Norte-americana cria história em quadrinhos para ajudar crianças com câncer

A terapeuta ocupacional Shira Frimer se inspirou na habilidade com crianças do marido para criar personagens fortes e inspiradores.

Foto: Divulgação

O enredo do primeiro livro da americana radicada em Israel Shira Frimer é de ação, mas a inspiração veio de uma história digna de filme de amor. Aos 15 anos, ela se apaixonou por Yaakov, um colega da escola. O arrebatamento da adolescência virou namoro sério e, quatro anos depois, noivado. Mas o sonho de passar o resto da vida juntos foi interrompido por um diagnóstico trágico.

Yaakov descobriu que estava com sarcoma de Ewing, um tipo de câncer nos ossos.

“A notícia foi devastadora, mas éramos otimistas. Acreditávamos que nosso amor nos ajudaria a superar esse obstáculo”

Tanto que casaram e tiveram filhos. Mas, infelizmente, o marido perdeu a luta contra a doença depois de seis anos, quando os gêmeos do casal tinham só 2 anos – hoje estão com 16. “Precisei encontrar um jeito de superar o luto, de ficar mais forte”, lembra a terapeuta ocupacional, que se dedicou aos meninos e se refugiou nos livros. Por influência de um amigo, começou a ler histórias em quadrinhos e virou fã de clássicos da área, como Sandman, de Neil Gaiman.

As HQs arrancaram Shira da paralisia causada pela dor. “Comecei a me lembrar de como Yaakov estava sempre de bom humor e de sua habilidade para tranquilizar e divertir as crianças internadas na ala oncológica do hospital.” As qualidades do marido inspiraram Shira a criar um personagem forte, um legítimo super-herói.

“Vi que existiam justiceiros que escalavam prédios altos, salvavam vítimas de crime, mas nenhum dava àquelas crianças o que mais precisavam: força para enfrentar o tratamento difícil”, diz. Assim nasceu Nistar, sua estreia no mercado editorial.

É uma aventura com influência do judaísmo, religião que o marido seguia e que ela estuda até hoje. O título significa oculto em hebraico e, na história, é um universo paralelo onde os sonhos e as fantasias passam a ser verdade. O jovem médico JJ Barak vai a Nistar para enfrentar Karkin, pai de todo o mal – inclusive do câncer -, em uma batalha épica. “O próprio JJ é um sobrevivente da doença. Ele mostra às crianças que a esperança e o poder para vencer estão dentro delas”, conta ela.

Foram dez anos produzindo a história, ilustrada por Josef Rubinstein, famoso desenhista que já trabalhou para a Marvel e a DC Comics, as duas maiores editoras de quadrinhos. No ano passado, a terapeuta conseguiu arrecadar 25 mil dólares com doações online em menos de dois meses.

A quantia bancou a impressão de 5 mil exemplares e a viagem para distribuí-los em 50 hospitais especializados em oncologia infantil nos Estados Unidos. Aos 38 anos, ela agora quer escrever a continuação de Nistar. “Desta vez, ampliarei a trama para alcançar crianças que enfrentam outras enfermidades.” E, como Shira não é de sonhar pequeno, ela também planeja, em 2014, levar JJ Barak e sua turma para as telas de cinema.