76 anos Abril: Claudia por apenas 9,90

O Diabo Veste Prada 2 mostra o lado mais cruel da indústria da moda hoje

Filme mergulha na crise da mídia impressa, apresenta uma Miranda Priestly com novos problemas e questiona quem realmente manda no setor

Por Lorraine Moreira 30 abr 2026, 15h05
Colagem com foto de Andy em "O Diabo Veste Prada" e Miranda em "O Diabo Veste Prada 2"
"O Diabo Veste Prada 2" apresenta os novos desafios do mercado editorial (Foto/Divulgação)
Continua após publicidade

Vinte anos depois de O Diabo Veste Prada sacudir a indústria da moda, a sátira de empurrões, puxões de tapete e exploração profissional segue como um dos grandes ícones da cultura pop. O marco das duas décadas não apenas reavivou uma base gigantesca de fãs como também rendeu uma continuação.

O Diabo Veste Prada 2: a crise da moda e o colapso das revistas impressas 

Enquanto o primeiro filme se propunha a expor os bastidores da moda, o segundo mergulha na batalha sufocante para manter relevante a revista fictícia Runway. O setor editorial atravessa uma crise prolongada, pressionado pela internet, pelo colapso do mercado publicitário e pela dificuldade de reinventar modelos após décadas de bonança.

O longa mostra como, diante da escassez de recursos, as revistas se tornam cada vez mais submissas ao mercado. No novo filme, a personagem de Emily Blunt abandona a redação para trabalhar em uma marca de luxo.

Como ela faz questão de lembrar, o que sustenta o sistema são as grandes marcas, e é a elas que o jornalismo passa a se curvar, ainda que isso implique conflitos de interesse.

Entre o luxo e a dependência: como a publicidade redefine a revista “Runway”

Andy e Miranda em
“O Diabo Veste Prada 2” apresenta embates morais do mercado (Foto/Divulgação)

Sem publicidade, não há operação; com publicidade, não há mais autonomia. A necessidade de fechar as contas corrói a revista por dentro, porque a faz tomar decisões, inclusive criativas, orientadas pelo interesse do mercado. No fim, o diabo não veste Prada, é a Prada que veste o diabo.

“O mundo da mídia é assustador hoje em dia”, diz David Frankel, diretor do longa, em entrevista ao The Guardian. “O mesmo vale para Hollywood. Há uma contração terrível – todos nós vemos o tsunami da IA ​​chegando e estamos fazendo de tudo para sobreviver.”

Continua após a publicidade

“O primeiro era uma história de amadurecimento, este é sobre valores e moral. Vejo Miranda como uma heroína. Ela está conduzindo um navio em águas turbulentas, determinada a encontrar terra firme”, diz ele.

Não se trata apenas de egos inflados e pouco afeitos ao bem-estar alheio, que continuam existindo, mas de profissionais apaixonados que tentam manter viva uma publicação. A figura imponente e temida de Miranda dá lugar à de uma mulher que luta para preservar a revista à qual dedicou a vida. Se sua vida é o trabalho, aliás, é também isso que explica sua entrega absoluta.

Miranda Priestly mudou? Poder, moral e sobrevivência na nova era da mídia

Miranda precisa lidar com novos desafios em “O Diabo Veste Prada 2” (Foto/Divulgação)

O filme recorre à nostalgia, com cenas que referenciam o original. Há trocas rápidas de figurino, a ajuda de Nigel para vestir Andy e até um puxão de orelha do funcionário mais leal da Runway. Esses elementos trazem leveza e humor a uma narrativa que, ainda assim, não abre mão da emoção e ajudam a explicar por que, apesar das dificuldades, tantos insistem em permanecer nesse mercado.

É nesse percurso que surge a pergunta: quem é, afinal, o vilão? Uma mulher que faz de tudo para se manter no comando e garantir a sobrevivência de uma revista em que acredita ou aqueles a quem ela precisa servir para que isso seja possível? Em um cenário de demissões, escassez de recursos e perda de autonomia, a resposta não é simples.

Continua após a publicidade

O filme também brinca com mudanças quase obrigatórias. Após duas décadas jogando casacos sobre assistentes e disparando insultos com uma voz serena, Miranda precisa se adaptar a um mercado que não tolera esse comportamento. Ou, pelo menos, não no nível de antes.

O Diabo Veste Prada 2 expõe as mudanças em todo o mercado

Andy e Nigel em
A realidade luxuosa de “O Diabo Veste Prada” é bem diferente da sequência do filme (Foto/Divulgação)

A narrativa equilibra leveza e questões espinhosas. O dilema de uma pessoa difícil merecer ou não uma segunda chance, a proximidade universal do erro e a dependência mútua que define as relações humanas são aspectos abordados.

Também chama atenção o fato de que um dos momentos mais glamourosos recentes da moda, o lançamento do filme, seja protagonizado por mulheres que já não são jovens. Meryl Streep, aos mais de 70 anos, imprime uma força que seria impensável décadas atrás, quando atrizes dessa idade raramente ocupavam o centro de produções de grande apelo.

As mudanças no comportamento dos parceiros de Miranda e Andy também aparecem, mas os romances ficam em segundo plano. O foco recai sobre as relações femininas, seja na amizade de Andy, seja na dinâmica entre Emily e Miranda.

Continua após a publicidade

O longa é repleto de reflexões sobre o erro. Como todos erram, como o arrependimento pode transformar, como lutar pelo que se acredita, ainda que pareça ingenuidade, e reconhecer o outro podem alterar trajetórias.

O filme prova o poder de Anna Wintour

Há ainda uma mudança significativa na própria indústria. O livro mordaz que inspirou o primeiro filme, escrito por uma ex-assistente de Anna Wintour, foi visto como traição em 2003, e marcas relutaram em ceder roupas ao filme, temendo represálias de uma das figuras mais importantes da moda. 

Duas décadas depois, o cenário se inverteu. Estilistas participam com entusiasmo, e o universo retratado passou a incorporar a franquia como parte de sua própria mitologia. É como se um relato que expunha abusos contribuísse para consolidar a imagem mítica de sua inspiração, Wintour.

Não é um filme perfeito, e o começo parece um pouco deslocado, numa tentativa de fazer todos os personagens se encontrarem 20 anos depois. Dificilmente alcançaria o que o original conseguiu, mas o longa toca em uma ferida da indústria.

A beleza, o trabalho minucioso, a apuração e o refinamento sobreviverão à inteligência artificial, aos algoritmos, à pressa e à escassez? Ao longo das diversas mudanças da história, sobreviveram. Talvez sobrevivam mais uma vez.

Continua após a publicidade

6 filmes acolhedores para assistir depois de um dia ruim

Assine a newsletter de CLAUDIA

Receba seleções especiais de receitas, além das melhores dicas de amor & sexo. E o melhor: sem pagar nada. Inscreva-se abaixo para receber as nossas newsletters:

Continua após a publicidade

Acompanhe o nosso WhatsApp

Quer receber as últimas notícias, receitas e matérias incríveis de CLAUDIA direto no seu celular? É só se inscrever aqui, no nosso canal no WhatsApp

Acesse as notícias através de nosso app 

Com o aplicativo de CLAUDIA, disponível para iOS e Android, você confere as edições impressas na íntegra, e ainda ganha acesso ilimitado ao conteúdo dos apps de todos os títulos Abril, como Veja e Superinteressante.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

OFERTA RELÂMPAGO

Digital Completo

Moda, beleza, autoconhecimento, mais de 11 mil receitas testadas e aprovadas, previsões diárias, semanais e mensais de astrologia!
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
ECONOMIZE ATÉ 52% OFF

Revista em Casa + Digital Completo

Receba Claudia impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*
De: R$ 26,90/mês
A partir de R$ 12,99/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).