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Nena, de 87 anos, usa o tricô como suporte emocional e financeiro

Com um post em um grupo no Facebook, o Tricô da Nena teve as vendas alavancadas e uma onda de afeto para a empreendedora

Por Ana Carolina Pinheiro - Atualizado em 26 jul 2020, 13h12 - Publicado em 26 jul 2020, 14h30

Apostar fichas no próprio negócio é uma prática bastante presente na vida dos brasileiros. Segundo informações do Governo Federal, por ano, o país ganha aproximadamente 600 mil novos empreendimentos. Dentro desses negócio, observa-se a presença intensa de donos acima de 65 anos. A Global Entrepreneurship Monitor (Sebrae) afirma que atualmente esse grupo já soma 2 milhões de pessoas, que buscam completar a renda ou até mesmo viver exclusivamente dessa fonte.

Com a pandemia, a necessidade de reinvenção, característica marcante do empreendedorismo, tornou-se ainda mais necessária. A Organização Mundial da Saúde (OMS) enquadra essas pessoas dentro do grupo de risco, logo o isolamento deve ser feito com ainda mais fidelidade. Seja por necessidade financeira ou para ocupar o tempo, ideias pipocam pelos lares do Brasil e caem cada vez mais no gosto de clientes, novos ou antigos. Alguns idosos ganham até uma mãozinha de familiares, como filhos e netos.

Em São Paulo, na casa da Dona Nena, de 87 anos, esse movimento aconteceu depois de um momento de perda. Com a morte do marido, a senhora encontrou forças no tricô para continuar de pé e fortalecida. Uma das netas da Nena, a Carolina Chan Ramos, também resolveu experienciar a atividade ao lado da avó. “Com quatro mãos fica mais fácil. Além de ajudar com o tricô, também crio a arte e texto dos posts e faço as divulgações”, comenta sobre o funcionamento do negócio.

Nena, 87 anos, criou um empreendimento de tricô durante a pandemia Acervo pessoal/Reprodução

A relação da Dona Nena com a arte de tricotar não é de hoje. “Aprendi com a minha mãe quando tinha uns 12 anos, desde então faço tricô e crochê. Quase sempre fiz a pedido de amigos ou para presentear alguém, mas nunca foi uma fonte de renda aqui em casa. Esse ano, não foi só a pandemia que mudou as coisas por aqui, também fiquei viúva e dona das contas também”, comenta a empreendedora.

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“Meu avô faleceu em janeiro deste ano e, após 67 anos de casamento, agora minha avó se viu desafiada a ter uma renda própria, por necessidade e independência. A quarentena está sendo especialmente desafiadora aqui em casa, mas, apesar de todos os pesares, veio para tirar um pouco o foco desse luto tão recente. Então, o tricô, que sempre foi um talento dela e até uma renda extra esporádica, virou negócio, agora que eu também perdi o emprego”, explica a neta.

Para aumentar as vendas, Carol usou as redes sociais como plataforma de divulgação do trabalho da avó. Bastou um post em um grupo no Facebook para transformar os rumos do negócio. “Hoje estou aqui para contar sobre o poder de uma garota de 87 anos, minha avó Nena. Mãe de 2 do ventre e 1 de coração, avó de 6 e bisa de 1, agora que essa mãezona perder [perdeu] seu parceiro de uma vida toda, está se reinventando e encontrando uma nova fonte de renda em meio a tantos de seus talentos. Apresentamos a vocês o Tricô da Nena, canal de vendas das lindezas que a Nena faz com muito amor e mãos de fada. Golas, cachecóis, mantas, roupinhas de bebê e criança… Tem amor em tricô para todo mundo!”, Carol publicou no Grupo Garotas no Poder no dia 2 de junho.

Além das inúmeras encomendas que o post rendeu para o Tricô da Nena, a senhora ainda foi agraciada por uma onda de afeto por parte das usuárias da rede social. “Temos perfil no Instagram e Facebook, que publicamos nossas criações e recebemos nossos pedidos. Ficamos superanimadas cada vez que uma pessoa que não conhecemos começa a nos seguir. É um brilho de esperança em meio a tantas mudanças em nossas vidas”, afirma Nena, que cria peças quentinhas e com muita atenção ao acabamento. Ficou com vontade de conhecer e garantia uma touca, cachecol, luva, entre outros itens? A Tricô da Nena mostra tudo isso em suas páginas no Facebook e Instagram.

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