Você pode curar sua vida

Nossa colunista Marcela Leal fala de como abriu mão da vaidade intelectual para abraçar uma simples verdade

Em dezembro de 2010, o primeiro livro da Louise Hay caiu na minha mão. Se chamava Você Pode Curar Sua Vida. Era uma edição bem colorida e cheia de ilustrações e me soou bastante infantil na época. Cheia de preconceito com aquilo que é simples e trabalhada dos pés a cabeça por um intelectualismo boçal equivocadamente fundamentado nos anos de estudo de filosofia e todo tipo de livro científico que passava pela minha frente, eu julguei aquele livro. Afinal era um livro de “autoajuda” e na minha cabeça só as minhas tias velhas donas de casa que não tinham mais o que fazer além de assistir novela liam este tipo de livro, ainda mais com todo aquele colorido. E confesso que por pouco não li.

Este livro, como todos os outros dela, propõe ao leitor que faça uma série de exercícios pra que ele comece a se conhecer melhor e a se amar. Então, me rendi ao “ridículo” e fui lá fazer o exercício, bem escondida entre as quatro paredes do meu quarto. Ele propunha que eu olhasse meu rosto num espelho e dissesse a mim mesma olhando nos meus olhos em voz alta: “EU TE AMO E TE ACEITO PROFUNDAMENTE!”

Tentei, me achei ridícula e parei. Voltei a tentar e, antes que eu começasse a falar, tive logo a minha atenção voltada pra um cravo no nariz: “Meu Deus, esse cravo, que coisa horrível.” E depois sorri e vi que meus dentes estavam ficando amarelos de tanto café e depois ouvi a minha própria voz interna me recriminando: “Como você pode deixar isso acontecer, sua relaxada!”. E depois comecei a olhar os sinais do tempo no meu rosto e pensei: “Nossa, eu estou velha!”. E assim fui criando mil empecilhos para não olhar para mim verdadeiramente. Voltei a fazer, insisti e comecei a ver o quanto me bloqueava, o quanto era difícil amar a mim mesma. Depois de uns três dias de prática, comecei a olhar para mim e me achar legal, e em pouco tempo comecei a sentir um profundo respeito e amor por mim, amor pelas minhas escolhas, por eu ser tão corajosa em tantos momentos, e comecei ver qualidades em mim que nunca tinha visto. Resumindo: comecei a gostar de mim. Imaginei a quantidade de tempo que passei olhando de forma equivocada para mim e me amei. Simples, né? Não, não é simples. Lembro que na época tentei obrigar todo mundo que estava perto de mim a fazer esse exercício, lembro-me da reação de uma tia minha que se olhava no espelho, tentava falar as palavras, travava e dizia: “Não consigo! Estou muito feia. Preciso de plástica”.

Imaginem, vivemos assim. As pessoas vivem assim, pensam isso a respeito delas mesmas todos os dias. Nascem, crescem e morrem pensando desta forma. Como é possível construir boas relações, ter boas oportunidades profissionais, ter saúde, pensando assim 24 horas por dia? Impossível.

Hoje sou muito grata a Louise Hay. Entendi que, para entrar em contato com a verdade a respeito de que somos, é necessário abandonar o intelecto e isso na maioria das vezes se torna um empecilho. Como alguém pode abandonar o patrimônio de todo um conhecimento adquirido durante anos de investimento em faculdades, cursos e MBAs e se jogar sem paraquedas numa abstração chamada amor? Sem dúvida o amor verdadeiro é o terreno mais desconhecido e temido que existe. Estranho, né? O intelecto é importante sim, mas apenas para chegarmos ao entendimento de que teremos que nos desfazer dele e amar, amar sem barreiras. E é tão simples que dá medo.

Marcela Leal escreve no site quinzenalmente. Para falar com ela, clique aqui!

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