Primeiros socorros para os filhos pequenos

Evite sustos: veja o que fazer quando seu filho se acidentar em casa

Não entre em pânico, aprenda a acalmar e cuidar do seu bebê
Foto: Getty Images

Você se distrai um nadinha e o pequeno logo encontra uma tomada onde enfiar o dedo, leva uma mordida do amigo no tanque de areia ou resolve colocar a sacolinha de plástico na cabeça. Acidentes desse tipo acontecem a todo o momento. Para não entrar em pânico, saiba como acalmar e cuidar do seu bebê

Situação 1 – Prende a mãozinha na porta

O primeiro passo é acolher seu filho, segurando-o no colo. “O contato físico é essencial para confortar e transmitir segurança. A proximidade também permite que a mãe examine melhor o machucado”, diz a fisioterapeuta materno-infantil Denise Gurgel, de São Paulo. Os danos dependem da violência do impacto. Se a própria criança bateu a porta, dificilmente será grave, porque sua força é pequena. Uma compressa de água fria vai aliviar o desconforto. “Se houver sangramento, inchaço ou choro incontrolável, procure um pronto-socorro. Pode ter havido uma fratura”, diz o pediatra Clóvis F. Constantino.

O que não fazer: perder o controle. Gritos e broncas só pioram a situação e aumentam o pânico do pequeno.

Situação 2 – Enfia o dedo na tomada

Como as tomadas domésticas não costumam passar alta voltagem, é provável que o dano se resuma ao choque leve e ao susto. Colo e uma historinha podem resolver. “Diga, por exemplo, que dentro da tomada vivem bichinhos bravos que afastam os visitantes com um choque”, explica a psicóloga Ana Merzel Kernkraut. No caso de queimadura leve, lave a mão em água corrente. “Procure um pronto-socorro se a criança estava molhada ou descalça na hora do choque ou se desmaiar, tiver bolhas no local da queimadura ou manchas avermelhadas na pele”, alerta Constantino.

O que não fazer: demonstrar preocupação excessiva. Se achar difícil manter a calma, peça ajuda a alguém.

Situação 3 – Cai e morde a língua

Vai sair uma quantidade imensa de sangue, mas não se impressione. Isso acontece porque a língua é muito irrigada por pequenos vasos. Estanque o sangramento com uma gaze e ofereça água fresca para o pequeno bochechar – se ele ainda não sabe como fazer, aplique um cubo de gelo envolvido em gaze no local para aliviar a dor. “O único cuidado é verificar se, na queda, a criança não bateu outras partes do corpo, principalmente a cabeça. Caso ela fique sonolenta, apática, vomite ou movimente-se de maneira estranha, é melhor procurar um pronto-socorro”, indica João Maksoud Filho, cirurgião pediátrico, de São Paulo.

O que não fazer: dar pouca importância ao choro. “Se a criança não se consolar em um intervalo de meia hora, leve-a ao médico”, recomenda Ana.

Situação 4 – Leva uma mordida do amigo e sangra

Lave bem o local com água corrente e sabonete. Depois, estanque o sangue com uma gaze. Enquanto isso, explique à criança que o amigo estava bravo, mas que morder não é certo. Não economize nos carinhos até acalmá-la. Se o corte for grande, ligue para o pediatra – ele pode recomendar algum antisséptico específico ou um curativo para proteger a região.

O que não fazer: aplicar infusões caseiras ou pomadas sem orientação médica, pois há risco de infecções.

Situação 5 – Atira-se do berço

Vale seguir o passo a passo básico: pegue o bebê no colo, acalme-o e explique que ele caiu, mas agora está seguro de novo e a mamãe vai cuidar dele. Ao mesmo tempo, vá apalpando corpo e cabeça para verificar se o filho reclama de dor em um ponto específico. “Se alguma região inchar demais depois de alguns minutos ou se houver mudança súbita de comportamento, o pediatra deve ser consultado”, avisa Macksoud.


O que não fazer: Deixar a criança dormir após a queda. “Enquanto ela dorme, fica impossível avaliar se está respondendo bem aos estímulos ou se dá sinais de apatia, o que é preocupante”, diz Denise.

Situação 6 – Queima-se com café ou chá

Você está tomando o café da manhã, e o bebê, no colo, dá um tapa na xícara derramando o líquido quente sobre o corpinho. Lave a região afetada com água fria para diminuir a ação do calor no local. “Por mais nova que seja a criança, converse com ela explicando que queimou um pouco, mas já vai passar. Ela pode não entender bem, mas ficará mais tranquila”, diz Ana. Caso nada a acalme ou a área queimada seja grande, esteja muito avermelhada ou com bolhas, leve seu filho ao pediatra imediatamente.

O que não fazer: usar pomadas, cremes, manteiga, clara de ovo, pasta de dentes etc. em queimaduras sem orientação médica ou furar as bolhas que surgirem. “Essas atitudes aumentam o risco de infecções locais”, adverte Denise.

Situação 7 – Enfia uma sacola plástica na cabeça

Retire a sacola imediatamente. Se a criança estiver respirando bem, acalme-a dizendo que não pode fazer isso. Caso esteja sem ar, deite-a de costas, apoie o pescocinho em uma das mãos e coloque a outra sobre a testa dela, inclinando a cabeça para trás com suavidade. “Quando a dificuldade de respirar persiste, é preciso iniciar a respiração boca a boca e correr para o pronto-socorro ou chamar a emergência”, indica Camila. Faça o mesmo se o bebê desmaiar. “Pode ser sinal de que houve interrupção da respiração, o que traz risco de danos neurológicos”, alerta Constantino.

O que não fazer: perder tempo tentando reanimar a criança em casa. Quanto antes ela receber socorro médico, menor o risco de sequelas graves.

Situação 8 – Engole uma peça de brinquedo

Corra para o pronto-socorro. “O objeto pode parar em algum ponto das vias respiratórias (com risco de obstruir a passagem do ar) ou em uma curva do intestino. Só o médico é capaz de avaliar a necessidade de retirá-lo cirurgicamente”, diz Constantino.

O que não fazer: manobras em casa para remover o objeto ou forçar o vômito. “Essas tentativas podem empurrar o corpo estranho para um ponto ainda mais perigoso do organismo”, afirma Denise.