A brasileira que trabalha na Pixar

A paulistana Nancy Kato conquistou vaga na equipe de criação da Pixar, o mais badalado estúdio de animação do planeta

Nancy Kato é uma das cerca de 20 mulheres dentre a equipe de 120 animadores da Pixar
Foto: Jessica Brandi Lifland

Quando você olhar a carinha de Mike – aquela criatura verde com formato de azeitona e um olho enorme no meio do corpo da animação de Monstros S.A. – na continuação da animação de 2011, Universidade Monstros, que estreou neste mês, saiba que tem ali o dedo de uma brasileira – assim como em Dory, de Procurando Nemo; Merida, de Valente; e alguns veículos de Carros. Trata-se de Nancy Kato, paulistana de 48 anos que trabalha há quase 14 na Pixar, incensado estúdio de animação que é detentor de uma coleção de estatuetas do Oscar.

A verdade é que não foi por pura sorte que ela se tornou uma das cerca de 20 mulheres da equipe de 120 animadores da empresa. “Nunca entendi por que tanta dominação masculina nessa área”, comenta. “Mas sinto que sou tratada de igual para igual.” Uma mistura de paixão, talento, disposição para aprender e persistência a ajudou a chegar lá”.

Formada em arquitetura na Universidade de São Paulo, ela tomou contato com a computação gráfica na faculdade. Apaixonou-se tanto que foi estudar em Nova York. No fim do curso, quase desistiu da carreira e voltou para casa de tão difícil que era achar emprego na área no início dos anos 1990. Acabou cavando um convite para atuar no estúdio Rhythm and Hues (As Aventuras de Pi), em Los Angeles, onde ficou oito anos. Em 1999, surgiu a chance de um estágio na Pixar, que havia revolucionado a animação com Toy Story e fazia o segundo filme da série. Não saiu mais.

Seu trabalho é meio de formiguinha: vários meses de suor de cada membro da equipe podem resultar em um tempo parco na tela – em Universidade Monstros, Nancy assina 115 segundos da ação. O animador é o responsável por parte da boa ou má atuação dos personagens. Enquanto atores fazem as vozes, é ele quem garante veracidade a gestos e expressões. “É duro, mas, quando terminamos uma cena e vemos aquele ser com vida, dá a maior satisfação”, diz. “E o filme atinge pessoas no mundo todo!” No entanto, a pressão por estar num estúdio de ponta é grande. “Tenho que dar o melhor de mim, até porque o nível subiu muito e os mais jovens, mesmo com metade da minha idade, parecem ter anos de experiência!”. Seus dias vão das 9 às 19 horas, com serões pelo caminho. Em geral, ela consegue manter os fins de semana livres para curtir com o companheiro, Blake, e os três filhos dele. Mas Nancy não bobeia. “Apesar dos meus tantos anos de trabalho, tenho que batalhar sempre. É como se ainda estivesse na escola: é preciso continuar aprendendo e me renovando.” Pelo jeito, o segredo do seu sucesso é não desistir nunca – algo que está um pouco no sangue brasileiro.
 

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