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Estas 7 garotas explicam por que é racista dizer que somos todas iguais

Conversamos com alguns nomes importantes do Movimento Negro para refutar o conceito de que "todo mundo é a mesma coisa". Muito pelo contrário.

Por Lucas Castilho
Atualizado em 21 jan 2020, 07h16 - Publicado em 25 jul 2016, 18h21

Aconteceu uma das coisas mais interessantes e importantes dos últimos tempos, no sábado, dia 23. O TEDxSãoPaulo, evento internacional dedicado à difusão de ideias, levou para um palco, montado no Hotel Unique, 18 vozes de mulheres que precisavam ser ouvidas por todos. A melhor parte? A maioria delas era negra.

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“Uma iniciativa como essa é importante para mostrar a diversidade, dar palanque para mulheres que estão fazendo movimentos importantes, principalmente na periferia, e muitas vezes não são ouvidas. A partir disso, as pessoas podem passar a entender melhor a questão de cada mulher, de que cada uma é diferente”, explicou Viviane Duarte, uma das palestrantes e sócia-fundadora da plataforma Plano Feminino.

Pegando carona na fala dela e no “Dia Internacional das Mulheres Negras”, comemorado nesta segunda-feira (25), nós, aqui do MdeMulher, aproveitamos o evento para conversar com algumas mulheres e tirar uma dúvida que há muito tempo pipoca nas redes sociais: afinal, é correto dizer que todas as pessoas são iguais, brancos, negros e indígenas?

A cantora Xênia França explica um pouco isso: “Chegamos em navios negreiros, escravizados, humilhados… E essa herança se perpetua até hoje. Por isso, nós não somos todos iguais, assim como os indígenas não são iguais, assim como as pessoas brancas não são iguais”. 

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Abaixo, confira a posição de sete garotas – TODAS elas negras – com relação a essa errônea e até mesmo racista opinião de que “somos todos iguais”.

Nátaly Neri, youtuber do canal “Afros e Afins” e estudante de Ciências Sociais na Unifesp.

Reprodução/ Facebook
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“O Brasil teve influência de diversas culturas desde a sua fundação. Uma sociedade formada por pessoas que desde o início enfrentaram problemas extremamente diferentes por conta dos espaços em que estavam e pela forma com que foram tratadas quando chegaram aqui, aí eu falo da população negra e indígena. Então, é muita ingenuidade, acho que a palavra é essa, pensar que as pessoas são homogêneas, que as diferenças aconteceram na origem e simplesmente se diluíram ao longo da história e não reverberaram no que temos hoje. É preciso, de fato, enfatizar as diferenças! Não de modo a falar que somos diferentes e por conta disso merecemos coisas diferentes, mas quando a gente fala de equidade, queremos dizer que pessoas diferentes precisam ser tratadas de modos diferentes para se tornarem iguais. Se você trata todo mundo de modo igual – tendo desníveis anteriores – isso não existe, entendeu? Essas pessoas continuam em pé de desigualdade. Equidade é diferente de igualdade”.

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Gabriela Oliveira, youtuber do canal “De Pretas“.

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“Quando uma pessoa tem, por exemplo, uma orientação sexual diferente do normativo ou quando uma pessoa é negra ou estrangeira, a gente sabe que existem essas diferenças. É claro que internamente como ser humano, estrutura óssea, somos todos iguais, mas quando a gente diz que ‘não, a gente não é igual, a gente é diferente’ é por entendermos que os tratamentos das pessoas de diferentes locais, nível social e etnia não são os mesmos. Então, não adianta vir com essa de ‘somos todos iguais’ porque isso não existe” 

Mel Duarte, poeta e produtora cultural. Publicou os livros “Fragmentos Dispersos” (2013) e “Negra Nua Crua” (2016).

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“Entendo essa fala de ‘somos todos iguais’, mas não podemos esquecer que todo ser humano tem a sua particularidade. E quando a gente começa a falar de grupos, especificamente, de mulheres negras, posso dizer que temos a nossa particularidade, a nossa caminhada… E ela é diferente da das mulheres brancas, mesmo que sejam mulheres brancas da periferia”.

Silvia Nascimento, jornalista e diretora de conteúdo do site Mundo Negro.

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“Acho que tem uma palavrinha que explica bem isso que é a questão de privilégio, né? A gente sabe que dependendo da cor que você nasce, da região que você nasce, você cresce com uma certa dificuldade ou facilidade. E alguns privilégios! Então, quem tem mais privilégios não é igual a pessoa menos favorecida. Às vezes essa empatia não é legítima porque o seu histórico de vida é outro. Acho que você pode se solidarizar com quem não é igual, mas dizer que todos somos iguais é meio equivocado. Por exemplo, eu não sei de onde veio a minha tataravó – e uma pessoa branca tem grandes chances de saber de onde a sua veio. Além disso, meu sobrenome é um sobrenome de escravo, é sem origem, é abstrato, não pertence a mim… Pertence a alguém que comprou uma pessoa da minha família. Eu não sou igual a nenhum branco” 

Xênia França, cantora.

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“Não somos todos iguais porque a gente tem um histórico de não igualdade. Nós, pessoas de pele preta, não chegamos aqui em par de igualdade com as pessoas brancas que estão aqui. Chegamos em navios negreiros, escravizados, humilhados… E essa herança se perpetua até hoje. Por isso, nós não somos todos iguais, assim como os indígenas não são iguais, assim como as pessoas brancas não são iguais. Existe uma situação de privilégio no Brasil que faz com que as pessoas sejam diferentes. Então, é muito importante que todo mundo pense sobre isso para a gente começar a realmente falar ‘somos todos iguais'”.

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Mayara Silva, advogada, poeta e membro do coletivo “Poetas do Tietê”.

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“Igualdade é você tratar uma pessoa na medida da desigualdade da outra pessoa. Estamos falando de vidas de pessoas negras que precisam ser tratadas iguais as dos brancos”. 

Tássia Reis, cantora.

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“Tem uma questão muito prática de que nós não somos todos iguais: não viemos dos mesmos lugares, nossas famílias são diferentes, as crenças, as religiões, nossos corpos, no caso, formato do nosso rosto, é tudo muito diferente, realmente… Para mim dizer ‘somos todos iguais’ é colocar tudo em uma salada, invisibilizar nossa história negra e todas as culturas de onde a gente pode ter vindo. Isso é um grande golpe que geralmente silencia a gente para não lutar por direitos, para não lutar pelo direito de existir da sua própria cultura, religião e tudo mais. Acho uma grande sacanagem dizer que somos todos iguais”.

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