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O que fazer quando a criança fala algum palavrão?

Espertas, elas reproduzem os xingamentos ouvidos mesmo sem saber seu significado. Saiba como melhorar o vocabulário do seu filho e como reagir quando essa situação acontece

Por Nathalia Molina (colaboradora) Atualizado em 16 jan 2020, 10h16 - Publicado em 18 set 2012, 21h00

A professora vai ao banheiro e, quando volta à sala, dá de cara com um palavrão escrito na lousa. Em vez de passar um  sermão, ela lista todas as formas bonitas de se dizer a mesma coisa. Essa situação realmente ocorreu, e a resposta da professora à provocação dos alunos impressionou a pedagoga Maria Angela Barbato Carneiro, coordenadora do Núcleo de Cultura, Estudos e Pesquisas do Brincar da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). “Ela desmontou as crianças!”

Para ela, em vez de repetir o tempo todo “não pode falar isso”, os pais devem ajudar seus filhos a se expressarem de outras maneiras. Nem sempre dá para ser tão direta como a professora do exemplo: –crianças pequenas não entendem isso. Mas é possível dizer o que pensamos sem falar um único palavrão.

7 respostas para as suas maiores dúvidas

1. O que fazer quando a criança fala palavrão pela primeira vez?

Se não foi dito de forma bem clara, vale até fingir que não ouviu para não chamar atenção ao fato. Mas, se foi em alto e bom som, explique que é feio e mostre outras palavras que ela pode usar para pôr para fora raiva ou euforia. ““Os pais podem sugerir palavras mais leves para ela expressar os sentimentos””, diz Maria Angela.

2. E se ela continuar falando palavras inadequadas?

“Aí os pais têm de impor regras, limites. “Podem tirar alguma coisa de que a criança goste, por exemplo””, diz a especialista da PUC-SP. Uma ideia? Proibir seu filho de ver desenho. Mas tem de cumprir o combinado, por mais que doa em você a punição! Ele tem de saber que, de fato, vai perder alguma coisa se continuar desobedecendo.

3. Os pais devem explicar o que o palavrão significa?

Quando a criança é pequena, ela já sabe que não é correto falar, mas, na maioria das vezes, ela nem tem ideia do que está dizendo. Pode até saber em que situação se fala aquilo, mas não entende o significado. Melhor não explicar para não reforçar o uso do palavrão. A partir de 7 ou 8 anos, já dá para transformar esse momento em aprendizado. “”Nessa fase, a criança começa a usar o dicionário, e dá para aproveitar e pesquisar junto com ela palavras que podem substituir a palavra pesada””, ensina Maria Angela.

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4. Quando a criança começa a falar palavrão?

“Geralmente bem pequenininha. “Com 2 anos e meio ou 3 anos, ela já repete um palavrão””, explica a pedagoga. É só começar a falar melhor, e o risco já está lá. Corrija desde cedo.

5. Hoje a garotada fala mais palavrão do que antigamente? Por quê?

“As palavras que a criança aprende não têm relação com os tempos modernos. “A linguagem está ligada ao ambiente onde ela vive””, diz Maria Angela. Ou seja, se a família fala mais palavrão, os filhos tendem a falar também. Mas, segundo a especialista, algumas crianças e adolescentes conseguem separar as coisas: usam palavrão na escola, mas não em casa.

6. Se os pais não dizem palavrões, devem afastar o filho de quem fala?

Não precisa. ““Quando é alguém da família ou um amigo mais próximo, os pais podem conversar e pedir para não falar na frente da criança””, aconselha a pedagoga. Afinal, seu filho não pode ser isolado do mundo, mas também não dá para deixar o palavrão virar um hábito para ele.

7. Adultos costumam achar engraçado ouvir criança falar palavrão. É certo rir?

Pode ser a palavra mais horrorosa do mundo, mas dita por aquela fofurinha… Se achar engraçado e não conseguir se controlar, evite que a criança perceba isso. Ela não entende que foi uma reação por impulso. Pode pensar que está agradando e aí vai repetir muitas vezes o palavrão.

Palavrão mágico!

“”Uma dica que funciona com crianças pequenas é inventar com elas uma palavra toda diferente e ‘atrapalhada’ para elas usarem quando quiserem desafogar a raiva ou alguma decepção””, explica a pedagoga. Assim, seu filho pode “xingar” sem xingar de verdade e sem que todo mundo fique olhando espantado aquele ser fofo dizendo coisas pesadas.

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