Você desconta suas emoções na comida? Noiva, cuidado!

Romper a relação entre comida e emoções é o melhor caminho para conseguir se controlar e evitar que os ataques de gula sejam tão frequentes

A comida não pode se tornar um refúgio
Foto: Eduardo Delfim

Quando o namoro terminou, a advogada Ana Cristina devorou uma caixa de bombons em poucos segundos. O mesmo aconteceu com a executiva Maria Tereza depois de perder um contrato de milhões de reais. Esses ataques são comuns e costumam ter origens na infância. “Se toda vez que o bebê reclama os pais oferecem a mamadeira ou o peito sem deixá-lo chorar ou investigar o que está acontecendo, ele vai associar comida a afeto, aconchego ou refúgio”, afirma a psicóloga Andreia Calçada, do Rio de Janeiro.

Segundo ela, o correto seria tornar o momento da alimentação prazeroso, mas não a única situação de atenção da mãe com a criança. “O ‘alimento emocional’ deve estar presente na hora da brincadeira, dos estudos e até ao colocar limites.” Ao longo da vida adulta, essas conexões continuam presentes. Quando comemoramos o aniversário, o casamento, a promoção ou compensamos alguma perda… comemos e bebemos. “É saudável ter uma válvula de escape, como fazer compras, malhar ou comer excessivamente um dia ou outro. O problema é quando essa necessidade de compensação se torna a única saída para lidar com a frustração”, diz a psicóloga Laura Cavalcanti, do Rio de Janeiro.


Para ficar ligada

Você deve estar pensando: por que eu não me acabo na bicicleta ergométrica ou estouro o limite do cartão de crédito em vez de me empanturrar de chocolate? A resposta é simples: nunca foi tão fácil encontrar tanta variedade de guloseimas. Não bastasse isso, a gordura, o sal e o açúcar alteram algumas funções cerebrais, gerando satisfação imediata. É como se eles dissessem para o cérebro: “Chegou algo que dá prazer e você quer mais” ou “Você não tem namorado, mas tem chocolate, que também dá prazer”. São comportamentos compulsivos e inconscientes. “Se fosse consciente, você saberia que o doce é para ser saboreado, e não para aliviar sofrimentos”, observa Laura Cavalcanti. “Vale lembrar que, se por um lado o ato de comer não exige esforço, a não ser da mandíbula, por outro lado fazer ginástica requer tempo e disposição, que estão cada vez mais escassos”, diz a psicóloga Larissa Campagnone, do Spa Med Sorocaba Camp, em Sorocaba (SP).

Você não tem de ser vidente para saber que, depois de todo ataque à geladeira, vem uma onda de culpa. Isso acontece porque extrapolou nas calorias e não resolveu o problema e porque é exigente demais consigo mesma. “Para que esses episódios fiquem menos frequentes, é preciso, primeiro, perceber que a vida e o ser humano estão sujeitos a oscilações o tempo todo e, segundo, aprender a ser generosa para se desculpar das escorregadas”, ensina Laura. Se esses ataques à comida forem incontroláveis, procure um profissional ou grupos de ajuda.


Da teoria à prática

Se você chegou à conclusão de que, em algum momento da sua vida, a comida ganhou conotação de refúgio, não vai adiantar nada jogar a culpa no passado. No entanto, é bem provável que terá mais dificuldade para emagrecer do que outra pessoa que manteve a comida no seu devido lugar. “Para isso, toda vez, antes de comer, pense se aquilo é realmente necessário para manter o organismo saudável ou se é uma válvula de escape. É importante transformar a refeição num ritual, e não num processo automático. Ou seja, sente num lugar tranquilo, mastigue e saboreie os alimentos”, ensina a psicóloga Natasha Versolato, também do Spa Med Sorocaba Camp.

Vale a pena ainda registrar num diário tudo o que consumiu ao longo do dia e quais foram os estímulos para isso – os especialistas afirmam que esse monitoramento faz a pessoa ingerir até 20% menos do que comeria se não anotasse. “Também aconselho minhas pacientes a identificar os primeiros sinais que as fazem pensar em atacar a sobremesa e ter em mãos uma estratégia de enfrentamento. Geralmente, são coisas prazerosas e incompatíveis com comida, como bordar, desenhar, dançar”, afirma o psicólogo e psicoterapeuta Marco Antonio De Tommaso, de São Paulo. Outra estratégia é aprender a ver a comida como um alimento – não como uma vilã cheia de calorias, proteína, gordura ou açúcar.

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