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“Uma das grandes conquistas das mulheres é o poder da fala”

A empreendedora social e maratonista Neide Santos conta como vencer o Prêmio CLAUDIA 2016 afetou a sua vida e o seu projeto Vida Corrida

Por Carolina Scatolino Atualizado em 31 jul 2017, 14h06 - Publicado em 19 jul 2017, 22h45

“Correr é uma necessidade fisiológica para mim”, diz Neide Santos, vencedora da categoria Trabalho Social, na edição 2016 do Prêmio CLAUDIA. Na semana passada, ela esteve de volta à redação para conversar com a editora Patrícia Zaidan em vídeo transmitido pelo nosso Facebook.

Na ocasião, relembrou passagens dramáticas de sua vida e contou de que forma o Prêmio CLAUDIA impactou positivamente o seu projeto, a Ong Vida Corrida, que promove a inclusão social por meio do esporte.

VIDA CORRIDA –  E TRANSFORMADA

Em um dos bairros mais violentos do mundo, o Capão Redondo, Neide Santos fundou, há 18 anos, o projeto Vida Corrida. Tratam-se de aulas de esporte para crianças e adultos da região. Alguns dos participantes levam o negócio tão a sério que acabam ingressando na carreira de corredores.

Desde a vitória do Prêmio CLAUDIA, no ano passado, ela conseguiu o patrocínio vitalício do projeto por uma das maiores marcas de artigos esportivos do mundo. Além disso, duplicou a quantidade de atendidos. Hoje são mais de 600 pessoas.

PASSAGENS TRISTES

Durante a entrevista, Neide relembrou momentos dramáticos de sua história de vida. Na infância, foi violentada sexualmente diversas vezes. Na primeira delas, tinha acabado de ser doada por sua mãe a uma tia que a trouxe da Bahia para São Paulo.

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Durante a viagem, no ônibus, um homem que deveria tomar conta dela abusou da menina. Na chegada à capital paulista, não teve direito a estudar e foi colocada para trabalhar para a família que a adotara. Engravidou aos 16 anos, ficou viúva e, em 2000, um de seus filhos foi assassinado em um assalto. Foi no esporte que encontrou forças para continuar vivendo apesar de tanta tristeza.

SUPERAÇÃO

Neide só conseguiu começar a falar sobre seu sofrimento recentemente, encorajada por outras mulheres, como a promotora pública Gabriela de Prado Mansur. “Ela disse para mim que eu não deveria ter vergonha de contar isso a ninguém, que eu deveria vir a público porque a minha história ia ajudar outras mulheres, outras mães a se atentar mais com um tio, um parente, um amigo que vem em casa porque esses são os que mais abusam de crianças”, contou.

A primeira vez que ela teve, então, a coragem de falar sobre o assunto em público foi em um evento liderado pela promotora em que Neide pegou o microfone e contou sua história a outras cerca de 300 mulheres.

Ao final, algumas participantes a procuraram para partilhar suas próprias experiências. “Uma das grandes conquistas das mulheres é o poder da fala”, diz. A empreendedora social contou ainda que, graças à sua experiência, pode alertar melhor as crianças e adolescentes do Vida Corrida sobre sexualidade, violência e gravidez precoce. E orgulha-se: em 18 anos, apenas duas meninas do projeto engravidaram.

Assista à conversa!

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