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Como manter a harmonia na nova família

Pais separados, madrastas, padrastos, enteados, meio-irmãos... Veja como criar uma relação tranquila entre seus filhos, seu novo companheiro (e os filhos dele!)

Por Ana Bardella (colaboradora) - Atualizado em 21 jan 2020, 22h23 - Publicado em 24 Maio 2015, 16h00

Quando duas pessoas começam um casamento, dificilmente imaginam que a história feliz pode terminar em divórcio. No entanto, essa é a realidade de muitas famílias: somente em 2014, mais de 50 mil separações foram registradas no Brasil. Diante desse cenário, nada mais natural que ambas as partes busquem reestruturar a vida, muitas vezes se casando de novo. Passar por tudo isso já é um desafio complicado, imagine só quando tem criança na jogada! Aprender a conviver com o padrasto ou madrasta e, às vezes, com os filhos deles é um processo que merece cuidado para evitar traumas e desentendimentos.

Os primeiros passos

Pense bem antes de apresentar o namorado

Não existe um tempo certo para contar aos filhos que está envolvida em um novo relacionamento. Nessas horas, é preciso ter bom senso e procurar colocar-se no lugar da criança ou do adolescente. Dizer que está namorando poucas semanas depois de o casamento acabar, por exemplo, pode magoar e confundir. “Em compensação, adiar o momento por anos até que o filho esteja maduro para entender os acontecimentos também não é o ideal”, explica Laura Soares, professora de psicologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Ouvir a mãe ou o pai conversando intimamente por telefone com alguém desconhecido é motivo suficiente para fazê-lo se sentir enganado ou com raiva. Conforme as crianças vão amadurecendo, passam a compreender o que acontece a seu redor.

Vá devagarinho

Na tentativa de tornar o momento especial, alguns pais podem exagerar na hora de apresentar o futuro padrasto ou a futura madrasta aos filhos. O melhor nesse caso é não pegar as crianças de surpresa. Primeiro, conte que está namorando. Depois, não necessariamente no mesmo dia, pergunte a elas se têm curiosidade de conhecer a pessoa. Quando a data do encontro estiver marcada, procure deixá-las seguras, explicando onde a apresentação acontecerá e quem estará presente. “Quanto mais gradual for o processo, mais tempo elas terão para construir a relação”, diz a psicóloga. Ah, e o mesmo vale para os casos em que se cogita morar com o parceiro: expor o desejo e escutar o que os filhos têm a dizer sobre o assunto antes de tomar qualquer decisão é essencial para que a convivência entre eles seja pacífica no futuro.

As crianças têm se estranhado com seu novo amor?

Deixe claro o papel de cada um

Em um modelo familiar saudável, o lugar do pai não é substituído pela chegada do padrasto. Pelo contrário: o novo parceiro da mãe passa a ocupar um espaço adicional na família, em que também se preocupará com o desenvolvimento dos pequenos. “O aumento da família pode ajudar na construção de laços permanentes de confiança, afetividade e amor”, completa Laura.

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Pense sobre as razões delas

As crianças parecem tristes? O mais velho fica irritado sem motivo? Com o “nascimento” do padrasto ou da madrasta, é comum que os filhos estranhem e se sintam frustrados. Algumas vezes, eles podem enxergar a pessoa como um empecilho para que os pais reatem, um desejo muito comum. Em outros casos, podem estar sentindo ciúme pelo fato de precisar dividir a atenção do pai ou da mãe. Seja qual for a situação, converse sempre com eles e acabe com possíveis mal-entendidos.

Faça a intermediação

A convivência gera conflitos e isso não é exclusividade das “novas” famílias

Os pais precisam ter bom senso, escutar o que está incomodando o filho ou o parceiro e tentar resolver a situação de forma harmoniosa. No começo pode ser difícil mesmo a criança aceitar dividir a mãe com um estranho, mas aos poucos, com bastante calma e bom senso, tudo vai se encaixando. E é importante que os pequenos não sejam pressionados demais. Talvez seja bom conversar a sós com seu filho para entender o que ele está sentindo e para saber o que ele acha que pode ser feito para melhorar a relação com o padrasto.

Os meus, os seus, os nossos

Seu novo companheiro também tem filhos? A boa relação entre as crianças dependerá de diversos fatores, entre eles a idade delas e qual a criação que receberam até o momento. É natural que exista o desejo dos pais de que elas se tratem como irmãs, mas nem sempre isso é possível. Tente não forçar a barra e aja naturalmente. Aos poucos elas vão se aceitar! E nem sempre dá para educar filhos e enteados da mesma forma. “Se a história familiar de um é diferente da do outro, por que tentar educá-los da mesma forma? Faça isso de acordo com o que acredita ser mais coerente para cada um”, diz Laura.

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