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“Fui abusada pelo marido da minha irmã. O silêncio me fez adoecer”

A leitora Ane* preferiu se mudar da casa da irmã a revelar que havia sido abusada. O trauma dificultou relações e provocou doenças

Por Da Redação - Atualizado em 10 ago 2020, 16h40 - Publicado em 11 ago 2020, 09h00

“Estou lendo os relatos de abuso e pela primeira vez vou expressar em texto o que aconteceu comigo. Já estou tremendo e com dor de estômago só de pensar na minha história, mas vamos lá.

Venho de uma família com muitos irmãos e minha mãe ficou viúva nova. Como ela tinha dificuldades financeiras, fui morar com minha irmã mais velha, já casada, e seus dois filhos. Eu tinha 15 ou 16 anos, e sempre fora muito magra. Nessa época, um pouco mais tarde do que as outras meninas, meu corpo começou a se desenvolver. Eu dormia no quarto dos meus sobrinhos e percebi que o marido da minha irmã ficava me espiando pela porta. Eu acordava e ele estava ali parado me olhando. Nunca falei nada, achei que era preocupação com o sono dos filhos. Depois, comecei a notar que ele tinha ciúme excessivo por mim, mas imaginei que fosse zelo.

Um dia, quando minha irmã tinha viajado para nossa cidade natal, ficamos só nós dois em casa. Eu já estava me formando na escola e trabalhava. Ele me acordou no meio da noite reclamando de dores nas costas e pedindo que eu passasse uma pomada nele. Eu levantei e fui até seu quarto inocentemente. Ele me jogou na cama e deitou-se em cima de mim. Depois do abuso, eu levantei aos prantos, corri para o meu quarto e fechei a porta. A partir dali, tudo piorou. Ele ficava agressivo. No intuito de proteger a minha irmã, juntei minhas coisas e fui morar em uma pensão. Um tempo depois, ele morreu de forma abrupta.

Hoje, lendo os relatos de outros abusos, percebo o quanto minha vida mudou a partir dali. Fiquei introvertida, tive muita dificuldade para me relacionar e, já casada, sempre sentia dores terríveis no ato sexual. Convivo com a fibromialgia e tive câncer de mama. Guardei isso durante muito tempo, sofri. Até tentei deixar para trás em silêncio. Mas hoje entendo que temos que expulsar esse monstro que rodeia nossas vidas e nos impede de viver plenamente. Obrigada pela oportunidade de falar. Só escrever isso já fez eu me sentir melhor.”

A partir de agora, CLAUDIA mantém esse canal aberto e oferece acolhimento para quem quiser libertar as palavras e as dores que elas carregam. Fale com CLAUDIA em falecomclaudia@abril.com.br.

*Nome trocado a pedido da personagem.

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