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Curada do câncer, menina arrecada leite para crianças doentes

"Quando eu tinha câncer faziam leite para mim no hospital e eu gostava', disse a pequena Beatriz que doou 5.274 litros da bebida a pacientes em tratamento

Por Maria Beatriz Melero Atualizado em 9 Maio 2017, 19h22 - Publicado em 9 Maio 2017, 14h07

“Quando eu tinha câncer faziam leite para mim no hospital e eu gostava muito”, disse a pequena Beatriz que doou 5.274 litros da bebida a pacientes em tratamentoDepois de um a luta contra o câncer, a pequena Beatriz Trivelato Simionato, 9 anos, decidiu celebrar sua vitória contra a doença ajudando quem ainda está na batalha pela vida.

Dia antes de completar seu nono aniversário – comemorado em 6 de maio-, a garota se empenhou em realizar uma campanha para arrecadar caixas de leite para seres doadas às crianças que ainda estão internadas.

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Uma situação que ela conhece muito bem. “Quando eu tinha câncer faziam leite para mim no hospital e eu gostava muito de beber leite. Então eu resolvi doar o leite para as outras crianças que ainda estão lá“, relatou Beatriz ao G1.

Encabeçada pelo pais da menina, Cintia Cristiane Trivelato e Luiz Roberto Simionato, a campanha arrecadou e doou 5.274 litros de leite aos pacientes em tratamento contra o câncer.

“Começamos a divulgar nas escolas e a campanha foi crescendo de uma forma que a gente jamais imaginou. Todo mundo começou a compartilhar, cantores começaram a gravar vídeos pedindo doação. Teve gente do Rio de Janeiro, de Minas Gerais, gente que conheceu pela internet e quis participar”, contou Cintia.

A inspiração de Beatriz

O grande incentivo para a campanha foi a história de Beatriz, diagnosticada em 2012, aos 4 anos, com três linfomas do tipo Burkitt no abdômen.

“Numa consulta de rotina o pediatra notou que ela estava com a barriga inchada e entrou com uma medicação para verme. Como não surtiu efeito, ele começou a investigar e nos exames seguintes foi constatado um tumor. Fomos encaminhadas para o HC e lá foi constatado que eram três cânceres“, lembrou a mãe.

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A confusão inicial do diagnóstico desse tipo de câncer é comum, porque os sintomas estão ligados a dores abdominais, segundo o oncologista pediátrico Robson de Castro Coelho. “A pessoa vai ao pronto-socorro, o médico acha que é uma apendicite e na hora da cirurgia encontra a massa que é o linfoma.”

Começou, então, a jornada de Beatriz pelas sessões de quimioterapias para o tratamento do câncer – o que chegou a resultar na perda do cabelo da criança.

A garota recebeu a grande notícia positiva dos médicos em agosto do mesmo ano, quando foi avisada que estava curada da doença. Para a mãe de Beatriz, o diagnóstico precoce foi fundamental para a cura da filha. “Tudo que seria feito num procedimento normal de nove meses conseguiu ser realizado em três, e ela reagiu muito bem ao tratamento.”

O diagnóstico precoce do câncer pode, de fato, colaborar para o sucesso da cura da doença. “As peculiaridades de cada indivíduo bem como a área de cometimento e instituição do tratamento precoce corroboram um bom prognóstico”, segundo o artigo Aspectos Clínicos e Tomográficos do Linfoma de Burkitt em Paciente Pediátrico.

Atualmente, Beatriz ainda faz visitas ao hospital para que os médicos possam acompanhar o seu caso. Consequentemente ela convive com crianças em situação parecida com a que ela passou.

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E foi justamente essa conviviencia que a motivou a se mobilizar pela arrecadação de leites.”Ela é muito humana, sempre pensa muito no outro, é muito apegada com as crianças pequenininhas que estão lá. À noite, ela pede a Deus para curar as crianças, assim como ela foi curada. Ela está ótima, graças a Deus”, disse Cintia.

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