Empreendedorismo na moda: Isa Silva e Paula Torres falam sobre representatividade na Casa Clã Finanças
Em painel mediado por Lorraine Moreira, Isa Silva e Paula Torres refletiram sobre liderança feminina e os desafios de ocupar espaços de decisão na moda
A moda movimenta desejos, tendências e bilhões de reais todos os anos. Ainda assim, mesmo com mulheres representando grande parte do consumo e da força de trabalho do setor, elas seguem sub-representadas nos cargos de liderança. Foi justamente sobre esse contraste —e sobre as transformações possíveis — que Isa Silva e Paula Torres conversaram durante o painel sobre empreendedorismo feminino na Casa Clã Finanças, com mediação de Lorraine Moreira.
Ao longo da mesa, as empresárias compartilharam experiências pessoais sobre construção de marca, gestão de equipes, propósito e permanência no mercado sem abrir mão da própria essência.
“Manter a essência” como estratégia de negócio
Fundadora da marca que leva seu nome, Paula Torres falou sobre os desafios de crescer sem perder identidade. Segundo ela, preservar a essência da empresa foi uma preocupação constante desde o início da trajetória.
“Há 15 anos, meu maior objetivo é manter a essência da marca. Hoje, somos 250 colaboradoras — e a maioria das mulheres que costuram, cortam e constroem a Paula Torres também são mulheres. Isso me orgulha muito”, afirmou.
A empresária também comentou sobre a dificuldade de delegar funções no processo de expansão da empresa — algo que, segundo ela, se tornou indispensável para o crescimento sustentável do negócio.
“Aprendi que delegar é essencial para uma empresa crescer. Quando a cultura e a essência estão bem definidas, tudo flui”, disse.
Mulheres ainda enfrentam barreiras na liderança da moda
Durante a conversa, Isa Silva chamou atenção para a desigualdade estrutural ainda presente no setor fashion. Para ela, existe um descompasso entre quem consome moda e quem ocupa os espaços de comando dentro da indústria.
“Na moda, a maioria do mercado é formada por mulheres, mas ainda vemos muitos homens no comando criando roupas para nós”, refletiu.
A estilista também trouxe um relato pessoal sobre representatividade e pertencimento. Mulher negra trans e empreendedora, Isa falou sobre o impacto simbólico de construir um negócio em um espaço historicamente pouco acessível para pessoas com trajetórias semelhantes à sua.
“Sou uma mulher negra trans que saiu de Salvador para abrir uma empresa. Ainda estamos criando espaços que nunca existiram para nós. Somos o sonho das nossas mães e avós”, afirmou.
Empreender também é construir legado
A conversa reforçou como o empreendedorismo feminino pode funcionar como ferramenta de transformação social, autonomia financeira e criação de novos imaginários para futuras gerações.
Casa Clã Finanças é uma realização de CLAUDIA com patrocínio de BTG Pactual e parceria Casa Bontempo.
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