Minha empresa não deu certo. E agora?

Nossa colunista Cynthia de Almeida acalma a empreendedora que se vê obrigada a voltar para o mundo corporativo

Deixei um emprego e apliquei minhas economias em uma start up que era meu sonho, mas não deu certo. Um ano depois, estou sem dinheiro e, embora não goste da ideia, acho que vou voltar para o mundo corporativo.

Se você não gosta da ideia de voltar a trabalhar em uma empresa, já tem uma ótima pista. Você, apesar das dificuldades vividas na pele, prefere a vida de empreendedora à de funcionária. Não há nada de errado com o fato de ter fracassado na primeira tentativa (pelo menos até aqui). Essa palavra, fracasso, tem uma carga negativa que pode ser paralisante. Não fomos treinadas para ela. O fracasso, porém, é tão ou mais importante que o sucesso na carreira de um empreendedor. No Google, gigante tanto em lucros quanto em inovação, eles têm um programa genial para preparar seus funcionários para encará-lo. Antes de lançar um novo projeto, desenham o worst-case scenario (o pior cenário) para o produto e listam todos os erros que possam ser cometidos e tudo o que pode funcionar mal. Chamam esse processo de análise pré-mortem. O objetivo principal, conta o diretor de operações de equipes Laszlo Bock, não é realmente evitar que algo dê muito errado (sempre dá), mas habituar o time a conversar sobre fracasso, a não ter medo dele.

No seu caso, além de pensar se não vale insistir no sonho, há outra questão a ser examinada com cuidado: um ano é pouco tempo para definir que um empreendimento fracassou. O tempo médio para essa definição costuma ser de três anos (que, não por acaso, é o tempo para o qual você deve programar reservas financeiras para se manter). Estude e analise se é hora de fechar ou de fazer ajustes e seguir adiante. Converse com pessoas, pense em financiadores possíveis e, principalmente, não tenha medo. Mesmo se tiver que voltar a trabalhar em uma empresa, não esqueça o sonho e volte a ele assim que puder.

Cynthia de Almeida é colunista de carreira em CLAUDIA e escreve aqui no site toda terça-feira. Alguma dúvida sobre o trabalho? Escreva para ela!