol dramático” para sua identidade visual de “mulher prática, urbana, que circula pela cidade usando jeans, botas e sobreposições, em um figurino pensado para o deslocamento e para a ação”, de acordo com material divulgado pela Globo.
Já a vilã Pilar (Isabel Teixeira) abraça o exagero com animal print em múltiplas variações, volumes amplos, capas e sobreposições nesta primeira fase de “Quem Ama Cuida”, evocando um imaginário oitocentista e Kitsch, com referências diretas ao melodrama clássico. Cores, silhuetas e texturas variam conforme códigos de status, pertencimento e transformação de cada núcleo.
“Quando uma personagem ganha dinheiro, esses signos aparecem. Nem sempre como bom gosto, mas como vontade de performar um lugar social novo. Arthur Brandão (Antônio Fagundes), por exemplo, representa o arquétipo do ‘rico antigo’. Seu figurino aposta na sobriedade como código de status: alfaiataria precisa, cortes limpos e uma paleta contida, com referências a uma elegância de inspiração inglesa. O destaque simbólico é o anel com o brasão da família Brandão, criado especialmente para a novela e usado ao longo de toda a narrativa”, conta Flávia.
Haverá um salto de 6 anos depois que Adriana for presa. Para não realizar grandes mudanças nem prejudicar o ritmo das gravações, o caracterizador Marcelo Dias recorreu a laces e alongamentos. “Seis anos não mudam todo mundo. Alguns seguem praticamente iguais. Em outros, a passagem aparece no detalhe: no comprimento do cabelo, numa barba diferente, num acabamento mais cuidado”, explica.
Personagens como Fábia (Flávia Alessandra), que tem uma boca protuberante, parecem ter passado por intervenções estéticas, mas o trabalho é realizado pela equipe de maquiagem. “É tudo feito no pincel, cena a cena. Mais do que marcar estilos, essas escolhas ajudam o público a perceber o tempo, o pertencimento e as transformações individuais”, complementa o caracterizador.
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