Elas encontraram um caminho para discutir questões importantes

Luiza Helena Trajano, Taís Araújo, Djamila Ribeiro, Rachel Maia, Maria Clara Spinelli e Laís Bodanzky não se limitaram em um país em crise -e prometem mais

Dezembro é naturalmente um mês de retrospectiva. Mas, ao final de um ano como este que vivemos, parece indispensável olhar para trás e refletir sobre todos os acontecimentos. Foi um ano que valeu por muitos, intenso e desafiador. Em meio à crise econômica, o brasileiro precisou de estômago para lidar com os inúmeros escândalos de corrupção na política. Até a arte entrou em discussão com a polêmica sobre censura dentro dos museus. Os confrontos de ideias se tornaram, algumas vezes, violentos. Bravamente, resistimos. Relembrar essas adversidades pode não ser fácil a princípio. Mas há de se achar coisas boas nesses 365 dias de trabalho, esforço e sonhos.

As mulheres enfrentaram, de maneira corajosa, a intolerância, questionaram argumentos que sempre beneficiaram os mesmos grupos e exigiram que as ouvissem. Deixaram claro que mais nada acontecerá sem o debate da população, que opinou sobre tudo. A palavra de esperança vem da mestra em filosofia Djamila Ribeiro, 37 anos. “Só encontramos resistência quando estamos avançando, conquistando direitos e progresso”, disse ela no estúdio, pouco antes da sessão de fotos para esta reportagem. Com as atrizes Taís Araújo e Maria Clara Spinelli, as executivas Luiza Helena Trajano e Rachel Maia e a cineasta Laís Bodanzky, Djamila faz parte de um grupo de otimistas e batalhadoras que não deixam o desânimo bater e encerram o ano com vitórias. Mais do que isso, pretendem iniciar 2018 com planos para a sociedade. Têm sede de mudança.

Há nesta longa conversa com elas muita inspiração para quem anda sem perspectivas. E também algumas estratégias para mudar a chave do pensamento negativo. “Se teve algo de bom em 2017 foi o despertar das pessoas. O brasileiro redescobriu seu lugar de cidadão e passou a fazer uso do novo papel”, destaca Luiza, 66 anos, presidente do conselho da rede varejista Magazine Luiza. “Nunca vi tanta gente querendo ajudar, propondo iniciativas.”
Ao reunirmos as experiências dessas brasileiras de áreas tão distintas – da academia a negócios milionários, passando pelo palco, cinema e pela televisão –, entendemos que a efervescência delas é potente e contagiante. Que bom!

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“Estimulo muito o trabalho positivo local na escola dos filhos, no bairro. As pequenas ações reverberam tanto quanto as grandes”, Luiza Helena Trajano, empresária (Luis Crispino/CLAUDIA)

Do micro para o macro

Nunca as brasileiras compraram tantas brigas por aquilo em que acreditam. Embates antes restritos a pequenos grupos, agora, com a internet, se expandiram para além dos amigos. “Muitas lutas importantes ganharam visibilidade. Tiramos questões de bolhas e colocamos no espaço público de debate”, afirma Djamila. Para ela, as redes foram fundamentais. “Em um dia convocávamos uma manifestação e no outro estava todo mundo lá se posicionando por suas convicções.” A filósofa lançou no mês passado O Que É Lugar de Fala?. O livro é o primeiro de 17 títulos da coletânea Feminismos Plurais, organizada por ela. Fruto da parceria entre a Editora Letramento e o portal Justificando, a coleção terá 14 autoras brasileiras explorando questões como empoderamento, racismo estrutural e colorismo. A intenção é demonstrar a diversidade do movimento feminista, além de derrubar mitos. “Tudo isso por um preço acessível (20 reais), com escrita mais coloquial para fugir da academia e chegar às pessoas”, acrescenta a santista.

Ela exalta a atuação das mulheres ao longo de 2017. E com razão. Muitos grupos feministas foram reativos quando necessário. Em novembro, por exemplo, marchas tomaram as ruas em diversas cidades contra a Proposta de Emenda à Constituição 181, aprovada por uma comissão especial da Câmara dos Deputados, que pode criminalizar o aborto também em caso de estupro, risco de morte para a mulher e anencefalia do feto. Em 8 de março, Dia Internacional da Mulher, uma multidão levantou cartazes pela igualdade de gênero, pelo fim da cultura machista, da escalada dos estupros, do assédio nos transportes coletivos… “Quando se forma uma rede de confiança, assuntos como esses deixam de ser tabu e a visibilidade deles acaba ajudando mais pessoas, além de engrossar o caldo para um debate qualificado”, afirma.

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“Lutas importantes ganharam visibilidade. Tiramos questões das bolhas e colocamos no espaço público para debate”, Djamila Ribeiro, mestra em filosofia (Luís Ribeiro/CLAUDIA)

É verdade que a internet facilita a missão de conscientizar, mas tem também seu lado ruim, como a onda de desinformação que propaga e os ataques causados pela discordância de opiniões. “Ainda não alcançamos um ponto de respeito às divergências porque precisamos passar do pensamento individualista para o coletivo”, explica Laís, 48 anos. A cineasta recebeu ofensas no seu perfil no Instagram ao defender a liberdade de expressão nas artes. Ela chegou a ser chamada de idiota por um usuário, enquanto outro dizia que nunca mais veria um filme seu. Não deu muita bola nem quis responder.

Ódios à parte, Laís fecha o ano com muitos triunfos. A paulista levou seis prêmios Kikito no Festival de Cinema de Gramado por Como Nossos Pais, obra feminina e feminista. Conta o embate entre mãe e filha, fala sobre pensamentos antagônicos e aponta as responsabilidades colocadas nos ombros das mulheres.

Ao subir ao palco na noite da premiação, Laís aproveitou a oportunidade para levantar outra polêmica. Em um discurso firme, revelou que, conforme a mais recente pesquisa da Associação Nacional de Cinema (Ancine), apenas 17% dos diretores no Brasil são mulheres. “Essa é a grande revolução. Vamos fazer mais filmes com o nosso ponto de vista. Segundo a Ancine, 0% de negras estiveram no roteiro dos filmes lançados. Essa é nossa nova fronteira. Vamos descobrir e nos alimentar das histórias incríveis que elas contarão”, bradou diante da plateia empolgada.

A falta de representatividade no cinema é a causa que Laís adotou com paixão. Quando dá palestras em faculdades, destaca a falta de mulheres negras. Em reuniões e eventos que organiza, faz questão da presença igualitária. “Elas ainda não aparecem nos longas, mas já estão nos curtas, nas webséries. É uma responsabilidade que devemos assumir. Temos de vigiar nossas atitudes para dar a essas mulheres oportunidades iguais”, diz. “Nunca vou sentir a mesma dor que elas, mas posso me colocar à disposição, ouvi-las e, na prática, batalhar por cotas. Em meus próximos trabalhos, vou exigir que sejam incluídas na equipe.”

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“Ainda não alcançamos um ponto de respeito às divergências porque precisamos passar do pensamento individualista para o coletivo”, Laís Bodanzky, cineasta. (Luis Crispino/CLAUDIA)

Prestar atenção no outro é o lema de Luiza desde que assumiu o Magazine Luiza, empresa criada pelos tios dela em Franca, interior de São Paulo. Em 2017, mesmo em meio à crise, foram abertas 60 lojas, que geraram quase mil empregos. “Tenho muito orgulho do Brasil e acredito que devemos trabalhar cada vez mais por ele. Só vou ficar satisfeita quando todos tiverem casa, educação e saúde”, defende. L

uiza nunca reservou seu entusiasmo só para o mundo corporativo. Recentemente, em viagem de trabalho pelo sertão nordestino, testemunhou de perto uma realidade difícil. “A falta de água de beber faz as pessoas irem dormir mais cedo para evitar a sede”, conta. Ao ouvir relatos sobre a agonia da torneira seca, ela acionou sua rede e passou a colaborar com a instituição Amigos do Bem, que leva roupas, assistência médica e promove a construção de poços artesianos. Em 2013, a empresa participou do programa governamental Minha Casa Melhor, que dava crédito para facilitar a compra de eletrodomésticos e móveis pelos beneficiários do Minha Casa, Minha Vida. Estima-se que mais de 3,5 milhões de famílias foram favorecidas.

Luiza é fundadora da organização Mulheres do Brasil, que reúne 7 mil brasileiras e tem a missão de influenciar a criação de projetos de lei e de políticas públicas de interesse feminino. Atua ainda na orientação das mulheres para o empreendedorismo e advoga pela instituição de cotas para elas no comando das empresas.

A líder acompanha projetos em comunidades, estabelecendo parcerias com instituições. Assim, se envolveu com o empoderamento e a capacitação de rendeiras do sertão de estados nordestinos. Também instalou um disque-denúncia para as funcionárias da empresa reportarem casos de violência doméstica. Tomou a medida depois de receber a dura notícia do assassinato de uma de suas colaboradoras pelo marido. Luiza briga pela abertura das delegacias da Mulher à noite e aos sábados e pela presença dessas instituições em mais regiões. Na área da educação, analisa projetos pelo mundo para ver o que pode sugerir nas escolas do país. “Mas não são só esses grandes movimentos que importam”, lembra. “Estimulo o trabalho positivo local, na escola dos filhos, no bairro onde cada um vive.” Para ela, as pequenas ações reverberam tanto quanto as grandes. “É a sociedade trabalhando para arrumar a casa, fazer um Brasil para nós.”

Nossa melhor arma

Taís, 38 anos, estava contando com um ano mais leve depois de uma temporada de muito trabalho em 2015 e 2016. No período, a agenda estava abarrotada com as gravações da série Mister Brau e as apresentações da peça O Topo da Montanha. A merecida folga não veio – e por escolha da atriz, que assumiu o ativismo. “A crise me estimulou a criar, me tirou do comodismo”, conta. Ela sentiu isso mais acentuadamente ao entrar no elenco de Saia Justa, do canal pago GNT, no primeiro semestre. “A gente discutia no programa as pautas que estavam em alta. Eram sempre temas que causavam alguma reflexão na população. Comecei a me questionar sobre o tipo de atriz que eu queria ser. E entendi que, da mesma maneira que meu trabalho me alimenta, também dá espaço e voz para me manifestar sobre o que acho importante e mais urgente”, reflete a carioca.

Com isso em mente, deixou a segunda metade de 2017 para se envolver com iniciativas e trabalhos sociais. Após encontros e reuniões, juntou forças com o Todos pela Educação, movimento criado em 2006 que mobiliza o setor público e a sociedade na defesa da educação de qualidade para todos os jovens e crianças. Em parceria com a organização, planeja colocar o tema no foco das eleições do ano que vem. “Achava que para alcançar a situação ideal era preciso muitas gerações, mas aprendi que em 12 anos, ou três mandatos do poder Executivo, existe a possibilidade real de reverter a crônica situação atual”, diz. Ela acredita que a educação é a única coisa capaz de provocar a mobilização social, diminuindo consequentemente a desigualdade econômica e a violência no país. “Minha missão é fazer essa mensagem chegar ao maior número de pessoas, incluindo os candidatos a cargos eletivos. Mas o começo é na minha casa, na criação dos meus filhos.”

Ser mãe de Maria Antônia, 2 anos, e João Vicente, 6, serviu de combustível para uma emocionante palestra no TEDx São Paulo no mês de novembro. Entre declarações sobre os riscos causados pela desigualdade de gênero e pelo racismo, Taís disse que a melhor forma de a sociedade evoluir está no cuidado com o próximo. “Esses problemas são de todos. E só vão ser resolvidos quando entendermos que o outro é uma extensão da gente. Precisamos olhar para ele com afeto. As nossas ações nessa direção podem mudar o mundo.”

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(Luis Crispino/CLAUDIA)

Rachel, 46 anos, CEO da joalheria Pandora no Brasil, partilha da mesma filosofia – acredita que a mudança começa em cada um. “Mas jamais podemos ficar só no discurso. O sonho é lindo, conscientizar é importante, porém nada supera a ação, a prática”, afirma. Assim, ela encampou um trabalho que institui políticas dentro da empresa, provocando discussões. Reiterava para colaboradores ao seu redor a importância de uma educação inclusiva em todos os níveis.

Por isso, idealizou, com a chancela do Senac de São Paulo, um curso de capacitação com início em fevereiro do ano que vem. Terá a duração de 160 horas e as aulas serão dadas no Centro Educacional Unificado (CEU), na paulistana Vila Rubi, região de Interlagos. Cerca de 40 alunos em situação de vulnerabilidade sairão prontos para trabalhar no varejo, com conhecimento em vendas, marketing e estratégias de negociação. “É business puro, e o varejo tem peso grande para o Brasil. De um lado, estamos aumentando a mão de obra e gerando mais negócios. Do outro, dando possibilidades para as famílias, algum poder e dignidade”, conta, orgulhosa.

“Jamais podemos ficar só no discurso. O sonho é lindo, conscientizar é importante, porém nada supera a ação, a prática”, Rachel Maia, executiva. (Luis Crispino/CLAUDIA)

Trabalho de equipe

A perspectiva de impulsionar pessoas e a economia instigou Rachel durante a crise. “Assumi novos projetos que me encheram de tesão. Visualizar o próximo passo renova os ânimos”, afirma ela, que acredita no enorme potencial de expansão do Brasil e em fórmulas para nos tirar da estagnação. Sua fé é tamanha que vislumbra possibilidades em todos os setores, até nos aeroportos. “Cresce ano a ano o número de pessoas que viajam. O aumento de demanda vai exigir novas construções, ofertas de serviços… Olha que maravilhosa essa expectativa gigantesca de crescimento”, diz. O que falta, segundo ela, é empenho coletivo. “Precisamos unir as pontas que se interessam de verdade pelo país.”

As mulheres da capa de CLAUDIA estão fazendo sua parte. Apesar de atuarem em cenários bastante diferentes, já se conheciam. Elas, de alguma maneira, acompanham o trabalho umas das outras em prol do Brasil. Assim como Rachel, creem que ficamos mais fortes na coletividade. Todas concordam que a resiliência e a capacidade de reinvenção do povo brasileiro são a mola que levará à transformação. “Somos batalhadores, olhamos para as nossas dores e queremos fazer algo melhor, curá-las”, explica a atriz paulista Maria Clara. Para ela, a faísca que vai dar início a um processo definitivo está próxima, basta aprendermos a nos articular. “As minorias descobrirão que reúnem muitas pessoas e não estão isoladas”, prevê.

Em 2017, Maria Clara foi protagonista da discussão dos direitos LGBT. Começou encorajada por estímulos pessoais. Relatou que sente o desespero de um gay que apanha na rua e imagina como a mãe dele estaria sofrendo. “É como se minha mãe estivesse sofrendo também”, afirma. Em entrevistas, sempre reitera o respeito aos transexuais e assumiu, na vida, o papel de educadora para quebrar o preconceito inconsciente. “Não se pode perguntar à pessoa trans o nome anterior nem questionar se já fez cirurgia”, ensina. Ela levou essa causa para o trabalho na novela A Força do Querer, da Rede Globo, que deu visibilidade ao personagem transexual Ivan, interpretado por Carol Duarte. Os altos números de audiência podem ser o contraponto a outro recorde – bastante incômodo – que o Brasil detém. Somos o país que mais mata travestis e transexuais no mundo.

“Não só eu ganhei voz. Artistas como Pabllo Vittar e As Bahias e a Cozinha Mineira mereceram destaque também. Não fomos descritos como vítimas, mas como trabalhadores que obtiveram reconhecimento”, completa. Se depender dela, a discussão permanece aberta. Em 2018, estará em uma série inspirada no livro Carcereiros, de Drauzio Varella. Interpretará uma detenta transexual, namorada de um presidiário. “Levo as lutas até a última instância. Se eu perder, terei tentado tudo. No caminho, quem sabe, tocarei algumas pessoas.”

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(Luis Crispino/CLAUDIA)

A esperança vence

Com tantas ideias fervilhando na cabeça, é hora de escrever as resoluções para 2018. Há muito a ser realizado, mas temos muitos braços para a obra. E, se em algum momento parecer difícil, deve-se contar com uma mulher forte que estiver ao lado. O que essas mulheres mostram é que não desanimarão. “A história é feita de passos para a frente e para trás”, ressalta Djamila. Os direitos conquistados nunca são permanentes; por isso, o segredo é seguir fazendo. Mesmo que apenas as gerações futuras venham a usufruir do nosso esforço.”

Outro estímulo é a certeza de que a mulher tem papel ativíssimo – embora precise aumentar, urgentemente, sua presença na vida pública. Ano que vem tem eleições para Presidência, governos estaduais, Congresso Nacional e Assembleias Legislativas. Mais mulheres precisam se eleger. Houve avanços em alguns pontos e podemos atingir muito mais. “Pare para analisar. Há 25 anos, não teríamos feito nada do que vemos agora. Aliás, nem em 2016 éramos tão influentes quanto somos hoje”, acrescenta Laís.

Com as conquistas, 2017 não pode entrar para a história como um ano ruim. As mulheres apenderam a exigir mais de quem está em postos privilegiados e de poder. Entenderam que a mudança começa nelas mesmas e em pequenos núcleos e que, depois, pode ganhar grandes dimensões. Quem já encontrou um caminho de liberdade, produzindo bons resultados, é uma inspiração. “Acho que somos o melhor deste país. E, se estamos incomodadas, nos mantemos em ação”, diz Taís. “Vamos usar nosso lado bonito, nossa capacidade de convencimento para chegar aonde planejamos.” Com essa energia de renovação, temos tudo para fazer de 2018 um ano de realizações que tornem o Brasil mais justo. Vamos?

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