Redes sociais são principais alvos de roubo de informações

O uso excessivo da internet fez crescer o número de ataques, o roubo de informações privadas e a proliferação de vírus

Fala-se mais em segurança digital desde março passado, quando o Facebook admitiu o vazamento de dados de 80 milhões de pessoas para a empresa inglesa Cambridge Analytica, de análise e marketing. Em abril, o governo brasileiro notificou o Facebook para explicar a suposta utilização de informações de 443 mil perfis atingidos no país.

A coleta de dados ocorreu por meio de um teste, daqueles engraçadinhos que aparecem na rede social perguntando “quem você foi na vida passada?”. Ao permitir o acesso à nossa página, acabamos disponibilizando e-mail, telefone e fotos para organizações que desconhecemos, sem imaginar como os conteúdos serão manipulados por elas.

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A fragilidade do ambiente virtual já havia sido escancarada um ano atrás em um ataque cibernético coordenado que atingiu 99 países. Um grupo de criminosos invadiu e paralisou sistemas, apropriando-se de documentos confidenciais de instituições privadas e públicas, como a Previdência Social no Brasil. Muito da nossa intimidade ficou em poder dos hackers.

Você pode estar se perguntando por que informações de pessoas comuns interessam a sofisticados esquemas tecnológicos. E qual a razão para essas plataformas entregarem seus usuários a terceiros. “As redes gratuitas só se sustentam ao monetizar os hábitos de quem as frequenta”, responde Miriam Von Zuben, analista do Centro de Estudos, Resposta e Tratamento de Incidentes de Segurança no Brasil. Por isso, elas “vendem” nossas características e nossos padrões de consumo e comportamento.

O que curtimos, o tipo de notícias que compartilhamos e de gente com quem nos identificamos ajudam o anunciante a direcionar suas propagandas e seus conteúdos para nossos computadores, tablets e celulares. Segundo Miriam, as políticas de uso não deixam claro que, no momento da criação de um perfil, ele passa a ser propriedade da plataforma. Ela acrescenta ainda que, embora haja uma expectativa do internauta de ter a privacidade resguardada, não há garantias de que isso ocorrerá.

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“São essas redes as principais áreas de ataque, já que as pessoas passam a maior parte do tempo no Facebook, Instagram ou WhatsApp”, afirma Marco de Mello, fundador da Psafe, empresa brasileira de segurança digital, baseada no Vale do Silício, onde estão sediadas as maiores companhias de tecnologia do mundo.

O executivo atribui o problema à explosão do uso de smartphones, que permite conexão em qualquer lugar. Ele observa que falta aos usuários a consciência de que a segurança de cada um de nós é, antes de tudo, de nossa responsabilidade. “O raciocínio é simples. Se, ao sair de casa, trancamos a porta, nos cabe adotar medidas parecidas para barrar o acesso aos dispositivos”, diz.

Marco conta que até na senha do roteador, responsável pelo tráfego de pacotes de dados na internet, pode morar o perigo. “O ideal é que, feita a colocação do aparelho, a senha seja trocada. Aquela que veio da fábrica não é confiável”, afirma. Ela passa por funcionários da indústria, vendedores e técnicos de instalação antes de chegar às casas.

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Também é necessário estar atenta à entrada de vírus por meio de páginas falsas de bancos e lojas, por exemplo. Há ainda os links fraudulentos, enviados por SMS (malwares), que pegam carona em promoções reais, de marcas conhecidas e idôneas.

Recentemente, consumidoras desavisadas caíram em uma armadilha que usou a campanha de uma empresa de beleza para atraí-las. Especializada em segurança da informação, a advogada Sandra Tomazi, do escritório Peck Pinheiro, salienta que delitos virtuais estão sujeitos às mesmas penalidades que infrações no mundo real.

A questão é a quem recorrer e de que forma comprovar o crime. “Para configurar invasão, é necessário que alguma barreira tenha sido transposta ilegalmente”, explica Sandra. “Por exemplo, um bloqueio de senha para entrar no computador.”

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