“Nasceu de um gesto de cura após a partida da Cássia”: Lan Lanh celebra reencontro com Os Elaines
A percussionista reflete sobre sua trajetória musical e a força da amizade
A música, sem sombra de dúvidas, é um marco da cultura popular brasileira, com toques que nunca saem de sua história e provavelmente nunca sairão. E, quando pensamos nos artistas que fazem parte dela, quase sempre nos vem à cabeça a voz que dá vida a cada uma das palavras. Nesse quesito, Lan Lanh é um nome inesquecível. Com quase 40 anos de carreira, a percussionista é responsável por composições e ritmos que marcaram gerações e se prepara para um reencontro histórico nos palcos de São Paulo neste fim de semana.
O reencontro com Os Elaines
Reinventando-se a cada dia, a artista agora vive um novo momento na carreira: o reencontro com Os Elaines, na Casa Natura Musical, que acontece neste fim de semana, no dia 24 de maio. No show, o grupo revisita o repertório do álbum autoral Com Ela (2003), vencedor do Prêmio APCA.
“Tá sendo um recomeço muito bom, porque esse disco nasceu de um gesto de cura coletiva após a passagem da Cássia [Eller]”, conta. “É uma banda eterna para mim. Existe uma química absurda entre nós, uma relação de amizade muito sólida, quase familiar, e isso é raro”, afirma.
A amizade como ponto de partida
Ao longo de toda a conversa com CLAUDIA, é possível perceber o tamanho do papel da amizade na trajetória de Lan Lanh. A todo momento, ela faz questão de destacar o quanto os amigos lhe ensinaram desde o início da carreira e como esses encontros ajudaram a moldar sua relação com a música.
Quando ainda morava em Salvador, sua irmã, que tinha uma banda, chamou um “garoto” para tocar bateria na garagem de casa. “Fiquei completamente encantada pela bateria quando o vi tocando nos ensaios da banda dela”, relembra. O garoto em questão era ninguém menos que Carlinhos Brown, ainda jovem. “Ele me viu tentando reproduzir o que ele fazia e falou: ‘Você tem ritmo, você precisa tocar’. Aquilo foi um marco pra mim.”
Esse marco se reflete até hoje na forma como a percussionista se expressa em seu trabalho. Mesmo com as transformações da indústria e da própria carreira, ao pensar em sua jornada, ela aponta o que nunca mudou em todos esses anos: o prazer em fazer música.
“Acho que minhas escolhas sempre vieram desse lugar. Nunca foi por dinheiro ou por estratégia. Sempre foi pelo amor à música. E também existe uma conexão espiritual muito forte com o tambor. Eu consigo passar horas tocando e me sentir inteira ali. A música sempre abriu caminhos na minha vida”, completa.
Um encontro movido por história e afeto
Por isso, o reencontro com Os Elaines surge como mais do que uma apresentação comemorativa. Trata-se também da celebração dessas amizades, das memórias construídas ao longo do caminho e da força de um repertório que segue vivo. Para completar o momento, também sobem ao palco Nando Reis, grande amigo da artista e de Cássia Eller, e a atriz e cantora Emanuelle Araújo.
“Essas canções carregam muita história. Existe uma química muito bonita entre nós no palco, e acho que o público sente isso imediatamente”, declara.
Para ela, a expectativa é que a apresentação funcione como uma troca intensa com quem estiver presente. “Espero que as pessoas saiam querendo mais. Foi isso que aconteceu no primeiro show. A casa lotou, o público ficou emocionado e imediatamente começou a pedir outro. Então eu espero justamente isso: que a gente continue vivendo mais encontros assim”, conclui.
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