Dinheiro é assunto de família, diz o consultor financeiro Gustavo Cerbasi

Em seu novo livro, o consultor financeiro Gustavo Cerbasi revela conselhos que recebeu em casa e aos quais atribui parte do seu sucesso profissional. Aqui, ele divide um pouco desse aprendizado e estimula as famílias a falar mais de renda e gastos

“É preciso arranjar momentos para falar em dinheiro e em prioridades e insistir no tema”, diz Gustavo Cerbasi
Foto: Divulgação

Pela fama de assunto chato ou desagradável, que pode até deflagrar brigas homéricas, o dinheiro é quase sempre banido das conversas em família. Diferentemente do que pensa e pratica a maioria, porém, falar dele em casa faz bem. Com tal atitude, os adultos desfazem tabus e passam a administrar melhor o bolso e o orçamento doméstico. Já os casais derrubam segredos e estreitam laços. E as crianças aprendem logo cedo lições que vão usar a vida inteira. “Uma boa educação financeira é garantia de estabilidade e situação bancária saudável no futuro”, defende o expert em economia pessoal e familiar Gustavo Cerbasi. Autor de 11 livros, ele já vendeu mais de 1,5 milhão de exemplares – e um de seus best-sellers, Casais Inteligentes Enriquecem Juntos (Gente), inspirou a comédia Até Que a Sorte Nos Separe. O filme teve Leandro Hassum e Danielle Winits nos papéis principais e participação especial do próprio Cerbasi.

Abaixo o tabu!

Na infância do hoje consultor, dinheiro nunca foi tema proibido em casa. Pelo contrário. Segundo ele, o pai era um administrador de empresas rígido, conhecido por seus funcionários pelos apelidos de Xerife e Tirano. Em casa, era o único provedor e costumava tomar sozinho todas as decisões financeiras. Mas não havia mistérios, e ele deixava claro para a mulher e os filhos que sempre existiam prioridades para guiar suas resoluções. Uma nunca negligenciada era a educação. “Ele não se incomodava em gastar com as melhores escolas”, conta Cerbasi. O expert diz que, apesar de centralizador, o pai era um bom negociador para ganhar adesões aos sacrifícios necessários para o bom andamento das finanças domésticas. Chegou a doar o cachorro de estimação porque os gastos com ele eram altos demais e estavam além das possibilidades do momento. Mas não sem antes conversar muito com as crianças e escolher um bom novo lar para o cão. Cerbasi declara que, com seu jeito, o pai lhe deu boas noções de como fixar metas, escolher renúncias possíveis, administrar os recursos disponíveis e outras lições, que ele garante terem sido essenciais para chegar aonde chegou. Todas estão no mais recente de seus livros, Dez Bons Conselhos de Meu Pai (Fontanar), lançado neste ano.

Hoje, aos 39 anos, casado há 11 e pai de três crianças, de 2 a 6 anos, ele fala abertamente de dinheiro não só no trabalho, mas também em casa. E procura dividir as decisões financeiras que afetam o grupo. “O diálogo é uma das ferramentas mais importantes para o controle do orçamento doméstico”, ressalta. Para famílias em que renda e gastos ainda são tabu, ele recomenda começar já a criar espaços de conversa. “É preciso arranjar momentos para falar em dinheiro e em prioridades e insistir no tema até que se torne um hábito abordá-lo com frequência e naturalidade”, afirma.

A meta é ser feliz

Seguidor da filosofia do psiquiatra e educador Içami Tiba, autor de Quem Ama, Educa! (Gente), Cerbasi diz dar importância a regras e disciplina. “Crianças também têm que entender o valor do dinheiro e a necessidade de cuidar das finanças. Mas, com elas, nem sempre funciona usar números. A compreensão será mais fácil se recorrermos a situações concretas.” Por exemplo, os pais podem incentivá-las a administrar a mesada, orientando a fazer escolhas sobre onde e quando empregar o que ganham. “Essa lição de controle evita gastos indevidos no futuro, como extrapolar o limite do cartão de crédito, uma das maiores causas de endividamento hoje.”

Filhos espertos no assunto são valiosos, pois engajamento é a palavra-chave para manter a família no azul. Ao pensar no orçamento da casa, Cerbasi indica fazer as seguintes perguntas: “Estou feliz?”; “Todos aqui estão felizes?”; “O que falta ou está sobrando no nosso estilo de vida?” Só assim é possível definir o melhor rumo para cada real que entra. Quanto maior a participação de todos nessa reflexão, mais acertadas serão as decisões financeiras tomadas. A viagem de férias é fundamental para a felicidade geral? Ou é a reforma da casa que trará mais satisfação agora? “Os laços familiares se fortalecem se todos se unirem em torno de uma meta”, explica.

Acordos coletivos

Nas conversas sobre finanças, a família inteira precisa entender que o dinheiro do salário não serve apenas para pagar as contas no final do mês. “Todo ganho deve ter uma parcela reservada para o futuro”, diz Cerbasi. Segundo ele, esse futuro pode ser traduzido tanto em um depósito na poupança ou na aposentadoria privada quanto em um curso que contribuirá para o aumento da rentabilidade da casa. “Quando planejada, a vida apresenta menos imprevistos”, observa. Mais uma vez é importante que informações sobre o uso do dinheiro e as razões dessa ou daquela escolha circulem livremente nos limites domésticos. Assim, não haverá focos de insatisfação dentro do lar e até boicotes. Também por isso, todo sacrifício em prol do bem comum deve ser acordado antes. Não adianta ter investimentos cada vez mais robustos se há um integrante da família infeliz porque não pode mais fazer nada do que gosta. Ajuda nos acordos coletivos se todos souberem qual recompensa terão em troca do esforço. “Vamos comer fora menos vezes no semestre, mas faremos nossa melhor viagem no final do ano”, exemplifica Cerbasi. “Sair da zona de conforto vale a pena se a gente sai ganhando depois.”
 

Veja galeria com conselhos para você prosperar, baseados no livro Dez Bons Conselhos de Meu Pai

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