Clique e Assine a partir de R$ 8,90/mês

“O que fica da nossa vida são as relações que conquistamos”

A jornalista Mônica Waldvogel conta sobre a importância do valor do feminino na nossa sociedade

Por Abril Branded Content 12 dez 2017, 16h47

O mundo ideal já está em gestação. Pelo menos no desejo dos brasileiros. A boa notícia é que ele será muito melhor do que este em que vivemos hoje. É o que mostra uma pesquisa realizada por Molico, marca de produtos lácteos da Nestlé, em parceria com a antropóloga Mirian Goldenberg, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Depois de entrevistar mil pessoas baseadas em todo o território nacional, o levantamento concluiu que a maioria gostaria de viver em um ambiente repleto de valores que foram associados ao feminino: mais gregário, empático, baseado em relações inclusivas e menos bélicas. Seis em cada dez respondentes, por exemplo, afirmaram desejar uma realidade mais honesta. E metade marcou felicidade e solidariedade como outros atributos esperados. Trata-se de um cenário bem diferente daquele que vivemos hoje, em que prevalece a violência, a desonestidade, a agressividade ou a competição, traços considerados masculinos.

O trabalho faz parte de um grande projeto intitulado O Valor do Feminino, que inclui ainda séries de minidocumentários sobre a humanidade que todos, homens e mulheres, carregamos dentro de nós. A seguir, confira o depoimento da jornalista Mônica Waldvogel, responsável pelos roteiros dos vídeos.

“Para serem incluídas, as mulheres deixaram de valorizar aquilo que é delas e que poderia ser trazido para dentro do sistema para ser aproveitado por homens e mulheres”. Irit Tommasini/Divulgação

“Há séculos os homens foram incumbidos de criar os grandes sistemas que regem nossa vida. A república, a democracia, a computação, o sistema agrário, a igreja. Todas essas estruturas têm uma lógica masculina.

Esses dias li um artigo em que uma mulher reclamava do aparelho de mamografia. É realmente um exame difícil: aquilo aperta, dói, nós sabemos. Mas ela dizia que, se tivesse sido feito por uma mulher, não seria tão desconfortável. Eu acho isso injusto! É um feito masculino, mas uma grande contribuição. O mundo não andaria sem as invenções e estruturas masculinas. Como viver e sobreviver dentro delas e, ao mesmo tempo, nos realizarmos como mulher?

O questionamento começou a aparecer no momento em que as mulheres saíram de casa para buscar um lugar no espaço público. Para serem incluídas, se sentiram obrigadas a agir de maneira parecida com eles. Deixaram de valorizar aquilo que é delas e que poderia ser trazido para dentro do sistema para ser aproveitado por homens e mulheres. E, então, elas se viram obrigadas a se adequar a um ambiente novo. Parece lógico: se é necessário disputar espaço com os homens, é preciso fazer como eles! A vida pública é sobre encontrar seu espaço e ocupá-lo.

Continua após a publicidade

Como consequência, pode ter surgido uma carência dos valores que usualmente eram atribuídos ao feminino. Surge também uma grande dificuldade de se definir o que é ser mulher hoje. Quando a gente se define como uma feminista, se identifica como uma guerreira, como alguém disposta para a luta. E, com isso, vem mais uma agenda para nós, vem um script que determina nossa identidade, nosso comportamento. É claro que esse movimento nos ajuda a conquistar espaço, mas também nos afasta da intuição, dos valores aprendidos com as gerações anteriores. E a identidade feminina também passa por eles.

Veio daí nossa intenção de, nos documentários, trazer os valores considerados femininos para a superfície dos depoimentos. Tanto na fala de mulheres, quanto na de homens. A ideia foi transformar a pesquisa realizada anteriormente em depoimentos que mostrassem a humanidade que há em valores como acolhimento, compreensão, a possibilidade de dar uma segunda chance, a tolerância. Muitos deles são atributos que identificamos como próprios das mulheres, mas são universais e podem estar em qualquer pessoa.

Ao trabalhar com essas histórias na série, estivemos em busca dos melhores fragmentos de uma vida, momentos de virada e de descobertas. Para mim, foi uma experiência muito emocionante. Eram pequenos e grandes eventos, mas que nos tocavam tanto! Recuperaram sentimentos que estavam esquecidos em mim, qualidades e disposições para enfrentar as dificuldades da vida. Esse foi meu grande encontro com o projeto: a revalorização da amorosidade.

Afinal, o que fica da nossa vida são as relações que conquistamos e conversávamos com as pessoas. No limite, quando a gente conta a nossa história, as narrativas que importam não são as das promoções no trabalho, ou dos bens que comprou. Falamos sobre os tombos, as quedas, e sobre como somos gratos a quem nos ajudou a superar os percalços. É isso o que conta a história de uma vida.”

Reflita mais sobre este e outros temas em #OValorDoFeminino.

Continua após a publicidade
Publicidade