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Como forma de protesto, melhor jogadora do mundo não está na Copa Feminina

Ada Hegerberg, vencedora da Bola de Ouro em 2018, se posiciona contra a desigualdade de gênero no futebol - e resolveu ficar de fora da Copa na França.

Por Fernando Gomes Atualizado em 15 jan 2020, 14h39 - Publicado em 18 jun 2019, 10h00

A norueguesa Ada Hegerberg é atualmente a melhor jogadora do mundo, segundo o prêmio Bola de Ouro, mas ela não está na Copa do Mundo de Futebol Feminino 2019. E o motivo é inequidade de gênero dentro do futebol.

Tudo começou quando a atleta participou da Eurocopa feminina em 2017. Ada sempre esteve ao lado das causas das mulheres, principalmente àquelas ligadas ao futebol. Por vezes observou a disparidade entre os salários das jogadoras e dos jogadores – e por isso resolveu se posicionar.

Naquele ano, Ada assinou um termo a favor da igualdade de gênero no ambiente esportivo, mas não viu melhorias acontecerem na prática. Então, ela decidiu não participar da Copa feminina deste ano. Tal atitude não foi bem vista por outros noruegueses.

Um deles foi Martin Ødegaard, jogador do Real Madrid. Nas redes sociais, o atleta criticou a ausência de Ada na Copa e afirmou que seu posicionamento atrapalhava a preparação do time da Noruega para a competição.

“Talvez você possa achar algo melhor a fazer do que atrapalhar a preparação da seleção para a Copa do Mundo. Elas se classificaram em nome do nosso país, uma das coisas mais importantes que um jogador de futebol pode realizar, e já receberam pressão negativa suficiente”, escreveu.

Ada Hegerberg
Daniela Porcelli/Getty Images

O ato de Ada foi um protesto contra algo que acontece explicitamente no futebol atual. Não é a primeira vez em que alguém discute a diferença de valores entre os pagamentos concedidos a atletas homens e mulheres.

Marta, da Seleção Brasileira, realizou uma manifestação no jogo contra a Austrália na semana passada. Suas chuteiras eram estampadas com o símbolo de igual (=), em referência à campanha Go Equal. “Bola igual. Campo igual. Regras iguais. Se a mulher joga futebol da mesma forma que o homem, por que ela não é reconhecida igualmente?”, diz o mote da campanha. 

Atualmente, a craque brasileira não conta com nenhum patrocínio esportivo, pois recusa-se a receber os valores propostos pelas marcas – que são muito inferiores aos dos homens. Vale lembrar que Marta tem hoje mais gols do que o Pelé pela Seleção Brasileira e que alcançou o recorde do alemão Miroslav Klose de gols marcados em Copas do Mundo. Ela também foi eleita seis vezes a melhor jogadora do mundo. 

Para além da falta de prestígio junto a marcas esportivas, os valores que a Fifa desembolsa para o futebol feminino também são absurdamente desiguais. A instituição destinou apenas 1% de suas reservas para a Copa da França e a premiação total do campeonato feminino é 14 vezes menor do que a que os homens receberão no Catar.

Desde 2018, a Noruega de Ada Hegerberg é o único país a pagar salários igualitários para homens e mulheres das Seleções de futebol. Mesmo assim, ainda é longo o caminho a ser trilhado pelas mulheres no esporte.

Quem é Ada Hegerberg?

Aos 23 anos, Ada Hegerberg é uma atleta que já ganhou 1 Eurocopa, 2 Campeonatos Franceses e 2 Copas da França.

Em 2016, foi eleita a melhor jogadora da Europa pela UEFA e, mais tarde, em 2018, foi a primeira mulher a vencer a Bola de Ouro. Oferecido pela revista France Football desde 1956, esse é o prêmio futebolístico mais tradicional do mundo – e somente no ano passado as mulheres passaram a ser incluídas na premiação. 

Também em 2018, Ada foi eleita a terceira melhor jogadora do mundo pela premiação anual da Fifa – que existe desde 1991.

A norueguesa já participou de 263 jogos e fez 252 gols. Em 2016, ela balançou a rede mais vezes na Eurocopa do que Cristiano Ronaldo, que já foi melhor do mundo cinco vezes. Atualmente, Ada joga pela Oympique Lyonnais.

E tudo isso com apenas 23 anos de idade. É mole?

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