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Ana Claudia Paixão

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A jornalista Ana Claudia Paixão (@anaclaudia.paixao21) fala de filmes, séries e histórias de Hollywood

Nova série da Apple TV+ é um thriller viciante que você precisa assistir

Atrizes comentam a atmosfera sufocante do thriller espacial derivado de For All Mankind e a complexa relação entre mulheres no programa espacial soviético

Por Ana Claudia Paixão 24 Maio 2026, 16h00
jovem deitada dentro de uma cápsula ou cabine futurista, presa por cintos e usando um equipamento ao redor do pescoço e da cabeça. A iluminação baixa e os reflexos de luz criam uma atmosfera tensa e cinematográfica, enquanto a expressão dela transmite apreensão e expectativa.
A série acompanha o programa espacial soviético a partir de um ponto de vista raramente explorado (Apple TV/Reprodução)
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Entre as muitas séries recentes sobre a corrida espacial, poucas começam tão interessadas nas consequências emocionais do poder quanto Star City. Derivada do universo de For All Mankind, a nova produção da Apple TV revisita o momento em que a União Soviética vence a disputa para colocar um homem na Lua, mas escolhe contar essa história a partir de um ponto de vista raramente explorado: o das mulheres, agentes e famílias que precisavam sobreviver dentro de um sistema sustentado por vigilância, silêncio e controle.

Em vez de transformar o espaço em fantasia heroica, Star City funciona quase como um thriller psicológico sobre paranoia e sobrevivência. O programa espacial soviético está no centro da narrativa, mas a série entende que, por trás da disputa tecnológica da Guerra Fria, existiam pessoas tentando preservar algum senso de identidade dentro de uma estrutura que exigia obediência absoluta.

Star City Anna Maxwell Martin e Agnes O’Casey falam sobre a nova série da Apple TV2
Na nova produção da Apple TV, sobreviver dentro de um sistema sustentado pelo medo é o verdadeiro desafio das personagens (Apple TV/Reprodução)
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Uma das maiores forças do roteiro aparece justamente nessa relação, potencializada pela interpretação de Agnes O’Casey, que consegue equilibrar fragilidade, inteligência e ambição sem transformar Irina em uma personagem previsível. O público entende rapidamente que existe algo perigoso sendo construído ali, mas a série cria espaço suficiente para que a empatia continue existindo.

Ao lado dela, Anna Maxwell Martin entrega talvez uma das atuações mais desconcertantes de sua carreira. Conhecida por personagens mais calorosas ou vulneráveis, a atriz surge aqui de maneira quase assustadora. Sua Ludmilla nunca precisa elevar a voz para transmitir ameaça. O desconforto nasce justamente da calma, da contenção e da sensação constante de que ela está sempre observando mais do que revela.

Durante conversa com CLAUDIA, Anna Maxwell Martin e Agnes O’Casey falaram sobre essa dinâmica complexa entre suas personagens, o peso psicológico de viver dentro de um sistema sustentado pelo medo e a escolha de Star City de não reduzir suas protagonistas ao fato de serem mulheres em posições de poder. Em vez disso, a série trata essas personagens como pessoas tentando sobreviver em um ambiente onde até afeto, admiração e confiança podem se transformar em instrumentos de controle.

“Existe a ideia de igualdade, mas nunca igualdade real”

CLAUDIA: Parabéns pela série. Anna, preciso dizer que sou sua fã há anos e nunca fiquei tão assustada com uma personagem sua quanto fiquei aqui.

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Anna Maxwell Martin: (rindo) “Sim, claro! É assim que eu sou na vida real. Todo o resto era atuação, mas essa sou eu de verdade.”

CLAUDIA: Normalmente suas personagens são tão doces. E a Ludmilla até tem algo doce, mas ela também assusta muito. E, como eu sei no que a Irina vai se transformar, também fiquei com medo dela.

Anna Maxwell Martin: “Elas formam uma ótima dupla, não é? Nós realmente nos divertimos muito interpretando essas personagens juntas. Acho que são figuras muito emocionantes de interpretar.”

CLAUDIA: Uma das coisas que mais me chamaram a atenção na série é essa atmosfera de opressão. Tem uma cena muito interessante em que sua personagem fala sobre igualdade dentro do sistema, mas percebemos que aquilo não existe de verdade. Ainda há hierarquias sociais muito rígidas. E fiquei pensando nisso enquanto assistia: quanto a Raskova realmente sabe sobre Irina?

Anna Maxwell Martin: “Essa é justamente a grande dicotomia do comunismo, não é? Existe a ideia de igualdade, mas nunca há igualdade real. Sempre haverá líderes, hierarquias, pessoas em posições superiores.”

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A atriz também comentou que a própria estrutura da KGB evidencia essas diferenças internas de poder e prestígio. Para ela, Ludmilla talvez saiba mais sobre Irina do que deixa transparecer — e exista ali uma mistura de fascínio, curiosidade e projeção.

“É quase trágico acompanhar a trajetória da Irina”

CLAUDIA: Agnes, quem assistiu a For All Mankind já sabe o que a Irina vai se tornar no futuro, mas ainda assim eu me peguei torcendo por ela — e depois me odiando por isso.

Agnes O’Casey: (comemorando) “Isso é ótimo! Porque nós sabemos para onde ela vai, mas ainda assim existe algo muito dramático e emocionante nessa trajetória. É quase trágico.”

A atriz comparou a experiência de assistir à trajetória de Irina a acompanhar histórias como Romeo and Juliet: mesmo conhecendo o final, o público continua desejando que tudo termine de outra forma. Para Agnes, interpretar a personagem foi justamente acompanhar, passo a passo, essa transformação gradual.

Mulheres em posições de poder — sem reduções simplistas

Outro ponto que chamou atenção na conversa foi a maneira como Star City trabalha mulheres dentro de uma estrutura de poder extremamente rígida, sem transformar isso em um discurso óbvio ou didático.

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Anna Maxwell Martin explicou que nunca sentiu estar interpretando “uma personagem feminina” especificamente, mas sim uma pessoa tentando sobreviver dentro daquele sistema. Segundo ela, os showrunners Matt Wolpert e Ben Nedivi também trataram a narrativa dessa forma, sem transformar a posição de Ludmilla em algo excepcional apenas por ela ser mulher.

Agnes O’Casey afirmou ter sentido exatamente o mesmo durante o trabalho na série. Para a atriz, foi libertador poder construir Irina sem precisar pensar o tempo inteiro sobre gênero, algo que ela atribui diretamente à forma como os roteiros foram escritos.

“Star City não é exatamente uma série espacial”

Apesar da conexão direta com For All Mankind, Anna Maxwell Martin acredita que Star City funciona muito mais como um thriller político e psicológico do que como uma série tradicional sobre exploração espacial.

Segundo a atriz, o verdadeiro conflito da produção está na tensão entre criatividade, medo, segurança e paranoia. De um lado, personagens que acreditam profundamente no programa espacial; do outro, uma estrutura disposta a proteger esse projeto a qualquer custo — mesmo que isso destrua justamente a liberdade necessária para fazê-lo existir.

Pesquisa histórica e mergulho em outro universo

As duas atrizes também comentaram sobre o intenso processo de pesquisa histórica para construir aquele universo soviético.

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Agnes O’Casey afirmou que a preparação foi fundamental justamente porque aquele mundo não poderia ser mais diferente da realidade em que cresceu. Já Anna Maxwell Martin destacou o fascínio de mergulhar em outra cultura e em outras formas de pensar.

Para Agnes, esse processo resume uma das partes mais fascinantes da profissão: a possibilidade de continuar aprendendo constantemente através de cada personagem.

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