Meu filho tem medo de dormir sozinho. O que fazer?

Especialistas indicam maneiras de contornar a situação

 

Aos 10 anos, meu filho regrediu. Tem medo do escuro e de dormir sozinho. À noite, não toma banho nem vai à cozinha sem companhia. Durante o dia, pelo contrário, é um líder, mais corajoso que os amigos. O que está acontecendo?

Antes de mais nada, lembre-se de que é saudável o pequeno expressar suas fragilidades. “A regressão faz parte do desenvolvimento humano em todas as idades, já que nosso amadurecimento não é linear. E é muito bom que se tenha abertura para falar sobre isso”, destaca a psicóloga Marina Mauaccad, de São Paulo. O medo pode ser disparado por questões de fora ou ser inerente ao próprio amadurecimento. Vale refletir se houve alguma mudança recente em casa ou na escola que possa estar provocando ansiedade na criança. Converse com seu filho e deixe claro que ele pode se abrir em relação ao que o aflige. “Não tente corrigir seus sentimentos, mas ofereça acolhimento”, alerta Marina. “Se dormir com a luz acesa proporciona conforto a ele nessa fase, por que não?”, observa. A psicóloga Raquel Manzini, de Brasília, concorda. “De dia, com a criança ocupada e feliz, os conflitos internos somem. À noite, eles aparecem, e ela precisa sentir que a família está ali ao seu lado.”

Outra possibilidade é que, aos 10 anos, ele esteja mais consciente dos perigos do mundo, diferentemente de quando era mais novo e se sentia totalmente protegido no lar. A educadora e neuropsicóloga Adriana Fóz, que coordena o projeto Cuca Legal, da Uni­versidade Federal de São Paulo, voltado à promoção da saúde mental de jovens em idade escolar, frisa o peso que o rótulo de líder pode trazer. “Talvez ele se sinta tão exigido que acabe ficando estressado”, afirma. Ainda que você não ache que esteja cobrando de seu filho que seja o melhor, analise se não passa essa imagem ao exigir demais de si mesma. Adriana cita um caso de um menino dessa idade que sempre teve um desempenho excelente nos estudos e de repente “travou” e desenvolveu síndrome do pânico. “A família é compreensiva, diz ao garoto que ele pode relaxar, mas o próprio pai, um alto executivo, se cobra demais”, observa ela. Diálogo e carinho são importantes, mas o modelo que se entende como o “certo” influencia muito os sentimentos. A neuropsicóloga atenta também para o fato de que o garoto está prestes a entrar na puberdade. “O corpo está começando um grande processo de mudança, e alterações químicas típicas dessa fase podem desencadear o medo”, explica. Pense em procurar orientação profissional apenas se o desconforto dele estiver exacerbado, causando, por exemplo, insônia. À noite, proponha atividades relaxantes, como um chá e leitura, para ajudá-lo a desligar.

 

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