Sem vontade de transar com o parceiro? Veja o que pode estar por trás
Especialistas explicam por que o desejo sexual pode oscilar em relações duradouras e como casais podem reconstruir a intimidade e o prazer
Nenhuma experiência é única, incluindo deixar de sentir atração sexual pelo parceiro. Seja por fatores emocionais, psicológicos ou de saúde, o interesse pode diminuir ao longo do tempo. O silêncio em torno do tema, porém, faz com que muitos casais acreditem estar sozinhos nessa situação. Para entender como lidar com isso, fomos atrás de quem entende do assunto.
É normal deixar de sentir atração sexual pelo parceiro. Mas por quê?
A redução do interesse sexual pode ocorrer por diferentes motivos e nem sempre indica o fim do amor. “A sexualidade dentro de um relacionamento não é estática. Há uma série de influências, como fatores emocionais, psicológicos e contextuais”, afirma o psicólogo Paulo Oliveira.
Entre os exemplos estão mudanças hormonais, como as que ocorrem na menopausa e podem reduzir a libido, dificuldades no relacionamento ou fases desafiadoras da vida, como o luto. Todas essas situações podem afetar o desejo sexual.
A própria duração da relação também pesa. “No início, há novidade, idealização e alta excitação. Com o tempo, é natural que a frequência diminua e que o desejo espontâneo não seja tão intenso quanto no início”, diz o psicólogo.
A diminuição da atividade sexual também costuma ser sintoma de outras questões, como mágoas acumuladas, perda de admiração, ressentimentos, previsibilidade e conflitos recorrentes.
Por outro lado, atravessar essa fase pode fortalecer a relação. “Muitos casais relatam que, ao superar esse período de adaptação, a vida sexual se torna mais satisfatória, com mais conhecimento mútuo e menos idealização”, diz Paulo.
Como restabelecer a atração sexual
Recuperar o desejo não significa tentar recriar o início da relação. “Aquela fase é, por natureza, temporária. O mais eficaz é construir uma nova forma de desejo”, afirma o psicólogo.
Esse processo passa pela reconexão emocional. “Muitos casais deixam de falar sobre o que sentem, desejam ou os incomoda. Isso cria uma distância que impacta diretamente o desejo.”
Manter a individualidade também é importante. “O desejo precisa de algum grau de separação, de curiosidade pelo outro.” Ao mesmo tempo, especialistas alertam que o sexo não deve se tornar uma obrigação. “O desejo tende a desaparecer ainda mais quando vira cobrança.”
Paulo também ressalta que sexo e amor não são a mesma coisa. “Amor e desejo são sistemas diferentes dentro da experiência humana. É possível amar alguém profundamente e, ainda assim, ter dificuldades com o desejo sexual. Isso não é um defeito de caráter nem uma falha da relação.” Procurar um terapeuta ou sexólogo pode ajudar o casal a lidar com a situação.
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