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Dona Raimunda é uma supermãe

Minha supermãe dedicou sua vida aos 22 filhos

Por Redação M de Mulher Atualizado em 21 jan 2020, 12h31 - Publicado em 28 out 2008, 21h00

A minha mãe e as suas 10 filhas mulheres
Foto: Arquivo pessoal

Minha mãe, que hoje tem 88 anos, casou-se aos 17. Foi um casamento arranjado, papai era de uma família conhecida. Eles moravam em Canimbé, no sertão cearense. Até então só pegavam na mão um do outro. Mas bastou casar e, em menos de um ano, ela já estava grávida do Juvencio. Eu sou a 21ª dos filhos. O mais velho tem 70 anos e a mais nova 43. Hoje somos 15 vivos, nove mulheres e seis homens.

A gente morava na roça e, mesmo grávida, mamãe nunca deixou de trabalhar. Até porque estava sempre grávida. E parto nenhum foi feito em hospital — minha mãe nunca foi sequer ao ginecologista! Todos nós nascemos com parteira em casa.

No ano passado minha mãe foi pela primeira vez ao médico. Ela teve um infarto e foi parar em um hospital público. Fez uma angioplastia e saiu da UTI 100%. Como ela mesma diz, a saúde de ferro é fruto do carinho dos filhos. Mas na verdade é conseqüência de uma vida saudável, sem fumo, bebida e recheada de alimentos naturais. Nem mesmo quando meu pai faleceu, há oito anos, aos 99, ela baqueou — e olha que foram 62 anos juntos! — pelo contrário, foi ela que nos deu forças.

Meus pais se mudaram pra Fortaleza quando eu tinha três anos. Aqui, papai abriu uma mercearia. Nunca tivemos luxo, nossa casa tinha quatro cômodos: sala, cozinha e dois quartos — e um monte de redes. Todos nós estudamos pelo menos até acabar o segundo grau. Alguns fizeram até faculdade. Mas a maior de todas as lições não foi na escola que a gente aprendeu, foi com ela. Que brigar não vale nada e que família existe pra se ajudar.

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