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Meu filho é muito agressivo com com os colegas. O que fazer para ele mudar?

Seu filho anda irritado e brigando com todos? Especialista dá dicas para você ajudá-lo a mudar este comportamento negativo

Por Mariana Conte (colaboradora) - Atualizado em 28 out 2016, 06h00 - Publicado em 9 out 2014, 22h00

 

Meu filho tem 9 anos e está sempre me desafiando, assim como faz com o pai. É agressivo com adultos e com colegas. Já recebi alertas da escola sobre sua falta de adequação às regras. Como ajudá-lo? (Pergunta enviada por leitora)

A personalidade da criança é formada por um conjunto de fatores genéticos e ambientais. A família tem grande influência no desenvolvimento das características positivas ou negativas. “O filho aprende observando a conduta dos pais”, resume o especialista em psiquiatria da infância e da adolescência Gustavo Teixeira, autor de O Reizinho da Casa (BestSeller), que já vendeu 50 mil exemplares. Mestre em educação pela Framingham Academy State University, nos Estados Unidos, ele explica que, se os pais são agressivos, acabam transmitindo que qualquer situação pode ser resolvida com violência e desrespeito. Por outro lado, os que são permissivos demais – ou ausentes – não demonstram autoridade nem fixam regras e condutas morais. “Os filhos manipulam esses pais e estão sempre desafiando-os.” É preciso criar desde cedo espaço para o diálogo, além de ter clareza sobre limites. Não adianta, por exemplo, deixar o pequeno fazer tudo até os 5 anos e depois mudar as regras. Desde o primeiro ano, segundo Teixeira, é possível ensiná-lo a esperar e a receber nãos. “A criança não pode achar que o mundo gira só em torno dela”, diz a psicóloga Milena da Rosa Silva, do Núcleo de Infância e Família da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Reações extremas de agressividade e falta de adequação às regras costumam ser sinais de que a criança passa por algum sofrimento ou crise. Talvez algo não esteja indo bem na escola ou exista um incômodo com a chegada de um irmão ou, ainda, ela experimente tristeza e revolta pela morte de um ente querido. É importante parar e conversar com o pequeno no esquema olhos nos olhos. Mantenha a calma mesmo em meio às explosões. Não adianta gritar ou mandar ordens do outro cômodo da casa. “Não xingue nem parta para qualquer tipo de agressão”, acrescenta Dayse Maria Borges, professora da Faculdade de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica de Campinas. “Fale que você quer entender o que está acontecendo para ajudá-lo a encontrar uma solução.” Caso receba reclamações da escola, o primeiro passo é ouvir a versão dele. Nada de culpá-lo de cara. Após avaliar o ocorrido, explique que ele deve obedecer a hierarquias e conviver em harmonia com os mais diferentes colegas.

Proponha brincadeiras em que a criança precise aguardar a vez dela e estimule a prática de esportes coletivos ou de uma luta, como judô, capoeira e caratê. Isso, segundo o expert, pode auxiliar na aprendizagem de conceitos de ética, respeito, hierarquia, trabalho em equipe e disciplina. “Promover passeios em família também contribui para estreitar as relações da criança com os pais e tornar o diálogo a forma principal de expressão”, sugere Teixeira. “Melhor ainda se todos se envolverem em algum esporte.”

* Quer sugerir temas para a seção? envie sua dúvida para falecomclaudia@abril.com.br 

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